Contributos do Design para uma Estratégia de Inovação Sustentável: os Centros Tecnológicos no caso português

Design contributions for a Sustainable Innovation Strategy: the Technological Centers in the Portuguese case

Melo, M.

CIAUD - Centro de Investigação Arquitectura, Urbanismo e Design

Retirado de: http://convergencias.esart.ipcb.pt

RESUMO: Investigação que propõe a criação de um trinómio organizacional por combinar design, ciência e tecnologia, congregando os factores determinantes para a competitividade – a localização, a inovação tecnológica, o modelo organizacional e a criatividade - num ambiente que favorece, intensifica e conjuga as relações entre a indústria transformadora com as universidades nacionais, para que se obtenha a aplicação do conhecimento a produtos e/ou processos. Acentuando assim a importância de uma cultura de inovação através da contribuição da disciplina do design nos Centros Tecnológicos, cuja proximidade sectorial à indústria e simultaneamente às universidades tenha como consequência, a criação de valor pelo fabrico de bens com um adequado grau de inovação acessível a todos os sectores e dimensões da indústria transformadora nacional. Contribui para o crescimento económico que advém da actividade criativa, reforçando a necessidade da passagem da aplicação do design para um nível mais elevado, o do design de nível estratégico.

 

PALAVRAS-CHAVE: Estratégia de Inovação Sustentável; Centros Tecnológicos; Portugal.
 

ABSTRACT: It is the creation of an organizational triangle which combines design, science and technology, bringing together the decisive factors for competitiveness - the location, technological innovation, the organizational model and creativity -- in an environment that encourages, intensifies and combines the connections between the industry sector with the Portuguese Universities in order to obtain the application of knowledge to products and / or processes.
Emphasize the importance of an innovation culture through the contribution of the Design approach in the Portuguese Technological Centers, whose proximity to the manufacturing sector and simultaneously to the Universities may have as consequence the creation of value for the manufacture of goods with an appropriate innovation degree, accessible to all sectors and sizes of the Portuguese manufacturing sector. It contributes to the economical growth that occurs from the creative activity, reinforcing the need of the passage of the design for a higher level application, the one of the design at a strategic level.

 

KEYWORDS: Sustainable Innovation Strategy; Technology Centers; Portugal.

1. Introdução

Acentuamos a importância de uma cultura de inovação através da contribuição da disciplina do design nos Centros Tecnológicos, cuja proximidade sectorial à indústria e, simultaneamente, às universidades possa ter como consequência, a criação de valor pelo fabrico de bens com um adequado grau de inovação acessível a todos os sectores e dimensões da indústria transformadora portuguesa, contribuindo para o crescimento económico que advém da actividade criativa, reforçando a necessidade da passagem da aplicação do design para um nível mais elevado, a do design de nível estratégico.
A sustentabilidade económica de Portugal, por via do aumento da competitividade da indústria transformadora nacional, depende do incremento da exportação de produtos com maior valor acrescentado. Por sua vez, para que os bens nacionais subam na cadeia de valor, há que impulsionar o seu grau de inovação, a inscrever-se no domínio da inovação radical, através do fabrico de produtos mais avançados e inovadores. Para tal, é necessário fomentar nos gestores da indústria transformadora portuguesa, independentemente da dimensão das suas empresas, a apetência para a valorização do desempenho dos recursos criativos, tendo como cenário de futuro a capacidade de prospectiva económica. Assim, a utilização do design a nível operacional deverá ser complementada com a utilização do design a um nível mais elevado de desempenho, o do design estratégico, o que determina a adopção de um novo modelo organizacional que integre designers numa das infra-estruturas tecnológicas do sistema nacional de inovação, na qual se enquadram os Centros Tecnológicos, para a criação de um ambiente propício ao desenrolar de boas práticas para inovação.
Como consequência da aplicação da gestão de design como recurso estratégico, adequadamente sedeada nesta infra-estrutura nacional, poderão existir oportunidades de aproveitamento da inovação gerada pelas universidades transformando a oportunidade inovadora em vantagem competitiva, onde os Centros Tecnológicos desempenharão o papel de coordenação entre a indústria transformadora nacional e aquele recurso, para que se obtenha como resultado a sua aplicação a produtos e/ou processos. Através desta interacção almeja-se a criação de produtos patenteados, fabricados por um tecido industrial renovado e reconhecido, apto a estabelecer regras diferenciadoras, e por tal, possa ambicionar novos ou redefinir mercados, impondo-se com a medida adequada entre qualidade e valor, incluindo a valorização da propriedade intelectual.

 

2. O Percurso que conduziu ao tema

Durante as duas décadas em que praticamos em Portugal a actividade de design na indústria nacional, tal como Adriano (2000) [1] refere, temos sentido os efeitos da ausência de uma cultura de inovação, que impede as empresas de identificar e desenvolver capacidades diferenciadoras para encontrar oportunidades de gerar valor e por essa via, a sua tradução em vantagens competitivas. Por consequência da actividade criativa não ser reconhecida como um activo estratégico chave, a probabilidade de a transformar em inovação tem sido cada vez menor, inferiormente remunerada, pouco duradoura, dispensável e a satisfação retirada reduzida, independentemente do empenho pessoal nela investido.
Para poder participar na inversão deste estado de coisas e agir na construção de um futuro para o qual é determinante que o país acentue a importância atribuída à cultura de inovação através da contribuição da disciplina do design, que aplicada a um nível estratégico, tenha como consequência, de acordo com Mateus (2005) [2], a criação de valor pelo fabrico de bens com o grau de inovação adequado à necessidade de inovação da indústria transformadora portuguesa. Através desta questão, encontramos um tema de investigação que simultaneamente conduz à satisfação própria do envolvimento na criação de novas ideias e que agrega as preocupações anteriormente constatadas, na ambição de encontrar as respectivas soluções operativas para além de abrir novas perspectivas profissionais.
Destacamos algumas das preocupações que reforçaram e testaram a adequação do percurso cognitivo que conduziu à descoberta do tema da presente investigação, referindo a que se refere à tomada da consciência ecológica, cujo apelo à necessidade de reduzir os impactos nefastos que a actividade de design industrial produz no ambiente, poder assim ser reequilibrada pela percepção que o benefício que advém do acréscimo de valor, em termos latos, possibilita que os recursos consumidos na produção de bens sejam inferiores aos proveitos que daí decorrem. A relação causal entre inovação e criação de valor conduzirá assim, no contexto português, à progressão no percurso do bem-estar, à qualidade e melhoria das condições de vida sustentada, ao longo do tempo.
Outra ponderação consistiu na atenção dedicada àquilo que, em Cagan (2002) [3], é designado por etnografia dos novos produtos, que com uma abordagem centrada no utilizador, permita uma experiência sensorial completa, de maneira a que este reconheça ambas como valoráveis, notáveis e desejáveis, de maneira a alcançarem e responderem às necessidades, caprichos e desejos dos consumidores, que reforça a perspectiva da produção de bens com alto valor percepcionado. Valor que interessa saber captar pela adequação do design às possibilidades que as novas tecnologias oferecem, combinadas com os aspectos da cultura visual contemporânea, para que se projecte no fabrico de produtos úteis, funcionais e desejáveis pelos mercados, e que, por incorporar os actuais valores do consumidor, antevejam contextos futuros de forma plausível.
Seguindo a lógica de criar condições para que a sociedade portuguesa efectue as mudanças organizacionais que contemplem a necessidade de adopção de o modelo de gestão de design proposto por Nevado (2008) [4], colocou-se então o problema de identificar e localizar qual o tipo de organização mais adequado, que conduza ao desenvolvimento dos tais bens com maior valor percepcionado, e que fique acessível a todos os sectores e dimensões da indústria transformadora nacional.
Identificamos a relação da inovação, existente entre os sectores públicos e privados, entre as instituições do sistema nacional de inovação com a indústria transformadora, que, conforme Porter (2007) [5], constituem a infra-estrutura de inovação comum, para determinar a localização ideal, com potencial para operar a almejada mudança. Essa identificação foi obtida através de investigação literária inicial que conduziu o estudo preliminar, em que especulamos serem os Centros Tecnológicos as infra-estruturas do ambiente exterior de inovação, o tipo de organização que mais se adequa, pela maior proximidade sectorial à indústria e simultaneamente às universidades, e assim promover a ligação aos clusters que interessem desenvolver no país. Assim, a partir da aplicação da gestão de design como recurso estratégico, adequadamente sedeada nesta infra-estrutura nacional, poderão existir oportunidades de aproveitamento da inovação gerada pelas universidades transformando a oportunidade inovadora em vantagem competitiva.

 

3. Discussão

De acordo com Ilharco (2004) [6], no actual mundo globalizado, os designers, tal como os artistas e os investigadores, deverão actuar como antenas da sociedade, captando ideias e os primeiros sinais de mudança, traçando novos territórios, convidando ao risco, sendo simultaneamente inspirados e inspiradores de outros artistas. Por suas vozes serem periféricas e marginais, arautos das coisas que virão, é neles que reside a responsabilidade de atingirem a sensibilidade da sociedade.
Por seu lado, em economia, como defende Silva (2002) [7], a preparação para o futuro significa a tomada de atitudes para a atempada mudança das organizações, traduzindo-se por acréscimo de produtividade, ao se produzir ou se acrescentar valor. A inovação destina-se a fazer algo melhor. O ciclo de sucessão de muitas inovações faz crescer a economia.
Segundo Baptista (1999) [8], o actual contexto económico e social caracteriza-se também pela globalização da competitividade. A promoção de uma cultura empreendedora e da capacidade de inovar das empresas funcionam, neste contexto, como catalisadores de mudança, de competitividade e prosperidade económica, em que os designers têm um papel determinante a desempenhar, dependendo das oportunidades que vierem a ser criadas para que estes actuem como agentes de mudança, com capacidade de acelerar a criação, a disseminação e a aplicação de ideias inovadoras. Assim, como afirmou Skelton (1999) [9], é importante que a abordagem do design extravase a acção a que está geralmente confinada, para agir como uma arma estratégica de competitividade, se expanda como oportunidade de maior colaboração internacional, através do estabelecimento de parcerias inovadoras globais. Identificando causas e apontando novos caminhos para a construção do futuro, é imperioso motivar o desenvolvimento consciente da capacidade de percepção do designer face a acontecimentos da vida humana, através da criação de bons produtos, adequados às necessidades da sociedade contemporânea, levando em consideração a sua dinâmica actual.

 

4. Os Centros Tecnológicos em Portugal

Passamos a caracterizar brevemente a tipologia dos Centros Tecnológicos (CTs), segundo as suas vertentes de infra-estruturas físicas, de património intangível e de densidade das suas ligações com os restantes actores do quadro de inovação, como intervenientes instrumentais por produzirem e/ou difundirem conhecimento.
Segundo o Documento de Trabalho nº 2 da Unidade de Coordenação do Plano Tecnológico [10], “Os Actores do Quadro de Inovação”, os Centros Tecnológicos são as infra-estruturas tecnológicas nacionais com um papel mais imediatamente reconhecido, de interface entre as indústrias, as empresas e as políticas públicas de transferência de conhecimento.
De acordo com a informação disponibilizada no relatório do Ministério da Economia e da Inovação, “As infra-estruturas tecnológicas no Sistema Nacional de inovação: evolução 1996-2005”, os CTs constituem um dos três tipos de infra-estruturas Tecnológicas de interface do Sistema Tecnológico Nacional. Os restantes dois são os Centos de Transferência de Tecnologia e os Institutos de Novas Tecnologias, actores do Sistema Científico e Tecnológico Nacional (SCTN), dos quais aqui não nos ocuparemos.
Os CTs destacam-se como a infra-estrutura com a qual as empresas realizam actividades de I&D. Os CTs inserem-se no conceito de infra-estrutura tecnológica que, por se configurarem como entidades prestadoras de serviços sem fins lucrativos, em actividades de apoio às empresas, sob a forma de testes, ensaios, assistência técnica e tecnológica, consultadoria, formação, investigação, desenvolvimento aplicado e demonstração, contam com o apoio financeiro do Ministério da Economia e Inovação:

  • Por desenvolverem actividades orientadas para a indústria, preenchendo uma falha de oferta por parte das empresas;
  • Por desenvolverem actividades essencialmente baseadas em recursos humanos próprios, com conhecimentos técnicos e científicos;
  • Por disporem de um património imobilizado de bens de equipamento de alta intensidade tecnológica imprescindível às actividades de I&DT, cuja eficaz rentabilidade, possui um elevado risco inerente.

 

5. Inovação

Segundo Porter (1998) [11], a capacidade de produção inovadora dos países depende da infra-estrutura de inovação comum conforme o quadro adaptado seguinte:

 

Quadro I – Capacidade de Produção Inovadora em Portugal adaptada do original, The Competitive Advantage of Nations (Michael Porter), à capacidade da infra-estruturas de inovação nacionais.

 

5.1.  Alcances da Inovação

A expressão “inovação radical” agrega os valores epistemológicos do termo radical que deriva da palavra Latina, radix, que significa “raiz”, com o da palavra inovar, do latim, com o sentido de tornar novo, de renovar, pelo que inovação se traduz pelo acto de inovar. Assim, inovação radical representa o acto de inovar pela raiz, o que implica uma ruptura com o anterior estabelecido. Os novos produtos e/ou processos aos quais se atribui o grau de inovação radical, não devem por isto ser entendidos como uma evolução natural dos já existentes.
Através da inovação incremental, para Stamm (2003) [12], são introduzidas pequenas mudanças ou adaptações a produtos ou processos, estes sim, anteriormente existentes, com o objectivo de melhorar sucessivamente a prestação de funcionalidades dos mesmos, pelo que, de uma forma acumulativa, também podem constituir uma base importante de progresso, quando se traduz por significativos melhoramentos performativos.
Para Dantas (2007) [13], é frequente atribuir a existência do grau de inovação radical a empresas tecnologicamente evoluídas, pelo que este ocorre com uma periociade excepcional e está geralmente apenas associado aos processos, o que se resume na aquisição de novos e modernos equipamentos.
Somos de opinião de que este grau de inovação incremental pode transportar a ilusão de haver actividade, constituindo-se em meras iniciativas de acompanhamento de tendências temáticas da procura, não se tratando de uma genuína dinâmica própria do ciclo inovação, mas apenas de melhoramentos pouco significativos, cujo objectivo de surpreender sazonalmente o mercado pela via de atibutos da superfície dos bens produzidos se traduz por uma vantagem competitiva temporária. Opinião corrobada por uma das conclusões do SOTIP no qual se afirma ser possível detectar na indústria portuguesa uma certa tentação em confundir actividades de I&D com outras actividades mais ligadas à rotina dos gabinetes de projecto/design.
Independentemente da dimensão das empresas, o que importará valorizar é a designada inovação radical a nível do produto que, por ocorrer excepcionalmente, necessita contudo ser equilibrada pelo efeito cumulativo do ciclo de inovação incremental que em permanência resulta em melhoramentos passíveis de serem valorizados pelo mercado.
Para melhor ilustar a que nos referimos, apresentamos o seguinte quadro:

 

Quadro II – As diferenças entre os graus de inovação.

 

Silva (2007) [14] identifica como principais barreiras à inovação na indústria transformadora nacional, e por ordem decrescente de atribuição de importância em abordagem por questionário aos empresários, os elevados custos da inovação, a dificuldade em aceder a fontes de financiamento, a falta de qualificação dos recursos humanos e a resposta negativa por parte dos clientes à introdução de novos produtos. No entanto, segundo Dantas (2001), verifica-se o bloqueio à inovação quando a formação do gestor é débil: não faz sentido criticar a falta de apoios para justificar a inércia.
Por tudo isto, é importante que a necessidade de competir através do factor inovação se torne suficientemente forte para induzir a indústria transformadora nacional a desenhar novas estratégias que efectivem, através do fabrico de produtos com um grau de inovação radical, uma nova forma de fazer negócios.

 

6. Métodos

A presente investigação decorre há menos de um ano e encontra-se sob financiamento da Fundação para a Ciência e da Tecnologia (FCT), através de bolsa individual de doutoramento com a referência SFRH/BD/45464/2008, desde o primeiro dia do corrente ano, ao que lhe corresponde uma recente dedicação exclusiva.
Para a estratégia de concretização deste estudo empírico, em que se pretende analisar as oito infra-estruturas do sistema nacional constituídas pelos Centros Tecnológicos e a maneira como se relacionam com o meio externo envolvente específico da indústria transformadora e das universidades, será utilizada a metodologia mista. Sendo as unidades em análise os projectos de inovação e desenvolvimento desenvolvidos entre estas instituições, serão seleccionados um número de estudos de caso de acordo com os critérios a serem futuramente estabelecidos.
Para o estudo de casos, haverá uma fase exploratória com base em contactos pessoais e em contactos das instituições de enquadramento que se demonstrem interessadas e se envolvam na investigação. Posteriormente, serão seleccionados os projectos a investigar e as respectivas instituições sede, com as quais será estabelecido o protocolo e a base de procedimentos da investigação. Assim, os contactos a considerar poderão ser os directores dos Centros Tecnológicos, a administração das empresas e nas universidades, os investigadores responsáveis pelo desenvolvimento dos projectos.
Os métodos e as fontes desta pesquisa serão suportados pela observação directa, por inquérito através de questionário e através de entrevistas aos casos de estudo e pela análise documental.
Tendo como questão de partida - “Poderá a actividade do design ao nível estratégico satisfazer a necessidade de inovação da indústria transformadora nacional?”- este tema de investigação para tese de doutoramento em design almeja poder alcançar valor conceptual, valor instrumental e tornar-se um contributo original para o conhecimento, através da análise e descrição da problemática exposta e da sistematização qualitativa de informação que permita atingir a resposta a interrogação exposta.
Para a construção de ferramentas de análise e obtenção de dados, quer de variáveis do perfil do profissional de design, quer de variáveis da indústria transformadora, e ainda de variáveis dos Centros Tecnológicos, que facilitem a adequação entre todos e que possam vir a ser consideradas nos objectivos considerados, será necessário obter a resposta às seguintes questões:

  • Identificar oportunidades e limitações, estruturais ou circunstanciais do modo como os vários actores operam, para a introdução do design;
  • Qual a origem dos start-up no desenvolvimento de projectos de inovação;
  • Quais os actores envolvidos no processo de desenvolvimento de projectos de inovação;
  • Quem procede à gestão do desenvolvimento de projectos de inovação;
  • Qual a consequência dos projectos de inovação;
  • Questionar as práticas dos Centros Tecnológicos;
  • Como se relacionam com o meio exterior?
  • Que impacto têm na estrutura e estratégia das indústrias?
  • Esse impacto poderá ser ampliado?
  • Que características possuem os Centros Tecnológicos de outros países, nomeadamente em Espanha?
  • Quais as diferenças entre Centros Tecnológicos portugueses?
  • Equacionar os procedimentos de comunicação e de articulação entre a actividade dos Centros Tecnológicos com a dos designers;
  • Questionar os procedimentos de comunicação e de articulação entre esta actividade industrial com a do designer e com as universidades;

 

7. Conclusões

Este novo paradigma organizacional, ao integrar o design como recurso estratégico nos Centros Tecnológicos Portugueses para que a indústria transformadora possa satisfazer a sua necessidade de inovação, através da criação de um trinómio organizacional que combina o design, com a ciência e com a tecnologia, o que congrega os quatro factores determinantes para a competitividade – a localização, a inovação tecnológica, o modelo organizacional e a criatividade -, favorece um ambiente para a intensificação e conjugação das relações entre a indústria transformadora com as universidades nacionais, para que, desta rede de participação, se obtenha a aplicação do conhecimento assim gerado a soluções com melhor desempenho, a produtos e/ou processos.
Porque o sucesso de uma ideia, a probabilidade de ocorrência de uma sugestão e o desenvolvimento de novos produtos, dependem do grau de convicção do emissor, mas igualmente do interlocutor, do espaço e do tempo onde ela ocorre, esta questão de investigação é inovadora por clarificar e reforçar o estatuto profissional do designer na indústria transformadora portuguesa por um lado, e por outro, identificar a localização ideal para se opere a almejada mudança, de maneira a que o sistema nacional de inovação possa beneficiar do potencial dos vários actores que já o constituem, assim como dos que, tal como os designers, no futuro próximo se justifique integrar.
É inovador atribuir ao designer um papel de agente de mudança, alargando as fronteiras do design à da liderança e de coordenação de projectos estratégicos para a indústria transformadora, envolvendo equipas de investigação, quer dos Centros Tecnológicos, quer das Universidades, bem como as da própria indústria, com o objectivo comum de criar novas oportunidades para que Portugal possa fazer face aos desafios económicos e sociais com que se confronta, por via da aceleração do ritmo a que a inovação acontece, assim como o tipo e as qualidades da mesma.
Naturalmente, o potencial do modelo organizacional proposto deverá ser avaliado levando em consideração as limitações do presente artigo, que corresponde a uma fase inicial da investigação, que necessita ser consolidada.

 

Notas e Referências bibliográficas

[1] ADRIANO, Freire – Inovação: novos produtos, serviços e negócios para Portugal. Lisboa: Editorial Verbo, 2000. ISBN 9722220160.

[2] MATEUS, Américo da Conceição - Interacções entre Marketing e Design para uma Orientação Estratégica de Inovação Radical: comparações entre empresas de sectores emergentes e tradicionais na indústria portuguesa. Évora: [s.n.], 2005. Tese apresentada à Universidade de Évora para Mestrado em Gestão de Empresas, Departamento de Gestão de Empresas.

[3] CAGAN, Jonathan; VOGEL, Craig M. - Creating Breakthrough Products: Innovation from Product Planning to Program Approval. New Jersey: FT Press, 2002.

[4] NEVADO, Pedro; BARATA, José M.; ALMENDRA, Rita; ROMÃO, Luis - The Igloo Model: a Challenge to Management and a Contribution of Design to Business Competitiveness. In: Joint Conference of the 15th Annual International Conference on Advances in Management & 1st Annual International Conference on Social Intelligence, 16 a 19 Jul. 2008. Boston: 2008.

[5] PORTER, Michael E. - Estratégia e Vantagem Competitiva. Líderes da Gestão. Lisboa: Público, 2007.

[6] ILHARCO, Fernando - A Questão Tecnológica: Ensaio sobre a Sociedade Tecnológica Contemporânea. 1.º ed. Lisboa: Principia, 2004.ISBN 9789728818203.

[7] SILVA, José Luís de A. - A e-empresa e o Trabalhador Inteligente nas Indústrias Tradicionais. Lisboa: ISEG-UTL, 2002.

[8] BAPTISTA, Paulo - Inovação nos Produtos, Processos e Organizações. Manuais sobre Inovação e Internacionalização. Lisboa: Principia, 1999. [Acedido a 19 de Maio de 2008]. Disponível na Internet:
http://www.spi.pt/documents/books/inovint/ippo/cap_apresentacao.htm .

[9] SKELTON, Michael - O Mito do Mercado Global. In: Conferência Internacional Boas Práticas para Competências Chave na Indústria Cerâmica, Caldas da Rainha, 22 a 23 1999. Caldas da Rainha: CENCAL, 1999.p.44.

[10] PLANO TECNOLÓGICO, PORTUGAL A INOVAR. Presidência Portuguesa da União Europeia - Prioridades Empresariais, Dezembro 2007. [Acedido a 19 de Maio de 2008]. Disponível na Internet:
http://www.eu2007.pt/UE/vPT/ .
http://www.planotecnologico.pt/

[11] PORTER, Michael E. - Competitive Advantage of Nations. New York: Free Press, 1998. 

[12] STAMM, Bettina von - Managing Innovation, Design & Creativity. New Jersey: Wiley, 2003. ISBN
0470868198.

[13] DANTAS, José - Gestão da Inovação. Lisboa: Vida Económica, 2001. ISBN 9789727880515.

[14] SILVA, M.; LEITÃO, J.; RAPOSO, M. - Barriers to Innovation faced by Manufacturing Firms in Portugal: How to overcome it? In: Conferência, Munique, MPRA- Munich Personal RepEc Archive. [S.l.]: [s.n.]. [Acedido a 23 de Outubro de 2007]. Disponível na Internet:
http://mpra.ub.uni-muenchen.de/5408/1/MPRA_paper_5408.pdf

Reference According to APA Style, 5th edition:
Melo, M. ; (2009) Contributos do Design para uma Estratégia de Inovação Sustentável: os Centros Tecnológicos no caso português. Convergências - Revista de Investigação e Ensino das Artes , VOL II (3) Retrieved from journal URL: http://convergencias.ipcb.pt