O «Corpo-Cons(umo)truído» no século XX em Portugal - A tatuagem como expressão gráfica em três fases distintas

The "Body-Consumption-Built" in the twentieth century in Portugal - The tattoo as a graphic expression in three distinct phases

Cardal, S.

FA-ULisboa / CIAUD - Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa / (CIAUD) Centro de Investigação em Arquitetura, Urbanismo e Design

Retirado de: http://convergencias.esart.ipcb.pt

RESUMO: O presente artigo surge no âmbito de desenvolvimento de Tese de Doutoramento em Design, com principal foco na tatuagem como expressão gráfica, em Portugal. Uma das mais importantes características da tatuagem, é o facto de materializar determinados aspetos biográficos acerca do seu portador, bem como, “denunciar” de forma mais ou menos direta o seu consumo e a sua construção identitária. A tatuagem como expressão gráfica, não vai apenas inscrever tinta em forma de letras na pele humana portuguesa, mas “impressões” do mundo individual de um determinado consumidor face ao seu meio social, circunscrito numa determinada época (dependendo da localização selecionada, do idioma utilizado e da subjetividade do respectivo conteúdo). No decorrer deste artigo, pretende-se examinar a hipótese de uma nova expressão gráfica da percepção visual sob a forma do corpo humano como meio de comunicação. De igual modo, procurar-se-á estabelecer uma relação entre as três fases de estudo (INMLCF – 1911/43; Guerra de Ultramar – 1961/74; finais do século XX) que nos permita desenvolver uma síntese das marcas corporais como enquadramento histórico.

PALAVRAS-CHAVE: Tatuagem, Desenho de letra, Medicina Legal, Guerra de Ultramar, Portugal

ABSTRACT: This article comes as part of the PhD thesis developing design with main focus on tattoo as a graphic expression, in Portugal. One of the most important characteristics of the tattoo is the fact of materializing certain biographical aspects about its wearer, as well as "denouncing" in a more or less direct way its consumption and its identity construction. The tattoo as a graphic expression, will not only inscribe ink in the form of letters in Portuguese human skin, but "impressions" of the individual world of a particular consumer in relation to their social environment, circumscribed in a given time (depending on the location selected, the language used and the subjectivity of the respective content). In the course of this article, we intend to examine the hypothesis of a new graphic expression of visual perception in the form of the human body as a means of communication. In the same way, a relationship will be sought between the three phases of study (INMLCF - 1911/43; Guerra de Ultramar - 1961/74, late twentieth century) that allows us to develop a synthesis of body marks as a historical framework.

KEYWORDS: Tattoo, Lettering, Legal Medicine, Guerra de Ultramar, Portugal

1. Introdução – Enquadramento geral

“De pequenas ou grandes dimensões, as tatuagens têm conquistado cada vez mais adeptos em Portugal.”[1] 

A tatuagem em Portugal, como prática de consumo e de construção identitária, tem vindo a ser vivida e experienciada de diversas formas, dependendo da época em que está inserida. De igual modo, o corpo humano, como suporte desta prática de marcação corporal, tem sido referenciado ao longo da história pelas diferentes culturas, de conotações muito distintas[2].

Na realidade, o Homem tem um corpo, mais ou menos saudável, mais ou menos agradável, que o acompanha desde o dia em que nasceu até ao término da sua vida; ao longo deste percurso, vai sofrendo alterações, não somente naturais como provocadas. O recurso a esta prática de ornamentação corporal, diversificou-se e tornou-se mais complexa ao longo do século XX e, adquiriu maior proximidade e aceitação perante terceiros, num contexto social mais aberto, “As práticas de consumo são, simultaneamente, práticas significativas e identitárias a partir das quais os indivíduos produzem significado e se definem.” afirma Silva[3]. Ainda, segundo a autora, o consumidor é visto como “multideterminado” e “multifacetado” nos diversos contextos que se sociabiliza e nos quais se relaciona.

Em Portugal, no decorrer do século XX, realçam-se três fases distintas para um melhor enquadramento da tatuagem face ao seu potencial consumidor, como “corpo-consumo” e “corpo-construído”, sendo o primeiro, o estudo no INMLCF da Delegação do Sul, em Lisboa, como ponto crucial para a contextualização do início de século (1911-43), em segundo a Guerra de Ultramar (1961-74) e por fim, nos finais do século, é dado ao corpo um papel de destaque, de protagonismo, de quase culto religioso, mas foi a partir de meados de 1970, em plena revolução da veneração do corpo, que a tatuagem deixou de ser um fenómeno underground, passando a ser encarada como uma marca de desejo, aproximando-se de uma pintura ou de um desenho, por vezes incluindo uma mensagem escrita, com um aspeto mais ou menos artístico. Uma grande diferença relativamente à restante maioria dos suportes (papel, tela, tecidos, etc.), é que estes desenhos ou pinturas são concebidos numa tela viva, móvel e mutante – a pele – do corpo humano.

As diversas intervenções que alguns indivíduos têm vindo a explorar nos seus próprios corpos, pelas perfurações das agulhas através das quais é injetada a tinta na pele, tornam o indivíduo diferente, passa a possuir no próprio corpo um “adorno” definitivo.

Uma tatuagem, que potencia símbolos gráficos, confere a um corpo humano uma possibilidade de exercer uma comunicação visual direta através da leitura da mensagem de que as letras são portadoras, de maior ou menor rapidez de percepção, dependendo de quem usufrui desse impacto visual, que poderá ser reconhecido de imediato ou não. Em geral, as mensagens estão muito associadas a nomes, frases religiosas, letras de música, poemas, declarações de amor, siglas militares e desportivas, assim como, mais recentemente, sentimentos, frases que refletem um estilo de vida, entre outros.

Esta investigação foca-se no interesse pela tatuagem de expressão gráfica e respetiva localização corporal, pelo desenho de letra e pelo significado semântico dos conteúdos tatuados.

A realidade dos dias de hoje, no design de tipos, ora numa produção mais analógica, ora digital, tem vindo a evoluir, e o interesse por esta área é transversal às várias profissões que incorporam esta prática. Sendo uma área privilegiada, no momento presente, de uma forma universal, é em Portugal Continental, que esta investigação se debruça. A caligrafia, o design de tipos e o lettering, são extremamente pronunciados na sociedade urbana atual. A necessidade da representação gráfica através de caracteres e a comunicação escrita, surge massificada e por esta razão, é impreterível o entendimento que recai sobre suportes alternativos, como é o caso da pele humana.

De igual modo, ao refletir-se sobre a contextualização histórica e cultural da tatuagem e do desenho de letra em Portugal e, a evolução dos seus produtores (tatuadores, outrora, também designados, “marcadores”[4]), nomeadamente, a técnica por estes utilizada, visa-se a compreensão da mensagem escrita, da referência visual e construção dos caracteres, bem como, a relação entre tatuador e consumidor final, para o qual estas “marcas” indeléveis foram concebidas.

 

2. Porquê o interesse por marcações corporais?

O problema deste projeto de investigação denota uma identidade imagética facilmente perceptível em dado contexto cultural. O uso da tatuagem vem sendo ao longo de vários anos, uma contribuição para o reforço cultural de determinada civilização e a partir do século XX, para a identificação de diversos grupos sociais, inseridos na nossa sociedade. Mais recentemente, esta prática é também, uma aquisição de um adorno artístico corporal de caráter comunicacional.

Transversal a todos estes corpos humanos marcados através da tatuagem, encontra-se a comunicação visual, e por conseguinte, o design gráfico. Ora para marcarem uma memória de um ente familiar, seja pelo nome próprio, por uma frase, por um refrão de música ou até por uma data, ora para colocarem nas suas peles o próprio nome ou o nome da pessoa que amam, tal como palavras isoladas alusivas a estilos de vida, ora também, pelo puro prazer de marcarem o corpo com caracteres que são iniciais de algum nome próprio ou de algum ídolo famoso. O recurso à língua portuguesa é atualmente um facto relevante, e portanto, esta popularidade da língua de forma direta e indireta, principalmente no ocidente, como suporte comunicacional – a pele humana – através do design gráfico, promove uma determinada parte cultural identificativa da população portuguesa. Dependendo da localização anatómica, onde estes caracteres são marcados, face à sua visibilidade, serão objeto de curiosidade por parte de terceiros, o que proporciona um diálogo visual e paralelamente oral. Os indivíduos que possuem estas “marcas corporais em forma de escrita”, são portadores de informação, de caráter individual com projeção no coletivo e, acima de tudo, tornam-se os principais responsáveis pela divulgação e interpretação destas mensagens.

Entender o porquê destes conteúdos, o porquê de determinada localização anatómica, o porquê daquela tipologia de escrita (desenho de caracteres) e o porquê da língua utilizada são os principais pontos no design de investigação deste projeto.

 

3. Metodologia e desenvolvimento da investigação

A metodologia utilizada nesta investigação é de caráter qualitativo e não intervencionista, uma vez que pretende analisar e interpretar dados não mensuráveis, visando uma adequada compreensão e descrição do objeto de estudo.

De modo sintético, é composta pelas seguintes vertentes: pesquisa teórica, baseada numa revisão da literatura e na respetiva análise critica; entrevistas semi-diretivas a especialistas, e observação direta dentro de um estúdio de tatuagem.

A investigação iniciou-se pela revisão da literatura, de forma muito abrangente, dentro da temática do design gráfico em paralelo com a história do corpo humano, como objeto artístico. Posteriormente, a tatuagem ocupa o lugar central, como técnica intermediária entre a expressão da comunicação gráfica e a pele do corpo humano, mais especificamente, em território nacional. A história da tatuagem juntamente com a história do design gráfico em Portugal proporcionaram um interesse elevado na forma dos elementos gráficos inscritos na pele humana dos portugueses e, portanto, era de prever que a história destes registos se tornasse o tema central.

O desenho de letra, a localização corporal, a preocupação formal da composição, tal como, a técnica de tatuar e a formação dos profissionais que a executam, e ainda, os indivíduos que inscrevem estas marcas começaram a surgir no inicio do século XX, no âmbito da Medicina Legal e posteriormente, no flagrar da Guerra de Ultramar, como contextualização histórica face ao panorama diferenciador atual, que permitiu constituir um estado da arte mais consistente.

Esta investigação, para além de contextualizar e caracterizar a tatuagem como elemento gráfico em Portugal, procura contribuir para a construção de um modelo histórico e estabilizador de conceitos inerentes à praticabilidade desta marcação corporal, bem como, originar uma metodologia que permita a análise destes mesmos elementos gráficos.

Em simultâneo, iniciou-se todo o processo de recolha de dados, através da utilização da entrevista semi-diretiva com gravação (voz) e captação fotográfica dos elementos gráficos tatuados. Antecedente, à realização das entrevistas, um fator predominante, foi a definição do painel de entrevistados (constituído por tatuadores e consumidores de tatuagens de expressão gráfica, dentro destes os ex-combatentes da Guerra de Ultramar), e a construção dos guiões. Este tipo de entrevista desenvolve-se a partir de uma conversa relativamente “informal” entre entrevistador e entrevistado, na sequência das perguntas e respostas. É fundamental um guião previamente elaborado, sem, no entanto, ter que ser seguido compulsivamente. A realização das entrevistas fluíram de forma natural e em diversas direções, consoante as respostas dos entrevistados. Colocaram-se as perguntas e recolheram-se as respostas captadas através de gravador de voz. No final, de cada entrevista, captou-se os registos fotográficos das respetivas marcações corporais. A recolha de informação obtida pela realização das entrevistas revelou-se fundamental para uma melhor compreensão do percurso profissional e formação dos tatuadores e, do contexto social e individual dos consumidores perante as opções referentes ao design gráfico.

A par da definição do painel de entrevistados junto dos profissionais (tatuadores) e do painel de entrevistados formado pelos consumidores, a recolha fotográfica desenvolvida ao longo da investigação consistiu, no caso dos profissionais pelo portefólio de trabalhos desenvolvidos com elementos gráficos evidentes e no caso dos consumidores pela diferenciação geracional, profissional, académica e de género, serem possuidores de marcações corporais com forte expressão comunicacional gráfica. Esta recolha fotográfica constitui a base desta investigação, face ao que é praticado nos dias de hoje, e portanto, foi necessário construírem-se grelhas de análise, nas quais se organizaram todos os dados sociográficos e se definiram as dimensões de análise dos entrevistados perante os elementos gráficos tatuados.

O trabalho de campo (entrevistas, captação fotográfica e observação direta) apresenta-se como uma componente fundamental nesta investigação, principalmente para contextualizar a tatuagem praticada na atualidade.

Estando esta investigação em curso e perante, o quadro de análise, sentiu-se necessidade de compreender a tatuagem executada décadas antes (Guerra de Ultramar) e, também, há um século atrás (INMLCF). Relativamente a este último, sob a Orientação da Dr.ª Manuela Marques[5], o estudo apoia-se em dados recolhidos, por intermédio de registos fotográficos a uma amostra aleatória de fragmentos de pele humana e a álbuns de fichas iconográficas que se encontram originalmente classificados em três categorias de recolha: autópsias; hospitais e rua (utentes vivos) e exames diretos (exames de Clinica Médico-legal), na  Delegação do Sul do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses (INMLCF), em Lisboa.

Como contextualização histórica da tatuagem em Portugal, este estudo objetiva analisar e reter os parâmetros referentes à tatuagem escrita destes indivíduos, que constam nas fichas de registo destes álbuns (profissão; processo empregado na tatuagem, duração do ato de tatuar, região anatómica, cor, quanto tempo se tatua, se existe inflamação, tatuador, local onde se tatuou, motivo para se tatuar, preço cobrado, ilustração anatómica, com representação da localização corporal à escala e ainda desenho da mesma à escala real) e o significado semântico das respetivas tatuagens, tal como, o desenho de letra e a composição que estas podem formar entre si, e ainda, uma breve abordagem aos indivíduos que as produziam, bem como o processo e os instrumentos utilizados na preconcepção, durante e após a execução destas marcas.

No seguimento da análise, para que esta fosse coesa e útil na área do design gráfico, existiu a necessidade de entre as dimensões de análise, colocar-se uma classificação/estilo ou características básicas referente ao estudo do desenho de letra, tanto para caracteres isolados, como para palavras ou texto. 

Com base nesta análise e através da observação atenta e sistematizada, pode-se compreender e identificar um conjunto de características específicas na produção destas letras desenhadas e tatuadas, que contribuiu para uma melhor apreciação comparativa entre os registos captados na amostra estudada.

 

 

4. O «Corpo Tatuado» no século XX em Portugal

4.1. INMLCF (1911-43)

4.1.1. Breve contexto da tatuagem na primeira metade do século XX

Em Portugal não existe uma prova direta relativamente à origem da tatuagem. Tem vindo a ser objeto de investigação em diversas áreas, com maior incidência na medicina legal, na sociologia e na antropologia. Nas duas primeiras décadas do século XX, a tatuagem, como objeto de estudo, assume forte relevância ao nível nacional, em obras de autores de referência, tais como: Rocha Peixoto[6] (Porto) e Rodolfo Xavier da Silva[7] (Lisboa), entre outros. Segundo Jorge Costa Santos[8]: “Nos primórdios do século eram sobretudo os delinquentes e os militares que praticavam a tatuagem.” Nesta época o «corpo tatuado» surge num contexto bem definido, em meios militares, em estabelecimentos prisionais ou grupos sociais marginalizados.

Apesar da elevada taxa de analfabetos existentes no seio destes grupos sociais, denota-se que existe uma tendência para o consumo de aglomeradas marcações de diversas categorias representativas, em áreas pouco extensas, na mesma zona anatómica, “em que o gesto surge como via alternativa de expressão (o ato em vez da palavra)” (SANTOS, 1987), contrariamente ao que se passa nos dias de hoje, em que a “palavra” adquire uma conotação de referência visual extremamente gráfica e de comunicação direta.

 

4.1.2. Estudo da tatuagem no INMLCF, na Delegação do Sul, em Lisboa[9]

A Delegação do Sul do Instituto de Medicina Legal e Ciências Forenses (INMLCF) possui uma coleção de fragmentos de pele humana tatuada, da primeira metade do século XX, conservados em formol, acondicionados em frascos de vidro etiquetados com o número de processo e o respetivo ano em que foi coletado (Figura 1). Maioritariamente do género masculino, e entre eles, alguns corpos politatuados. Recentemente, estes fragmentos de pele humana tatuada são alvo de recuperação e investigação, por parte de investigadores da área da museologia da medicina. Esta instituição possui ainda, um conjunto vasto de álbuns de tatuagens, que correspondem ao estudo realizado no antigo Instituto de Medicina Legal de Lisboa (IMLL), no período supra referido (Figuras 2 e 3), nomeadamente, dezasseis álbuns de fichas iconográficas e doze álbuns de registos (entre estes vários documentos avulso), com datas compreendidas entre 1911-1943. Estes suportes de registos estão divididos por três categorias de recolha: autópsias; hospitais e rua (utentes vivos) e ainda, exames diretos (de igual modo, em utentes vivos) na Delegação do Sul do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses em Lisboa. São compostos por uma ficha de identificação do utente (número de registo; nome e profissão; processo empregado na tatuagem, duração do ato de tatuar, região anatómica, cor, quanto tempo se tatua, se existe inflamação, processo de remoção da tatuagem, tatuador, local onde se tatuou, motivo para se tatuar e qual o preço cobrado), de ilustração anatómica, com a respectiva localização corporal da(s) tatuagem(s) à escala e ainda desenho(s) da(s) mesma(s) à escala real (Figuras 4, 5 e 6).

Do ponto de vista iconográfico, pôde observar-se numa amostra aleatória (álbuns e registos dos fragmentos de pele humana tatuados), que estas marcações encontram-se em diferentes localizações corporais, com maior incidência para o braço, o antebraço e o peito. Denota-se que existe uma tendência para aglomeradas marcações de diversas categorias representativas, em áreas pouco extensas, na mesma zona anatómica. A categoria mais representativa são as designadas, “inscritivas” (datas e nomes), entre outras representações, tais como: animais, flores, figuras humanas, patrióticas e políticas, religiosas, instrumentos de crime, etc.

Relativamente, às profissões destes tatuados, no género masculino com maior incidência nos pedreiros, pintores, fragateiros, vendedores de rua, caldeireiros e marinheiros. No seio feminino, confirma-se em grande maioria as profissões de doméstica e de meretriz.

As tatuagens contribuem para a identificação dos corpos e para certos elementos biográficos relativos aos indivíduos que as possuem. Portanto, os parâmetros referentes à tatuagem, que constam nestas fichas de registo, confirmam que tecnicamente, estas foram produzidas por meio de agulhas, ora espetadas num pau, ora eléctricas, ora em máquinas próprias. Todos os indivíduos analisados nesta amostra tatuaram com a cor azul e alguns com a cor vermelha. O motivo pelo qual se tatuaram, é numa larga maioria, por imitação (“ver fazer”). No entanto, alguns assumem como marca de recordação ou entretenimento.

No que respeita, ao seu produtor, verifica-se que raramente se trata de um profissional de tatuagem, mas sim, de conhecidos, camaradas ou até mesmo amigos que as realizavam em contextos de trabalho, como são os casos dos marinheiros, ou de diversão, nos núcleos urbanos.

A realização destas marcas corporais demoravam geralmente uma hora ou menos a serem executadas, contudo, existem registos de tatuagens que tiveram a duração de um dia, ou realizadas em várias sessões diárias de curta duração. Estes indivíduos, não sofreram qualquer tipo de inflamação na zona tatuada e, em geral, não lhes era cobrado em dinheiro a prestação do serviço. De igual modo, verifica-se que a data de realização destas tatuagens varia entre um e doze anos, após terem iniciado esta pratica de modificação corporal.

Tendencialmente, os politatuados, são os indivíduos reincidentes nas prisões. Para perderem o medo, iniciam-se nesta modificação com marcações de dimensões mais reduzidas e de traços mais simplificados, “logo que lhe tomam o gosto pintam-se e repintam-se à farta, sendo rara a região anatómica com o condão de escapar-se ao agravo das agulhas do tatuador.”[10]

Numa análise aos conteúdos e ao desenho de letra, dos registos fotográficos captados, tanto dos fragmentos de pele humana tatuados, como das ilustrações das fichas iconográficas verifica-se que maioritariamente as tatuagens escritas apresentam-se em letra maiúscula ou «caixa alta», acompanhadas por desenhos figurativos alusivos ao sexo feminino, a símbolos patriotas, a representações religiosas, a emblemas de clubes desportivos, a instrumentos de crime ou militares, etc. Predominantemente, são as letras iniciais de nomes próprios, de familiares ou de casos amorosos que se inscrevem na pele destes indivíduos. Salienta-se que no género feminino, estas tendem a tatuar unicamente o nome por extenso do marido e/ou amante, por vezes sem qualquer acréscimo de elementos de desenho figurativo, regularmente tatuado no peito, junto ao local anatómico do coração humano.

Ao nível da anatomia da letra, pode afirmar-se que os caracteres apresentam-se em geral sem serifas, recorrendo à manualidade do estilo cursivo, os quais possuíam formas simplificadas para favorecer a rapidez de escrita, tanto de origem mecânica da máquina de escrever (Figura 7), como de raízes da caligrafia apreendida nos estabelecimentos de ensino (Figura 8). Raramente se apresentam casos de origens mais tipográficas ou de lettering.  No entanto, é de elevada relevância a taxa de analfabetos existentes no seio destes grupos sociais. Geralmente, “consomem o tempo a pintar ou a consentir que lhe pintem a péle de todo o corpo.”[11] Estas marcas corporais, são geralmente formadas apenas por linhas de contorno, muito similar à escrita manual. Surgem alguns casos de caracteres com linhas duplas de contorno, sem preenchimento e ainda outros, com preenchimento, nunca sombreados.

Principalmente, nos corpos politatuados denota-se ausência de composição e inadequação da dimensão dos elementos tatuados às zonas anatómicas selecionadas. Estes corpos apresentam-se geralmente cobertos de aglomeradas tatuagens com dimensões variadas, tendencialmente para as pequenas representações ora de ilustrações figurativas, ora de caracteres diversos, dentro das tipologias mais usuais na época, e de forma aleatória, mesmo nas direções que as respectivas tatuagens são executadas, tanto para a direita, como para a esquerda, na diagonal, etc. Desprovidas de qualquer preocupação formal e de composição entre elas (Figura 9).  

As dimensões existentes nas fichas iconográficas, quando representadas numa ilustração modelo do próprio instituto, referente à localização anatómica são sinalizadas com a escala 1:4, no entanto, como referido anteriormente, todas estas marcações corporais são representadas, de igual modo, à escala real (1:1), sem qualquer sinalização métrica, podendo assim, serem dedutíveis as respetivas medidas das mesmas. No estudo realizado pelo Dr. Carlos Branco[12] no INMLCF, este verificou que: “As lâminas de pele existentes têm dimensões, que variam entre os 5 e 50cm de comprimento e os 5 e 35cm de largura. Adotam conformações quadradas ou retangulares, com raríssimas exceções em que a forma é mais regular.”[13]

Figura 1 – Fragmento de pele humana (1923), Coleção do INMLCF - Delegação do Sul.

 

Figuras 2 e 3 – Exemplos de Álbuns de Fichas Iconográficas de Tatuagens: Autópsias, Vol. 16 (1932-43) e Clínica Médico-Legal (Exames), Vol. 3 (1913-14), Arquivo do INMLCF - Delegação do Sul (desenvolvidas no antigo IMLL).

 

 

Figura 4 – Exemplos de Fichas Iconográficas de Tatuagens – Autópsias, Clínica (Exames diretos), Hospitais e Rua (1911-43), Arquivo do INMLCF - Delegação do Sul (desenvolvidas no antigo IMLL, sob a direção do Professor Doutor Azevedo Neves).

 

Figuras 5 e 6 – Fichas Iconográficas de Tatuagens - Exemplo de Ilustrações à escala 1:4 e 1:1 (1913), Arquivo do INMLCF – Delegação do Sul.

         

 

Figuras 7 e 8 – Caracteres de fragmento de pele humana de 1926 (esq.) e 1917 (dta.), Coleção do INMLCF – Delegação do Sul.

 

Figura 9 – Fragmento de pele humana (1933), Coleção do INMLCF Delegação do Sul.

 

 

4.2. Guerra de Ultramar (1961-74)

4.2.1. Marcas corporais concebidas fora da “metrópole”[14]

As tatuagens concebidas em plena Guerra do Ultramar, são anteriores à era da tatuagem considerada moderna, isto é, começaram por ser feitas anteriormente à década de 70.

Os indivíduos  que as concebiam, não tinham qualquer experiência em tatuar e em desenhar, como também, não tinham recursos técnicos adequados. Apesar da primeira máquina de tatuar, ter sido criada e patenteada em 1891, nos EUA, por Samuel F. O’Reilly [15] e em terras africanas, onde nativos tribais são expoente máximo na execução tradicional e manual desta prática, através de utensílios muito rudimentares e sem quaisquer cuidados de prevenção no respectivo manuseamento destes instrumentos e longe dos olhares dos mesmos, os soldados portugueses utilizavam-se, também, de forma muito rudimentar, de agulhas de coser unidas por uma linha (o número de agulhas mais utilizado na elaboração destas tatuagens, estava entre as três e as seis agulhas, salvo exceções de tatuagens concebidas unicamente por uma agulha), posteriormente mergulhadas em tinta-da-china, a qual era injetada na pele humana. Estas marcas corporais são provenientes da tensão, que estes portugueses vivenciavam diariamente no seio militar, e da memória de quem deixaram na “metrópole”, designação atribuída por estes a Portugal Continental.

As características da elaboração destas tatuagens, são geralmente bastante simples, por vezes com desenhos alusivos aos símbolos militares referentes a cada batalhão e respetivas companhias, em conjunto com mensagens escritas, e mais propriamente, caracteres formalmente compostos por maiúsculas, desprovidos de qualquer ornamento adicional. Para além dos símbolos de origem militar, a presença de desenhos de corações é bastante frequente na tipologia destas marcas. Contudo, nomes e datas são os mais usuais. Acontece, também, que estas marcas são o reflexo de uma identidade, opcional por cada membro desta comunidade, ou seja, marcas singulares e individuais que cada um retrata pelas suas experiências de guerra e vivências pessoais. Nestes grupos o estatuto destes indivíduos emerge com um estilo muito próprio, a marca corporal equivale, nestes casos, a “um selo de aliança”, que faz sentido para todos que fazem parte do respectivo grupo, um signo de identidade individual/colectiva. A localização mais frequente, destas tatuagens, era nos braços destes indivíduos, alguns do lado esquerdo, por ser o lado do coração, outros pelo simples facto de ser um local de colocação dos emblemas nas fardas e, ainda outros, sem qualquer motivo aparente. De igual modo, um local privilegiado presente no quotidiano destes soldados, onde os braços prevaleciam desnudados, no entanto, cobertos pela meia manga das suas t-shirts. Conseguiam tapá-las, mas também, mostrá-las com alguma relativa facilidade.

Neste contexto específico, estas tatuagens não são meramente uma modificação física, mas sim, uma valorização simbólica de reforço à masculinidade e virilidade referente a uma identidade sexual desejavelmente proeminente.

 

4.2.2. Minimalismo cursivo como “propriedade militar”

«Amor de mãe», «Angola 1968», «Esposa e filhos», entre tantas outras tatuagens executadas em plena Guerra de Ultramar, marcas estas insubstituíveis e naturalmente consolidadas na identificação de uma determinada geração em Portugal. Estes registos escritos em alguns corpos masculinos portugueses, são atualmente, modernizados relativamente à técnica e profissionalismo do respetivo tatuador, isto é, existe uma procura por parte destes ex-combatentes, em manter o registo original, atualizando-o, face à técnica, aos materiais e ao próprio desenho executado hoje por um profissional, em vez da incredibilidade de um companheiro de guerra, que não possuía qualquer conhecimento, quer de desenho de letras, quer da própria técnica de tatuar.

Um impulso procura a redução de elementos, logo minimalismo. Estes indivíduos reduziam os elementos gráficos das letras ao máximo, com hastes direitas, combinadas com segmentos de curva, formas desprovidas de qualquer adorno. Espontaneidade é uma das emoções mais características visíveis nestas marcas corporais (Figuras 10 e 11). Ao nível formal, eram compostas por linhas secas, geométricas e racionais.

A tipografia contemporânea continua a explorar este tipo de desenhos: claros, frios, técnicos e, por vezes elegantes. O que não é o que se observa neste contexto militar, apesar de ter formalmente características muito similares, denota-se uma ausência de conhecimento da área de intervenção tipográfica (altura da letra, pesos, com e sem serifas, alinhamentos, composição e enquadramento, etc.)  Contudo, esta simplicidade formal pode amplificar o peso emocional das letras que compõem estes textos, uma escrita “reacionária”, é legítima de contextos desta natureza – política/guerra.

Esta escolha irracional por parte de quem executava as letras formalmente, é essencial ao caráter da mensagem e da credibilidade da mesma. Estes caracteres são tipicamente masculinos, porque revelam um peso formal fortemente demarcado por formas rectangulares e com aspecto bastante robusto – poderá dizer-se que é uma “propriedade” da base militar onde se encontra.

Uma curiosidade em relação às artes, Piet Zwart[16] (1885-1977) combinou Dada com De Stijl, onde fez a junção entre elementos irracionais com racionais. Por incrível que possa parecer, os soldados portugueses fizeram, de igual modo, esta junção num contexto outsider às artes.

Figura 10 e 11 – (esq.) Joaquim Bento, natural de Montemor-o-Velho, 67 anos, Guiné 1966 / 1968 – Soldado Atirador. (dta.) António Filipe, natural de Leça da Palmeira, 62 anos, Guiné 1972 / 1974 – Cabo Mecânico.

 

 

4.3. Tatuagem “Pós 25 de Abril” – Evoluções significativas nos finais do século XX

O «corpo-cons(umo)truído», segundo Baudrillard, “O corpo (...) o suporte privilegiado da objetivação – o mito diretor da ética do consumo” (2010, p. 180) em que, «To be or not be myself»[17] (2010, p. 103) poderá, ainda por influência do autor,  assumir-se por o consumo de marcas corporais ser potencialmente considerado como uma espécie de linguagem, pela interação de um conjunto de operações destinadas a garantir entre os indivíduos e os grupos, dentro dos quais estes se movimentam, um determinado tipo de comunicação, de ligação e relação. Os autores Barbosa, Matos & Costa referem, “cada vez mais pessoas investem no seu corpo, com o intuito de obter dele mais prazer sensual e de lhe aumentar o poder de estimulação social, assistindo-se a um mercado crescente de produtos, serviços.”[18] Estes autores, defendem ainda, o corpo como projeto individual, um corpo ornamentado e construído, que facilmente se molda aos desejos do seu portador. No mesmo sentido,  Ferreira (2008) faz uma distinção entre duas modalidades de consumo de marcas corporais: a realização de uma marca corporal no corpo como adorno e a realização de várias tatuagens pelo corpo todo. A primeira refere-se a uma experiência momentânea e inaugural relacionada à moda, que pode vir a  desenvolver-se para a segunda e se tornar um projeto identitário longo e duradouro. O autor ainda refere, “o uso das marcas corporais intensificou-se no decorrer da última década do século XX, começando a permear a cultura dominante.”[19] Perante o consumo/construção da identidade do individuo, Silva refere, “a insaciabilidade é interpretada quer como consequência da sofisticação e personalização dos desejos e necessidades e/ou da vontade individual do progresso económico e social,”[20] a par dos avanços tecnológicos, sociais e políticos no desenrolar do século e, mais propriamente, após o 25 de Abril, verificam-se notórias evoluções: na técnica de tatuar e respetivos materiais e instrumentos, no título profissional dos tatuadores, na abertura ao público de espaços comerciais especializados (estúdios de tatuagem), no valor cobrado em dinheiro, na homogeneidade social (ambos os géneros, diversas origens profissionais, formações e graus académicos e, várias gerações), a temática continua a ser idêntica, uma maior incidência em nomes e datas (nas décadas de 80 e 90 a procura mais evidenciada consistia nos sistemas de escrita oriundos de outras culturas não latinas), começa a existir uma maior preocupação na seleção do conteúdo escrito, quer no desenho de letra (o uso do lettering), quer no sentido semântico, como também, o recurso, na mesma marca corporal, ao uso de caracteres em caixa-ata e caixa-baixa (Figuras 12 e 13).

 

Figura 12 e 13 – (esq.) Nome da filha, antebraço direito de corpo masculino. (dta.) Nome de filho, antebraço esquerdo de corpo feminino. (ambos) Tatuador Orlando Esperto, do estúdio Ortattoo, na Marinha Grande.

 

 

5. O que existe em comum entre as três fases?

Na constituição da história de um “nicho” populacional “marcado” corporalmente, após uma primeira análise visual e face aos testemunhos transcritos integralmente, que derivaram das entrevistas, pode-se afirmar que o que interliga estas três fases ao longo do século XX, é a vontade de marcar o corpo. Também, se denota uma proximidade na temática selecionada, maioritariamente, nomes de familiares e de pessoas com relações íntimas. De igual modo, a localização da região anatómica mais tatuada são os braços em toda a sua extensão. Como sublinha Nancy, “Os corpos cruzam-se, roçam-se, comprimem-se, enlaçam-se ou chocam uns contra os outros: tantos são os signos, tantos os sinais, as mensagens, os avisos que nenhum sentido definido pode saturar. Os corpos produzem sentido para além do sentido.”[21] A seleção da região anatómica tem relação direta com este cruzamento de corpos, com esta visibilidade pretendida, tal como, as dimensões adotadas do desenho das letras. A caligrafia e o estilo cursivo, neste contexto, são notórias como meio de atuação comunicativo na dimensão social.

As tatuagens produzidas no INMLCF e na Guerra de Ultramar, têm mais em comum no que toca ao desenho de letra. Em ambos os momentos, verifica-se por parte dos respetivos produtores, ausência de formação e falta de conhecimento e domínio, tanto, na técnica formal e produtiva (desenho de letra e ato de tatuar), como pela falta de recursos e instrumentos adequados à realização antes, durante e depois da execução das tatuagens.

Até 1974, em Portugal, estas marcações corporais, eram desenvolvidas de forma muito precária e rudimentar, sem quaisquer cuidados de segurança e higiene de saúde.

 

Notas

[1] - Rios, Pedro (2008, novembro).  Tatuagens: a vida no corpo.  JPN – Jornalismo Porto Net, Retirado de https://jpn.up.pt/2008/11/24/tatuagens-a-vida-no-corpo/ 

[2] – Cada sociedade, cada cultura cria os seus próprios padrões sobre o corpo humano. Para um melhor conhecimento da construção do corpo presente, é necessário contextualizar a história do corpo. Ainda, que de forma muito breve, na Grécia antiga, “o corpo perfeito”, a beleza de um corpo saudável, atlético e fértil. Na Idade Média, o corpo era encarado como “o corpo pecado e controlado”, a preocupação com o corpo era proibida, deveria ser purificado através da punição em atos públicos. Já no Renascimento, o corpo começa a ser visto como objeto de estudo, e portanto, “o corpo científico”, principalmente, muito marcado nas obras de arte de Leonardo Da Vinci, entre outros. Mais tarde, os Iluministas (século XVIII) voltam a colocar o corpo para um plano inferior. No entanto, com o surgimento da Revolução Industrial, o corpo passa a ser percebido como “máquina” –  “o corpo disciplinado”. Na consequência desta expansão capitalista, no século XIX gera-se “o corpo produtor”, o corpo humano é colocado ao serviço da economia e da produção. Com a chegada do século XX, as indústrias de beleza e saúde apropriam-se do corpo, como o seu potencial consumidor. Contudo, este “corpo-consumo” e “corpo-construído” estende-se a outras áreas, como é a marcação corporal por intermédio de injeção de tinta na pele humana – a tatuagem.

[3] - Silva, Isabel Cruz (2010). Entre Constragimento e Criatividade: Práticas de Consumo em Portugal Continental. Sociologia: Revista do Departamento de Sociologia da FLUP, Vol. XX, pp. 167-190.

[4] – Denominados «tatuadores» ou «marcadores» são raros os indivíduos que executam estas tatuagens com precisão e qualidade. Deve-se à ausência de formação e aptidão profissional, quer para o desenho e criatividade, quer para a técnica de tatuar “não abundam no meio prisional português os tatuadores perfeitos” (SILVA, 1926, p.228). Geralmente executada por um companheiro de cela ou a bordo, ou pelo próprio.

[5] - Marques, Manuela. Técnica Superior – Área de Biblioteca, do Departamento de Investigação, Formação & Documentação, da Delegação do Sul do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses (INMLCF) em Lisboa.

[6] - Peixoto, António Rocha (1866-1909). Naturalista, arqueólogo e etnógrafo português.  Natural da Póvoa do Varzim, formou-se na antiga Academia Politécnica do Porto.  

[7] - Silva, Rodolfo Xavier da (1877-1948). Natural de Lisboa, foi médico-diretor da 1ª Secção do Instituto de Criminologia de Lisboa. Assistente do Instituto de Medicina Legal de Lisboa.

[8] - Santos, Jorge Costa (1987). Tatuagem e Tatuados – Da identificação à identidade. Texto ampliado da conferência proferia no Seminário sobre Identificação Judiciária realizado de 4 a 6 de Março, na E. P. J., com o patrocínio científico da Sociedade Portuguesa de Medicina Legal.

[9] - Azevedo Cardal, Susana (2016). Marcas “Sobre-Viventes” em Outros Corpos – A tatuagem escrita na primeira metade do século XX em Portugal. Livro de Atas UD16, 5º Encontro de Doutoramentos em Design, UA Editora, Universidade de Aveiro.

[10] - Silva, Rodolfo Xavier da (1926). Crime e Prisões. Lisboa: Depositaria Livraria Moraes, p. 224.

[11] - Silva, Rodolfo Xavier da (1926). Crime e Prisões. Lisboa: Depositaria Livraria Moraes, p. 219.

[12] - Natural de Lisboa. Licenciado e Mestre em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa. Atualmente, Doutorando em História e Filosofia das Ciências na Universidade de Évora. Desenvolve tese sobre o tema: “Estudo para a génese de um Museu Nacional de Medicina”.

[13] - Branco, Carlos (2013). Tatuagem portuguesa em pele humana: estudo de uma coleção. Revista Anuário de Tattoo & Piercing, p. 25.

[14] - Azevedo Cardal, Susana (2012). Marcas es(ins)critas na pele dos portugueses - Tatuagem e Tipografia na Guerra do Ultramar (1961-1974). Livro de Atas UD12, 1º Encontro de Doutoramentos em Design. UA Editora, Universidade de Aveiro.

[15] – Após ter visto grande potencial na impressora autográfica ou pena elétrica inventada por Thomas Edison[22], examinou detalhadamente esta invenção e incentivado pela concepção de tatuagens mais elaboradas e concebidas de uma forma mais rápida, adicionou agulhas múltiplas e um reservatório de tinta, alterou o sistema de tubos e assim conseguiu com que esta movimentasse a agulha. Este instrumento era composto por cinco agulhas, mas também funcionava apenas com uma agulha.

[16] - Zwart, Piet (1885-1977) fotógrafo e designer gráfico holandês. Leccionou na Bauhaus e permitiu que o seu nome fosse utilizado como o nome de uma das mais prestigiadas Escolas de Design nos Países Baixos, Piet Zwart Institute.

[17] - TL: “Ser ou não ser eu mesmo”.

[18] - Barbosa, M. R., matos, P. M. & Costa, M. E. (2011). Um olhar sobre o corpo: o corpo ontem e hoje. Psicologia & Sociedade, 23(1), pp. 24-34.

[19] - Ferreira, Vítor Sérgio (2008). Marcas que demarcam: tatuagem, body piercing e culturas juvenis. 1ª ed., Lisboa: ICS, p.47.

[20] - Silva, Isabel Cruz (2010). Entre constrangimentos e criatividade. Sociologia: Revista do Departamento de Sociologia da FLUP. Vol. XX, pp. 167-190.

[21] - Nancy, Jean-Luc (2004). Cinquenta e oito indícios sobre o corpo. In M. L. Marcos e A. Cascais (Eds.), Corpo, Técnica, Subjetividades, n.º 33 (p. 17), Lisboa: Relógio d’Água Editores.

[22] - Edison, Thomas (1847-1931), inventor, cientista e empresário norte-americano. Um dos mais produtivos inventores que já existiu, autor da invenção da lâmpada eléctrica incandescente, do projetor de cinema e do fonógrafo, entre muitas outras invenções.

 

Acknowledgments

This paper was presented at 6th EIMAD – Meeting of Research in Music, Art and Design, and published exclusively at Convergences.

 

Referências bibliográficas

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Barbosa, M. R., matos, P. M. & Costa, M. E. (2011). Um olhar sobre o corpo: o corpo ontem e hoje. Psicologia & Sociedade, 23(1), pp. 24-34.

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Santos, Jorge Costa (1987). Tatuagem e Tatuados – Da identificação à identidade. Texto ampliado da conferência proferia no Seminário dobre Identificação Judiciária realizado de 4 a 6 de Março, na E. P. J., com o patrocínio científico da Sociedade Portuguesa de Medicina Legal.

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Reference According to APA Style, 5th edition:
Cardal, S. ; (2018) O «Corpo-Cons(umo)truído» no século XX em Portugal - A tatuagem como expressão gráfica em três fases distintas. Convergências - Revista de Investigação e Ensino das Artes , VOL XI (22) Retrieved from journal URL: http://convergencias.ipcb.pt