O mestre Boytac e as correspondências com o foco Toledano [1]

The Master Boytac and the correspondences with the focus Toledano [1]

Silva, R.

IPCB/ESART - Escola Superior de Artes Aplicadas do Instituto Politécnico de Castelo Branco

Retirado de: http://convergencias.esart.ipcb.pt

RESUMO: Um dos principais impulsionadores da arquitectura do início do século XVI é, sem sombra de dúvidas, Diogo Boytac. A acção construtiva deste mestre foi altamente valorizada por Reynaldo Santos [2], ao atribuir-lhe algumas obras que mais tarde se comprovavam, através das mais diversas investigações, não ser da sua lavra. Apesar da “(re)catalogação”, não podemos deixar de ressalvar a importância que Diogo Boytac adquire no panorama construtivo nacional na centúria de quinhentos, trazendo outra visão formal e dotando a nossa arquitectura de formulários construtivos que se aproximam às realizadas além fronteiras. É nesse pressuposto que pretendemos aludir aos modelos de conhecimento que constituíram a formação do mestre.

 

PALAVRAS-CHAVE: Diogo Boytac; Arquitectura; Século XVI; Modelos de conhecimento.

 

ABSTRACT: One of the main drivers of early 16th century architecture is, without doubt, Diogo Boytac. The constructive action of this master was highly valued by Reynaldo Santos [2], when assigning him some works that later proved, through the most diverse investigations, not to be his work. In spite of "(re) cataloging", we must not forget the importance that Diogo Boytac acquired in the national construction panorama in the five hundredth century, bringing another formal vision and providing our architecture with constructive forms that approximate those carried out beyond borders. It is in this assumption that we intend to allude to the models of knowledge that constituted the formation of the master.

 

KEYWORDS: Diogo Boytac; Architecture; Century XVI; Models of knowledge.

Um dos principais impulsionadores da arquitectura do início do século XVI é, sem sombra de dúvidas, Diogo Boytac. A acção construtiva deste mestre foi altamente valorizada por Reynaldo Santos [2], ao atribuir-lhe algumas obras que mais tarde se comprovavam, através das mais diversas investigações, não ser da sua lavra. Apesar da “(re)catalogação”, não podemos deixar de ressalvar a importância que Diogo Boytac adquire no panorama construtivo nacional na centúria de quinhentos, trazendo outra visão formal e dotando a nossa arquitectura de formulários construtivos que se aproximam às realizadas além fronteiras. É nesse pressuposto que pretendemos aludir aos modelos de conhecimento que constituíram a formação do mestre.
Uma das questões debatidas na historiografia, tal como aconteceu com o mestre Huguet, é a possível origem do mestre Boytac [3] (c.1460? – 1528). Foram várias as hipóteses levadas à estampa e, para acompanhar a porfia da nacionalidade do dito mestre, surge, na diversa documentação, uma série de grafismos diferentes [4] que levam à teorização do local de origem do referido mestre. Porém, as crónicas que aludem ao Convento de Jesus de Setúbal, principalmente a que é escrita pela mão da clarissa Soror Leonor São João – fonte primária e que serve de base para as restantes crónicas –, dão a indicação de que o mestre era uindo das Italias às obras del Rey Dom João II, pella fama e engenho [5]. Não é nosso intuito entrar no debate sobre a origem de Boytac, pois esta pode ter um sentido lato, como assinalou devidamente José Custódio Vieira da Silva [6] em trabalho dedicado ao Convento de Jesus de Setúbal. No entanto, não podemos deixar de apontar um dado que pode trazer à tona novamente esta polémica. No livro de síntese que Vítor Serrão dedica ao Renascimento, é apontado – embora através de uma hipótese avançada por Jean-Louis Biget [7] – que Boytac terá trabalhado em Albi, no célebre e monumental baldaquino da entrada da catedral [8] de Saint Cécile, obra que data de 1485 e é realizada pela encomenda de Louis I d’Amboise. Atendendo à informação anterior, podemos apontar duas possibilidades: ou se trata de um caso de homonímia, como acontece frequentemente com de Juan Castillo, ou então trata-se do nosso mestre Boytac e, se assim for, encontra-se a possibilidade de uma formação, ou pelo menos parte dela, na zona do Midi.
A par da informação anterior, são diversos os autores que ressalvam a hipótese de este mestre ter integrado o estaleiro batalhino, juntando-se assim ao prestigiado mestre Mateus Fernandes I, que era um dos mais notáveis (obra do Panteão de D. Duarte) e, devido a tal, ganhou o privilégio raro de ser sepultado, em 1515, dentro da igreja monacal. É através deste enlace que se cria o nosso ponto de partida para atestar o foco toledano do nosso tardo-gótico boitaquiano.
A igreja da Nossa Senhora do Pópulo, que se baliza entre 1485-1500, é obra erguida a mando da Rainha D. Leonor pelo mestre Mateus Fernandes I, segundo se crê. Foi, de certeza, acabada por Mateus Fernandes II, filho daquele. A igreja apresenta, no plano arquitectónico, uma capela-mor [9] (fig. 1) com um abobadamento bastante curioso e sem repercussão no restante cenário arquitectónico. A abóbada é constituída por uma chave central de onde partem oito nervuras, que se subdividirem em terceletes ondulantes e que, por sua vez, irão repousar em mísulas. É nesta torsão que reside a curiosidade da obra. O tipo de nervuras que aqui se utiliza apresenta uma secção bastante cuidada, constituído por molduras lisas e côncavas, tendo ao centro um toro bastante cuidado [10].

 

Fig. 1 – Caldas da Rainha. Igreja de Nossa Senhora do Pópulo. Capela-Mor

 


Desconhecendo-se os contornos da obra, e não tendo uma linha condutora para este mestre, podemos de antemão vinculá-lo ao estaleiro batalhino. No entanto, podemos também aproximar a obra portuguesa da Igreja da Nossa Senhora do Pópulo, isto numa toada formalistica, à obra que o bretão Juan Guas [11] (m.1495) realiza no claustro do Mosteiro de Paular em Segóvia [12], datada de 1484-86.
A figura que anteriormente referimos, Juan Guas, reproduz esquemas arquitectónicos de origem francesa e flamenga no foco toledano, destacando-se como uma das figuras principais do “hispano-flamengo” Toledano [13]. Para este aspecto, muito contribui o rumar de mestres do norte da Europa para a cidade de Toledo, durante o episcopado de Don Juan de Cerezuela (1434-1442) [14]. A par do pai de Juan Guas, também está documentada a presença de artistas flamengos como: Hanequin Coeman de Bruxelas e Egas Coeman (irá trabalhar no Mosteiro de Guadalupe em 1467) e é pai de Antón e Enrique Egas, Antón Martinez de Bruxelas, etc.
Perante este cenário, atesta-se que Juan Guas chega muito jovem a Toledo e em 1453 é documentado, pela primeira vez, já como oficial em Toledo e sob as ordens de Hanequin Coeman, que lhe transmite os conhecimentos e uma vertente nórdica ao trabalho que irá desenvolver. É de salientar ainda que em 1448, seu pai Pedro de Guas, originário da Bretanha, também laborou em Toledo e em especial na Catedral desta Cidade. 
Se Mateus Fernandes I revela uma semelhança arquitectónica com a obra de Paular, Boytac segue de perto os esquemas formais toledanos em relação aos abobadamentos. Ou seja, o foco de Toledo transforma-se, assim, numa via de introdução para o nosso tardo-gótico na vertente boitaquiana.
Essa maneira de introdução de formas já foi abordada por José Custódio que delineia historicamente um percurso que liga Barcelona a Lisboa, e vice-versa, passando por cidades como: Valência, Toledo e Évora [15]. Mas, a importância deste caminho extravasa a índole comercial. No calcorrear dos tempos por este caminho, salientam-se dois casos, a viagem de D. Manuel I às Cortes de Castela e Aragão e as Romarias a Guadalupe. 
O Santuário de Guadalupe – Mosteiro da Ordem de São Jerónimo, após 1389 [16] – situa-se na Estremadura espanhola, a meio caminho de Toledo. A este local de peregrinação, desloca-se um avultado número de peregrinos, durante os séculos XV e XVII.  Destacam-se as presenças neste santuário, juntamente com as suas comitivas: o Rei D. Afonso V, anos 1458, 1463 e 1464; o Rei D. Manuel I, em 1498, onde inclusive passou a Páscoa e depois ruma a Toledo e o Rei D. João III, em 1528; [17]. É de salientar os privilégios de vária ordem que os monarcas e nobres fazem a este santuário e a outros santuários [18].  
Além destes nomes, há um sem número de peregrinos que rumam a este santuário hieronimita. Um itinerário contempla as seguintes localidades: Lisboa, Aldeia Galega, Montemor-o-Novo, Évora, Estremoz, Elvas, Talaveruela, Mérida e Guadalupe e um outro ligava, Seia, Castelo Branco, Coria, Placencia e finalmente Guadalupe.       
Foi pelo caminho Lisboa, Évora, Toledo que, a 29 de Março de 1498, D. Manuel I e D. Isabel (filha de Isabel de Castela e Fernando de Aragão), encetaram uma viagem a Castela e Aragão [19]. Esta jornada tinha como intuito o juramento dos monarcas nacionais e herdeiros da Coroa Espanhola, após a morte do príncipe D. João, no ano 1497 [20], pois os actos cerimoniosos deveriam ter lugar nas cortes de Toledo e Zaragoza.
A viagem [21] tem o seu começo em Março 1498 e o itinerário iniciado em Lisboa passa Évora, Estremoz, Elvas, Badajoz, Merida, Guadalupe – onde o rei celebrou a Páscoa – e Toledo. Nesta cidade, mais concretamente na Catedral de Toledo, dá-se o primeiro dos juramentos; o segundo deveria ter lugar na cidade de Zaragoza, mas nunca chegaram a ser jurados herdeiros do trono de Aragão. Após nascimento do filho D. Miguel, embora custando a vida de D. Isabel, D. Manuel retorna a Portugal. A viagem agora toma outro caminho: opta-se por sair de Zaragoza rumo Aranda del Douro, Medina del Campo, Alba de Tormes, Ciudad Rodrigo, Almeida, Coimbra, Almeirim, Lisboa, onde chega a 9 de Outubro.                
Esta via terrestre, documentada com datas bem extremas, desempenha um papel importante na ligação de vários pontos Peninsulares. Ela permitiu uma comutação de conhecimentos entre as duas partes, bem como a circulação de indivíduos e ideias. Anteriormente, no decorrer do corpo texto, fez-se menção que Ega Coeman (originário de Bruxelas) trabalharia no Mosteiro de Guadalupe. Esta intervenção data de 1467 e tinha por finalidade a realização de um sepulcro (Capela de Santa Ana) e destinava-se a Dom Alonso de Velasco (presidente do Concelho de Castela) e sua mulher Dona Isabel de Cuadros.
O decorrer do século XV mostra como este templo hieronimita se transforma num dos mais importantes mosteiros atingindo un prestigio como ningún outro monasterio ténia en España[22]. É nessa época que se regista a execução de uma abóbada traçada por Egas Coeman [23], que segue um figurino flamengo, ou seja predomínio dos perfis triangulares.
As obras deste Mosteiro de Guadalupe e da cidade de Toledo, em especial a sua Catedral, em pleno século XV, revelam-se pólos difusores de formas arquitectónicas. A mão-de-obra estrangeira, em especial da zona flamenga, que aí aflui, vai aplicar a sua própria linguagem mesclando-se aos poucos com a linguagem arquitectónica autóctone (toledana).
Pode ter sido esta uma das vias responsáveis pela inovação e introdução de uma nova linguagem arquitectónica. A par do estaleiro da Batalha, também o Alentejo, como salienta José Custódio, desempenha um papel fundamental no tardo-gótico Português. Perante este cenário pode visualizar-se como seria fácil a transmissão de formas e deslocamento de mão-de-obra.      
No estudo dedicado ao tardo-gótico, José Custódio afirma que a Igreja da Conceição de Beja (1459-1473) é um edifício de encruzilhada na introdução do tardo-gótico no Alentejo[24]. No entanto, importa salientar que a abóbada que se situa na capela-mor encontra-se recoberta pela arte da talha dourada, desde o ano de 1696, o que a que torna imperceptível desde essa data. Contudo, José Custódio é de opinião que esta abóbada se aproxima, pelo seu labor artístico (mas não indicando se segue o mesmo modelo) da cobertura da capela-mor da Igreja de São Francisco de Évora (abóbada com estrutura longitudinal de nervuras triangulares). 
A capela-mor franciscana é datável provavelmente da década de 90 de quatrocentos, o que coincide com a presença na cidade do espanhol Afonso Pallo, mestre de pedraria da cidade de Évora, que possivelmente estava à frente das obras de São Francisco, o que reforça a hipótese da importação de um modelo de abóbada vinculada à orbita toledana.
Além do edifício apontado, destacam-se ainda outros edifícios que utilizam este mesmo modelo de cobertura, como a galilé e primeiro tramo da nave do convento dos Lóios de Évora (c.1491), a nave do Mosteiro de São Bento de Castris (c.1520), a Capela do Esporão da Sé de Évora (c.1530) e a Igreja de São João Baptista de Moura (c.1510). Deste conjunto de edifícios, resulta um modelo de abobadamento de características toledanas.
A par desta rota que mencionamos, temos que salientar e destacar o estaleiro da Batalha. Este estaleiro, durante todo o século XV, acolhe uma série de artífices estrangeiros, nomeadamente do norte da Europa e da nossa vizinha Espanha. De entre vários, destacam-se: Luís Alemão [mte] (1438); João de Flandres (1443), João de Aragão (1457;1476); Alvaro Eillan (1459;1462); João Rodrigues Alemão (1471); Diogo del Castillo (1477); Tornilhes de Lião (1508) [25].
Foi esta concomitância entre artífices estrangeiros e portugueses que transformou o estaleiro batalhino num verdadeiro local de ensinamento das formas tardo-medievas. A diáspora dos discípulos é observável por todo o país, bem como uma notoriedade dos seus mestres, sendo estes solicitados para um sem número de obras – quer examinando-as, quer realizando-as.  
É neste contexto que a cidade de Coimbra também vai acolher as intervenções do mestre Boytac, quer em obras de carácter público, quer em obras de carácter religioso. Em 1510, Boytac e o mestre Mateus Fernandes [26] dirigem-se à cidade para uma efectuar uma estimação dos custos e verificar os respectivos arranjos da ponte da cidade [27]. É ainda nesta cidade, em 1513, que se celebra um segundo contrato (datando o primeiro de 1507) entre Boytac e D. Pedro Gavião para a execução das obras de reconstrução de Santa Cruz em Coimbra [28]. De todo o caderno de encargos para os trabalhos, salientamos o refazer das abóbadas da igreja – da capela-mor e da nave [29] (fig. 2).

 

Fig. 2 – Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra

 


Como foi referido anteriormente, podemos estabelecer paralelismos entre a arte tardo-gótica boitaquina e o foco toledano. A abóbada da capela-mor de Santa Cruz, de baixa amplitude, divide-se em três tramos. Tem um desenho nervurado com as respectivas secções bem talhadas que arrancam das paredes por meio de mísulas alongadas e torcidas ou espiraladas, bem ao jeito de Boytac. A rede de suporte dos interstícios percorre toda a capela num sentido longitudinal de forma ziguezagueante. O mesmo modelo de abóbada utilizado na nave vai ser repetido noutras partes do edifício, na nave da Igreja e na Sala do Capítulo.
Esta nossa alusão torna-se mais interessante se, mais uma vez, observarmos as obras que se executam no país vizinho, nomeadamente as triangulações nervuradas de Juan de Guas. Porém, é na obra Juan de Badajoz el Viejo, também ele de formação toledana e que segue de perto Guas, que vamos encontrar grandes afinidades com a obra de Santa Cruz de Coimbra. Uma das suas obras é a capela-mor da Colegiada San Isidoro em Leon, que data de 1513, num novo espaço que tinha a intenção de albergar a tumulação do Abade Don Juan de Leon. A obra, em termos de planimetria de abobadamento e comparando as duas plantas, apresenta demasiadas evidências do uso do mesmo modelo e esquema para abobadar os dois espaços, sendo desta forma praticamente igual à de Santa Cruz de Coimbra, salvo a existência de mais um tramo em Santa Cruz. Desde já podemos salientar que estamos perante o mesmo desenho arquitectónico, o mesmo esquema construtivo, para a mesma função e com datas similares.

 

Fig. 3 – (da esquerda para a direita) Planta de uma capela contida no Premier Tome de l’ Architecture de Phlibert Delorme (1567), ábside central da Colegiada de San Isidoro de León e do mosteiro de Santa Cruz de Coimbra.

 


Facto interessante é que este modelo existe fielmente reproduzido no compêndio de Phlibert Delorme Primier Tome de l´Architecture de 1567, obra realizada algumas décadas depois da conclusão das obras anteriormente mencionadas. Contudo, e como assinala Javier Gómez, o tratado deve ser interpretado não como difusão de soluções inventadas por Delorme, mas como sistematização de uma série de recursos e propostas que tinham uma larga vida no Norte dos Pirenéus, tendo sido introduzidos em Espanha por artistas francófonos (fig.3).
Tal como acontece na obra de Juan de Badajoz, el Viejo, também Juan Guas utiliza linhas de nervuras rectas que, no seu conjunto, formam triangulações longitudinais. Este esquema configurativo surge no cruzeiro do Convento de Santa Cruz, em Segóvia, no claustro do Convento da Cartuja, em Paular, e na Igreja do Convento de Santo Tomás de Ávila (1482-1493, fig.4). Como se pode observar, encontramos bastantes afinidades entre as obras de Guas e dos seus seguidores e as obras de Boytac.    

 

Fig. 4 – Igreja do convento de Santo Tomás de Ávila.

 


Retomando novamente as obras boytaquianas, verificamos que outra obra atribuível a este mestre é a Igreja do Convento da Pena de Sintra [30]. Não existem documentos que o indiquem directamente, porém, uma notícia documental [31] sobre a construção do palácio da Vila de Sintra enuncia que o mestre Boytac fornecia materiais para as respectivas obras, em 1507, – cerca dos coelhos e pera a casa da fazenda – e que deveria ser pago pela taxa de Santa Maria da Pena. Existindo esta informação indirecta e aliando-a ao sistema formal arquitectónico das abóbadas, são poucas as dúvidas quanto à sua atribuição.

Sendo constituída por vários momentos construtivos, atribui-se como obra de Boytac o coro e a sacristia (fig.5) da igreja do Convento de Nossa Senhora da Pena, o restante não se enquadrando no espírito boitaquiano, quer pela sua diferença estilística quer por desajustes arquitectónicos. Nos dois espaços, no coro e na sacristia, o plano das abóbadas é igual à obra que irá realizar posteriormente em Santa Cruz de Coimbra. A diferença situa-se ao nível das mísulas, pois estas não se estendem, quer pela impossibilidade de espaço, quer pelo tamanho do abobadamento, que não justifica uma maior expansão de forças.

 

Fig. 5 – Convento de Nossa Senhora da Pena. Sacristía

 


Contudo, neste espaço monacal, ainda encontramos outras referências estilísticas que fazem uma associação imediata ao foco toledano e, mais concretamente, a Juan Guas. No piso superior do claustro sintrense, pode observar-se a utilização de um espaço abobadado que apresenta uma configuração diferenciada ao modelo até agora visto. A modelação do espaço a cobrir é composto, neste caso, por nervuras que formam quatro triangulações. Este modelo teve pouco eco nos seguidores de Guas [32]. No entanto, e atestando mais uma vez o foco toledano, vamos encontrar este modelo no claustro da Catedral de Segóvia e no Claustro da Cartuja de Paular, ambas obras de Guas.
Boytac é, já nesta fase, mestre das obras do reino, uma espécie de empreiteiro de obras, facto que é atestado pelo elevado número de operários que para ele trabalham e pelas solicitudes que se verificam dos mais variados pontos do país, inclusive as praças do norte de África. A deslocação de Boytac ao norte de África tinha como objectivo principal dedicar-se à (re)construção das fortificações existentes nestas praças magrebinas. Entre 1508-1510, encontramo-lo pela primeira vez em Arzila, sob as ordens do governador D. Vasco Coutinho, Conde de Borba. Mais tardiamente, 1514-1515, encontramo-lo de novo no norte de África onde edificará fortalezas, participando na malograda expedição a Mármora. Será que foi este facto que levou mestre Boytac a cair em desgraça perante o Rei?
Como é do conhecimento geral, existem duas passagens na historiografia portuguesa que atestam a importância deste mestre nos estaleiros arquitectónicos. A primeira passagem é proferida contra o Barão do Alvito: Vossa Alteza pode fazer quantos barões quiser e não pode fazer um mestre Boutaca [33] e a passagem existente no relatório de 1 de Agosto de 1515, redigido pelo o punho Diego Medina, tendo destinatário o rei D. Manuel. Esta carta, redigida em espanhol, menciona que durante uma discussão sobre a localização da fortaleza Mármora (a qual não teve o parecer do favorável de Diego Medina) D. Álvaro de Loroño (Noronha) mandara calar o espanhol, dizendo que callase, que donde estava maestro Butaque que no havia de hablar [34]. Também o capitão Dom António é peremptório em referir que en aquel mismo sitio mandava o mestre Boytac.       
O seu envolvimento nos mais importantes estaleiros traduz-se na sua notoriedade. A sua mestria tinha um elevado reconhecimento e, devido a tal facto, vamos encontrar o mestre Boytac à frente do estaleiro do Mosteiro de Santa Maria de Belém, vulgarmente renomeado por Mosteiro dos Jerónimos.     
O estaleiro hieronimita é, sem qualquer ponto de dúvida, uma das obras mais importantes que se realizam naquele tempo na cidade de Lisboa, senão mesmo do próprio território. O complexo do Restelo é um dos pontos basilares e de potentado do rei Venturoso, que irá transformar esta obra no seu próprio mausoléu. A acção, decorre da lavra do seu testamento, em 7 de Abril 1517. D. Manuel escreveu aquele acto jurídico no Mosteiro de Penha Longa e aí expressou a vontade de se fazer sepultar no Mosteiro de Belém: minha vontade he de minha sepultura seer no moesteiro de Nosa Senhora de Beleem dentro na capeela moor diante do altar moor abaixo dos degraaos (…)[35]. Esta vontade do Rei praticamente colide com o maior fulgor das obras de Santa Maria de Belém mas também, com a entrada de João de Castilho no dito estaleiro, no ano 1516, ainda com a presença de Boytac e somente em 1517 assume em definitivo o estaleiro do Restelo. 
A parca documentação existente para a fase mais embrionária das obras do estaleiro hieronimita levanta um problema quanto ao conhecimento preciso dos responsáveis e executantes desta obra. Contudo, e como salienta Pedro Dias, no ano 1513 ou 1514, deve ter existido uma viragem na orientação das obras, devido à aquisição com a respectiva compra de terrenos [36]. É precisamente no decorrer do ano 1514, mais concretamente a segunda feira, a 20 dias de Março de 514, começou mestre Boytaca de servir [37], esta nota documental está registada no caderno de férias das Obras de Belém, onde Rui Pires era o vedor das obras. No entanto, há que salientar que, no mesmo ano, mas no mês de Janeiro, este mesmo mestre está na cidade mondeguina onde celebra contrato para o acabamento do mosteiro cruzio da mesma cidade.
Como se fez menção anteriormente, a documentação não é abundante para a primeira década e meia do período quinhentista, porém, teremos que atribuir (à falta de provas documentais que provem o contrário) a mestre Boytac o erguer das primeiras pedras. Isto remete-nos para que tenha sido o próprio a debuxar o traçado do edifício, isto tendo em linha de conta as soluções formais que o edifício adquire após o seu terminus, nomeadamente a solução que a abóbada da igreja apresenta.
Esta solução, que surge na cobertura da igreja, segue a mesma linha esquemática de outros edifícios, como é o caso do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra. Nesta obra, comprova-se cabalmente a presença e a respectiva intervenção, embora de forma intercalada como outras obras, do mestre Boytac, ou como no caso do Convento da Pena em Sintra, em que não existe uma documentação exacta da sua presença (anteriormente mencionada). No entanto, as linhas formais da estrutura abobadada seguem bem de perto o risco do mestre Boytac, o que nos leva a crer ele ter trabalhado aqui.
No ano 1516, visualiza-se, pela documentação, que Boytac e João de Castilho laboram no mesmo espaço arquitectónico, mas em 1517, regista-se na documentação que João de Castilho assume a direcção do estaleiro hieronimita, desaparecendo dos registos documentais o mestre das obras Boytac. Assim, podemos corroborar a ideia da historiografia de que foi João de Castilho a realizar grande parte da obra e a terminá-la, sendo a obra tracejada pelo mestre Boytac. Facto que se pode observar pelo documento que o novo monarca, D.João III, redige a João de Castilho na qual encarrega o mestre do faziamento das abobadas e pyllares do cruzeyro da Igreja de Bellem [38] (fig.6).

 

Fig. 6 – Mosteiro dos Jerónimos. Cruzeiro

 


A entrada de João de Castilho em Santa Maria de Belém não significa que tenha sido alterado na sua plenitude o plano arquitectónico, mas é com este mestre que a obra conhece um avanço bem significativo. Estamos em crer que existem soluções neste complexo edifício que tenham saído do seu punho, nomeadamente o erguer da abóbada do transepto, que apresenta um esquema um pouco diferente da abóbada que cobre a nave, coloca-se também a hipótese de ter sido João de Castilho a elevar as três naves do corpo da igreja à mesma altura mas respeitando um traçado inicial do seu antecessor. Perante a análise da documentação, surge-nos a questão; por que motivo foi Boytac afastado da obra? Deve-se somente ao desastre do norte de África ou fica a dever-se ao facto de não ter capacidade para levar a bom termo a obra dos Jerónimos, devido à sua grande magnitude estrutural?
Sem termos dados precisos onde finalizaram os trabalhos do mestre Boytac e onde começaram os de João de Castilho, poderá colocar-se a hipótese do mestre biscainho ter continuado o plano geral da estrutura da abóbada, mas reforçando toda a rede de nervuras. 
Contudo, neste grande espaço arquitectónico, como é o complexo hieronimita, não podemos olhar para a estrutura do edifício e sectorizá-lo, mas sim vê-lo como um todo.
Teremos que analisar o interior da igreja do Mosteiro de Santa Maria de Belém para tentar perceber a mecânica estrutural da abóbada do edifício. No âmago do edifício, encontramos pilares facetados em octógonos com relevos, colocados à mesma distância em comprimento e largura, abrindo o espaço ao máximo e anulando qualquer entrave ao nosso campo óptico, quer na forma longitudinal, quer transversal. Assim, obtemos nesta Igreja uma visão pluridireccional e globalizante o que a transforma numa verdadeira hallenkirchen [39]. A disposição dos pilares dá origem a grandes quadrados centralizadores sem cortar o nosso olhar, mas, mais que esse facto, é a noção de imperceptibilidade dos pilares que dividem as naves.
A abóbada única que cobre o corpo da igreja apresenta um plano muito rebaixado e planificado, o que revela um processo construtivo complexo, onde existe uma proliferação de uma rede de nervuras rectilíneas e curvas. Denota-se a abolição definitiva das estruturas divisórias das naves, bem como dos tramos, uma vez que não há a existência de arcos formeiros nem torais [40]. Tal concepção revela ter um efeito de fusão espacial que tende para o todo, porém, tal solução permite uma eficaz distribuição do peso e descarga nos pilares e ao longo de toda a caixa muraria. Assim, há a contrariedade do empuxo maioritariamente verticalizante da abóbada [41].
A opção de uma abóbada polinervada (fig.7), com nervos primários, liernes, terceletes e combados, permite o próprio abatimento da abóbada e, por outra parte, há a redução das superfícies a cobrir. Outra observação pertinente e referida anteriormente é a ausência dos tradicionais arcos torais e formeiros, porém, estes são substituídos por combinações de triângulos longitudinais e transversais que se tem revelado como sendo uma estrutura tipicamente boitaquiana, mas que excede, em complexidade, toda a prática arquitectónica elaborada no nosso país. É nesta base que nos podemos apoiar para destrinçar os modelos usados pelos vários artistas. Podemos salientar que existe uma diferença substancial entre João de Castilho e Boytac. Até aqui, temos visualizado como se constituem os abobadamentos boitaquianos – nervuras de bases triangulares –, confrontando estas com as abóbadas de João de Castilho, visualiza-se que as técnicas formalistas e decorativistas são bem diferentes. João de Castilho prefere um desenho que prima mais pelas linhas curvas, enquadrando-se claramente noutra escola. Para isso, basta relembrar as obras do mestre biscainho: capela-mor da Sé de Braga; capela-mor da Igreja de São João Baptista de Vila do Conde; coro da Sé de Viseu (?) e Convento de Cristo em Tomar;

 

Fig. 7 – Mosteiro dos Jerónimos. Nave da igreja.

 


Todas estas obras estão documentadas, excepto Viseu (coloco algumas reticências à sua estada nesta cidade) e mostram que existe uma intervenção bastante vincada do mestre biscainho no seu laborar e lavrar e nenhuma delas mostra um esquema idêntico ao existente na Igreja de Santa Maria de Belém, onde o mesmo mestre interveio. Assim, podemos apontar que João de Castilho, e cremos que tenha sido ele a realizar o abobadamento da nave, segue um esquema que tinha sido previamente delineado pelo mestre Boytac.      
O rol de edifícios a que aludimos anteriormente e que se encontram minimamente documentados, atestam a presença do mestre Boytac, excepto a igreja do Convento da Pena, onde apenas temos indicações indirectas da sua presença. Procurando uma correspondência neste estudo ao foco toledano, podemos visualizar que os edifícios enunciados seguem o mesmo formulário formal no que respeita aos abobadamentos. Assim, podemos dizer que este mestre aplica, nos espaços a cobrir, sempre a mesma linguagem, ou seja, utiliza abóbadas polinervadas de cadeia triangular longitudinal.
Até aqui temos observado modo operandis do mestre Boytac. Verificamos assim, que todas as igrejas documentadas com a sua presença apresentam sempre o mesmo, ou muito similar, esquema de abóbada, ou seja, cruzaria de ogivas, terceletes, ligaduras e pés-de-galo. Mas, estranhamente, a primeira obra onde surge documentado Boytac, a Igreja do Convento de Jesus em Setúbal [42], não segue este figurino (fig.8). No entanto, o rol documental e as escavações arqueológicas comprovam, até agora, a homogeneidade do edifício e que tenha sido o mestre a realizá-la. Porém, este não é o lugar próprio para o debate sobre a construção e modelo da abóbada da Igreja do Convento de Jesus de Setúbal e o seu hipotético construtor mas, salientamos que esta abóbada possante contrasta com a leveza das abóbadas erguidas por Boytac.       

 

Fig. 8 – Convento de Jesus de Setúbal. Capela-mor.

 


Devemos ter em conta que esta é uma obra que foge ao labor artístico de Boytac e ao seu método de vertente toledana. Podemos equacionar que o acolhimento desta fórmula poderá ter origem em terras francófonas – fazendo jus a Jean Luois Biget –, onde existe um elevado número de construtores nórdicos, principalmente flamengos e alemães, ou por uma eventual formação na orla de Toledo.


Notas e Referências bibliográficas

Este trabajo se incluye en el proyecto de investigación Arquitectura y poder: el Tardogótico castellano entre Europa y América. Plan Nacional de Proyectos de Investigación I+D+i. Ministerio de Ciencia e Innovación, Gobierno de España. (Ref. HAR2008-04912/ARTE)”

[1] O artigo que aqui se apresenta surge na sequência de um trabalho de investigação elaborado em conjunto com Javier Gómez Martínez (Univ. da Cantábria) e que foi dado à estampa sob o titulo, “De Huguet a Boytac y el Tardogótico Peninsular”, Actas do congresso internacional – O Largo Tempo do Renascimento. Arte, Propaganda e Poder (2004), Lisboa, Caleidoscópio, 2008.
Aproveitando este ensejo gostaria de agradecer as frutuosas contribuições e reflexões do Professor Fernando Grilo (FLUL) com quem discutimos demoradamente o tema. Agradecemos também ao Prof. Dr. Vítor Serrão (FLUL) e ao Prof. Javier Gómez Martínez pela participação nos debates, informações em torno da temática da arquitectura tardo-medieval e pelas imagens cedidas.
[2] SANTOS, Reinaldo, O Estilo Manuelino, Lisboa, 1952, p. 21 e ss..; Oito Séculos de Arte Portuguesa, vol. II, Lisboa, s/d., 127 e ss.
[3] DIAS, Pedro, “A igreja de Jesus de Setúbal na evolução da arquitectura manuelina”, Belas Artes, 2ª série, 32, 1978, SILVA, José Custodio Vieira da, A Igreja de Jesus de Setúbal, Setúbal, Salpa, 1987
[4] GOMES, Saul António, Vésperas Batalhinas. Estudos de História e Artes, Edições Magno, Leiria, 2000, pp.177 e ss
[5] SÃO JOÃO, Soror Leonor de, Tratado da Antiga e Curiosa Fundação do Convento de Jesus de Setúbal, 1630, B.N.L., Res. Cod. 7686. A entrada da clarissa para a casa religiosa em questão data de 1585 e obra de narração é concluída no ano 1630. Pode-se constatar que a disparidade temporal não é assim tão acentuada, o que pode ser uma mais valia à compreensão de todo o processo construtivo.
[6] SILVA, José Custodio Vieira da, A Igreja de Jesus de Setúbal […]
[7] BIGET, Jean-Louis, “Le Gothique Tardif et l’ entrée de la cathédrale d’ Albi. Restaurations et construction” De la création à la restauration –Travaux offerts à Marcel Durliat, Toulouse, 1992  
[8] SERRÃO, Vítor, O Renascimento e o Maneirismo (1500-1620), Editorial Presença, Lisboa, 2001, p. 37. No livro dedicado ao tardo-gótico em Portugal, José C. V. da Silva, quando salienta Albi não faz qualquer referência a este facto. Perante tal, é importante voltar a relembrar que a informação carece de uma investigação mais concisa para a avaliar qual a veracidade da informação veiculado pelo investigador e historiador Jean-Louis Biget.
[9] SILVA, José Custódio Vieira da, A igreja de Nossa Senhora do Pópulo das Caldas da Rainha, Caldas da Rainha, 1985, p. 46
[10] Cf. SILVA, Ricardo J. Nunes, “A abóbada da capela-mor da Igreja de Nossa Senhora do Pópulo das Caldas da Rainha. Construção e filiação”, Artis – Revista do Instituto de História da Arte da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, n.º 5, Lisboa 2006. SILVA, Ricardo, Abóbadas tardo-medievais em Portugal: Tipologias e concepção, Dissertação de Mestrado em Arte, Património e Restauro apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 2006.
[11] Juan de Guas é filho de Pedro Guas, este mestre norteuropeu rumou a Toledo juntamente com outros artistas flamengos.
[12] GÓMEZ MARTINEZ, Javier, El gótico español de la Edad Moderna. Bóvedas. de crucería, Secretariado de Publicaciones e Intercambio Científico, Universidad de Valladolid, Valladolid, 1998.  HERNÁNDEZ, Artur “ Juan Guas, maestro de las obras de la Catedral de Segóvia (1471-1491)”, Boletín del Seminario de Arte y Arqueología de Valladolid, XLV, Valladolid, 1947-48, pp.57-100
[13] RUIZ, Begoña Alonso, Arquitectura Tardogótica en Castilla: los Rasines,, Universidad de Cantabria, Santander, 2003 p.32 e ss.
[14] GÓMEZ MARTINEZ, Javier, El gótico español de la Edad [...], p. 78
[15] SILVA, José Custódio Vieira da, O Tardo-gótico em […], p. 32-33
[16] MENDOZA, J. Carlos Vizuete Mendoza, Guadalupe. Un Monasterio Jerónimo (1389-1450), Antiqua et Mediaevalia, Madrid, 1988, pp. 32
[17] BRAGA, Isabel M. R. Mendes Drumond, o mosteiro de Guadalupe e Portugal séculos XIV-XVIII, Contribuição para o Estudo da Religiosidade Penínsular, J.N.I.C.T, Lisboa, 1994.
[18] BRAGA, Isabel M. R. Mendes Drumond, “Peregrinações Portuguesas a Santários Espanhóis no século XVI”, Cooperação e conflito, Portugal, Castela e Aragão – Séculos XV-XVII, Universitária Editora, Lisboa, 2002, pp. 230-259.
[19] BRAGA, Isabel M. R. Mendes Drumond, “A Governação de Portugal durante a Viagem de D. Manuel a Castela e a Aragão em 1498”, Cooperação e conflito, Portugal, Castela e Aragão – Séculos XV-XVII, Universitária Editora, Lisboa, 2002, pp. 13-34.
[20] D. João era o primeiro na linha sucessória de Castela e de Aragão, porém, a sua famigerada morte, coloca D. Isabel na primeira de sucessão ao trono e por consequente D. Manuel.
[21] GÓIS, Damião, Crónica do Felicíssimo Rei D. Manuel, Coimbra, Actas Universitatis Conimbrigensis, 1949, parte I, cap. 26, pp. 57-58; RESENDE, Garcia, Crónica de Dom João II e Miscelânea, Lisboa, I.N.C.M, 1973, pp. 298-299.
[22] GÓMEZ, Isabel Mateos, El arte de la Orden Jerónima, Iberdrola, Madrid, 1999, p.121
[23] GÓMEZ MARTINEZ, Javier, El gótico español de la Edad [...], p.80
[24] SILVA, José Custódio Vieira da, O Tardo-gótico […], p.57
[25] GOMES, Saul António, O Mosteiro de Santa Maria da Vitória no Século XV, Instituto de História da Arte – FLUC, Coimbra, 1990, p. 96-129
[26] Como se pode observar existe uma forte ligação entre estes dois mestres, laços que se reforçam com o casamento de Boytac como Isabel Henriques filha de Mateus Fernandes I. Desconhece-mos o ano de casamento mas sabe-se que 1512 já tinha adquirido esse estado civil.
[27] CARVALHO, José Branquinho de, “Cartas Originais dos Reis”, Arquivo Coimbrão, Coimbra, 1942, vol. VI, p. 50
[28] VITERBO, Sousa, Dicionário dos Arquitectos, Engenheiros e Construtores, Lisboa, Imprensa Nacional, vol. I, pp. 120-131, e vol. II, pp. 256-257; GARCIA, Prudêncio Quintino, Artistas de Coimbra, Imprensa da Universidade, Coimbra 1923, pp. 128-136 e p. 152: CORREIA, Vergílio, As Obras de Santa Maria de Belém, p.156; O Livro da Receita e Despesa de Santa Cruz de 1534 a 1535, Arte e Arquelogia, Coimbra, 1930; Obras, vol.III, Ordem da Universidade, Coimbra, 1953.
[29] É nossa opção começar por falar da obra de Santa Cruz de Coimbra por ser uma das obras mais seguras documentalmente e que nos fornece pistas quanto ao modelo tipológico que Boytac traça nas suas obras.
[30] DIAS, Pedro, A arquitectura de Coimbra na Transição do Gótica para a Renascença. 1490-1540, EPARTUR, Coimbra, 1989, p. 382. 
[31] SABUGOSA, conde de, O Paço de Sintra, Lisboa, 1903
[32] GÓMEZ MARTINEZ, Javier, El gótico español de la Edad [...], p. 90
[33] SARAIVA, José Hermano, Ditos Portugueses Dignos de Memória, Lisboa, s.d, p. 363
[34] VITERBO, Sousa, Dicionário […], vol, pp. 127-128
[35] “Testamento de el-Rei D. Manuel, Mosteiro de Penha longa, 1517, Abril, 7”, As gavetas da Torre do Tombo, vol. VI (gav. XVI-XVII, Maços 1-3), Centro de Estudos Ultramarinos, Lisboa, 1967, p. 111
[36] DIAS, Pedro, Os Portais Manuelinos do Mosteiro dos Jerónimos, Coimbra, 1993, p.19; conf. Ribeiro, Mário Sampaio, “Do sítio do Restelo e as suas igrejas de Santa Maria de Belém”, Anais da Academia Portuguesa da História, Lisboa, 1949, II série, vol. II.
[37] ALVES, José da Felicidade, O Mosteiro dos Jerónimos I, Livros Horizonte, Lisboa, 1991, p. 65
[38] VITERBO, Sousa, Dicionário […], vol. I, pp.. 190
[39] ATANÁZIO, Manuel C. Mendes, Arquitectura Manuelina. Novos problemas de espaços e técnica, Mocâmedes, 1969.
[40] ATANÁZIO, Manuel C. Mendes, Arquitectura Manuelina […]
[41] MONTEIRO, Soraya de Fátima Mira Godinho Monteiro, Etude Descriptive de la Voute de l´Eglise du monastere Santa Maria de Belém a Lisbonne, Centre d’ Etudes pour la Conservation du Patrimoine Architectural et Urbain, Katholieke Universiteit Leuven, 1995
[42] ver; BAPTISTA, Pereira Fernando António, A Igreja de Jesus de Setúbal, Setúbal, 1988; TAVARES, Carlos da Silva e PEREIRA, Fernando António Baptista, Convento de Jesus. 500 Anos. Arqueologia e História, Setúbal, 1989; José Custodio Vieira da, A Igreja de Jesus de Setúbal, Setúbal, Salpa, 1987; DIAS, Pedro, “A Igreja do Convento de Jesus de Setúbal na evolução da arquitectura Manuelina”, Belas Artes, A.N.B.A, Lisboa, 1978.

Reference According to APA Style, 5th edition:
Silva, R. ; (2009) O mestre Boytac e as correspondências com o foco Toledano [1]. Convergências - Revista de Investigação e Ensino das Artes , VOL II (4) Retrieved from journal URL: http://convergencias.ipcb.pt