A necessidade de um estudo para a produção de uma nova ferramenta de análise ergonômica: Software.

The need for a study for the production of a new ergonomic analysis tool: Software.

Filho, A. Santos, J. Fernandes, S.

UNESP - Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da Universidade Estadual Paulista, Campus de Bauru
UNESP - Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da Universidade Estadual Paulista, Campus de Bauru
UNESP - Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da Universidade Estadual Paulista, Campus de Bauru

Retirado de: http://convergencias.esart.ipcb.pt

RESUMO: Com o avanço tecnológico e científico, o ser humano e o seu ambiente de trabalho passam a ser um objeto de estudo, surgindo então a Ergonomia. Nesta, encontram-se ferramentas para uma análise ergonômica mais eficaz. Porém estas ferramentas não evoluíram como o mercado de trabalho, podendo então produzir uma análise ergonômica inadequada do ambiente de trabalho. Desta forma, torna-se necessário então o estudo da produção de uma nova ferramenta de análise ergonômica que possa verificar todo tipo de atividade e possa ser utilizada por qualquer profissional da área de ergonomia.

 

PALAVRAS-CHAVE: Ergonomia; Softwares de análise ergonómica

 

ABSTRACT: With advancing technology and scientific, human and work environment will become an object of study, appearing then Ergonomics, this are tools for ergonomic analysis more effective. But these tools have not evolved as the labor market, can then produce an ergonomic analysis of inadequate working environment. Thus, it is then necessary to study the production of a new ergonomic analysis tool that can check all sorts of activities and being used by any professional in the field of ergonomics.

 

KEY WORDS: Ergonomics; Ergonomic analysis software.

1. Introdução

Com o avanço tecnológico e científico, o ser humano e o seu ambiente de trabalho passam a ser um importante objeto de estudo. Surge, então, a ergonomia, que é muito bem definida por (Iida 1995), onde esta é a associação de ciências e tecnologias que visam à adaptação confortável e produtiva do ser humano e o seu trabalho. Porém, ainda não se vê muito esta atitude de criar ou adaptar o ambiente de trabalho, ao ser humano, mas sim o ser humano ao seu trabalho. Por isso, a ergonomia vem estando em crescente ascendência, uma vez que o Homem é o grande fator de desenvolvimento de toda uma economia e sociedade.
Para se fazer então este papel de criar e adaptar o ambiente de trabalho, há uma necessidade de verificação e constatação se aquele local será, é ou não adequado ao Homem. Por isso, dentro da ergonomia surgem as ferramentas de análise (check-lists, protocolos e softwares) que foram criadas para verificar as atividades repetitivas ou em série, mas, com o avanço do mercado de trabalho, as atividades deixam de ser apenas repetitivas e se tornam também multifuncionais. Porém, estas ferramentas não evoluíram como o mercado de trabalho, o que pode produzir uma análise ergonômica inadequada do ambiente de trabalho (Araújo & Oliveira, 2006). Por causa da não evolução das ferramentas de análise, torna-se necessário o estudo uma nova ferramenta de análise que esteja de acordo com a evolução do mercado de trabalho e onde verificará o Homem em sua atividade e o que o ambiente pode estar gerando para o ser humano.


2. Propósitos e Hipóteses

Há atualmente diversas ferramentas de análises ergonômicas, como: Check-List de Couto, softwares WinOwas (OWAS),  RULA  software baseado no protocolo de McAtemney e Corlett (1993), REBA, entre outros. Porém, há muita diversidade em relação às opiniões se estas ferramentas podem ser utilizadas ou não em atividades multifuncionais, de forma fidedigna.  E também a utilização de dispositivos aplicados externamente ao corpo dos trabalhadores e até mesmo dispositivos para a averiguação de disfunções musculares e sensitivas.
Desta forma, torna-se necessário o estudo da produção de uma nova ferramenta de análise ergonômica que possa verificar todo tipo de atividade, podendo ser utilizada por qualquer profissional da área de ergonomia.
Espera-se que por meio do estudo desta nova ferramenta, haja uma cooperação e ajuda para a ergonomia e para os meios de avaliação, sem que cause divergências de opiniões a respeito de sua fidedignidade, em relação às tarefas multifuncionais e até mesmo repetitivas.


3. Revisão Bibliográfica

Com a criação de novas tecnologias, houve um impulso para a competição entre os mercados de trabalhos, gerando um aumento da produtividade do trabalho. Pode-se tomar como exemplo o do sistema bancário: com o advento da informatização, o bancário, que antigamente tinha exigências físicas baixas, vê-se, atualmente, cada vez mais pressionado para cumprir metas; além disso, transformaram-se em vendedores de seguros, poupança, contas, entre outros.
A alta competitividade, a pressão, o ambiente inadequado, entre outras causas, podem acarretar sérios problemas tanto a saúde física como psíquica do trabalhador. Segundo (Brandimiller, 1999), deve-se evitar fazer movimentos extremos no ambiente de trabalho pela razão de que as articulações trabalham no limite, com alguns músculos fortemente contraídos e, inversamente, outros muito esticados. Pode ser que, nos movimentos, o indivíduo não sinta dor, qualquer desconforto ou dores, mas, quando alguns músculos ou tendões já estão sobrecarregados pelo trabalho, um movimento extremo pode desencadear uma dor forte que pode causar contraturas musculares que levam à imobilidade parcial do pescoço, do ombro ou mesmo da coluna lombar, por exemplo.
Devido às constantes mudanças no mercado de trabalho, ainda há a necessidade de uma análise ergonômica do trabalho. Estas análises são embasadas em Normas Regulamentadoras, ferramentas  e outros dados. A maioria destes métodos foi feita nas décadas de 70 a 90, tendo como foco a análise das atividades repetitivas e poucas actualizações houve, sendo utilizados ainda como forma de análise por grande maioria dos pesquisadores de ergonomia.


3.1- Softwares de análise ergonômica

 Com a evolução tecnológica, o computador se tornou uma ferramenta de uso quase que insubstituível para todas as pessoas, sendo assim, qualquer pessoa pode usá-lo, sem a necessidade de um elevado conhecimento (Guimarães, 2006).
Com isso, qualquer área de estudo pode utilizar o computador e os seus aplicativos como forma de auxílio.  Na ergonomia, podemos utilizar softwares gratuitos que são disponibilizados na internet, para análises. Alguns destes são:

  • WinOwas: OWAS(OVAKO WORKING POSTURE ANALYSING SYSTEM)  de 1977,  é um método de  avaliação postural, avaliando a carga musculoesquelética de forma  qualitativa e quantitativa das posturas, durante o trabalho. Baseado em uma classificação sistemática das posturas durante o trabalho, combinadas com observações por meio de imagens ou anotações.
  • RULA: RULA (RAPID UPPER LIMB ASSESSMENT)- desenvolvido por Lynn McAtemney e Nigel Corlett em 1993, tendo como finalidade detectar a exposição de fatores de riscos da postura, de forças musculares em seu ambiente de trabalho. Esta ferramenta permite fazer uma avaliação rápida de um grande número de funcionários e contribui para a verificação de riscos de LER/DORT .
  • NIOSH: NIOSH (THE NATIONAL INSTITUTE FOR OCCUPATIONAL SAFETY AND HEALTH), desenvolvido em 1981 (em 1991 sofre algumas alterações), avalia o manejo de cargas no trabalho, tendo por objetivo o identificar os riscos associados com o peso da carga e ao tempo de exposição desta em relação ao trabalhador, o que pode estar associado a queixas como a lombalgia.
  • REBA :  Desenvolvido em 2000, este método verifica os riscos e as desordens do corpo em que os indivíduos estão expostos. O estudo deste método visa mais as análises de posturas forçadas adotadas pelos profissionais da área médica, hospitalar, entre outros. A avaliação é feita pela observação dos ciclos de trabalho onde as posturas de tronco, pescoço, pernas, a carga, braços, antebraços e punhos, são pontuados para cada grupo (Campos, 2005).

Num estudo, realizado em 2004, Guimarães, Sampedro e Signori, utilizaram 9 métodos de análise ergonômica, que são usados para classificação de riscos de LER/DORT, entre estes estão o OWAS, e o RULA. Utilizaram 2 tipos de postos (o que utilizava a repetição em sua atividade e o que não utilizava), e os resultados apresentaram uma margem de variação alta, o que mostra uma baixa fidedignidade dos métodos utilizados na pesquisa.


3.2. Alguns métodos que utilização os dispositivos externos

Estes dispositivos servem para ver, tanto a excitação dos músculos durante a atividade, como também a vibração que o mesmo apresenta sobre o corpo humano. Serão 2 exemplos de dispositivos externos.

- A eletromiografia: Os fisiologistas ingleses e norte-americanos Adrian e Bronk e D.Denny-Brown criaram uma técnica que capta os potenciais elétricos, gerados no músculo, chamada então de eletromiografia.  Esta técnica era aplicada apenas a diagnósticos clínicos e deixando de utilizá-la em auxilio a cinesiologia (Basmajan, 1976).  A análise da eletromiografia tem como processo a contração do músculo e a produção das forças que são provocadas pelos deslizamentos de vários filamentos, que é provocado por um fenômeno elétrico chamado potencial de ação, os registros destes potenciais de ação somados com a contração muscular denominam-se (Kumar e Mital, 1996).

Há dois tipos de técnicas: - as de profundidade, nas quais os eletrodos são colocados no interior do músculo e tendo contato direto com as fibras musculares; – e as de superfície onde os eletrodos são colocados na pele, capta as atividades elétricas das fibras musculares que estão sobre utilização. - de superfície, em que os eletrodos são colocados sob a pele, captando a soma da atividade elétrica de todas as fibras musculares ativas.

- O Cuela: CUELA (COMPUTER-ASSISTED RECORDING AND LONG-TERM ANALYSIS OF MUSCULOSKELETAL LOADS), interage a postura e a vibração do corpo frente à atividade. É utilizado um equipamento que contém sensores que são colocados na cabeça, coluna torácica e lombar. Os sensores captam as informações e são colocados no software e este gera informações. O software CUELA fornece uma representação gráfica da vibração e ângulos e a figura é apresentada em  3D, (Hermanns. I, 2007)


4. Conclusões

Alguns autores relatam que há divergências de opiniões entre os softwares: serão estes ou não fidedignos para a análise ergonômica? Isso é muito importante para a própria ergonomia, no sentido de que as ferramentas ergonômicas possam proporcionar realmente uma efetividade nesta área. Pois, se um dado não for correto, este irá interferir decisivamente no processo da relação homem- trabalho.
Sendo assim, concluímos que, como há divergências de opiniões em relação aos softwares, então há necessidade de um estudo para uma nova ferramenta que esteja de acordo com a necessidade ergonomia. Nesta, devem encontrar-se os dados antropométricos do ser humano; a biomecânica; dados sobre patologias associadas ao trabalho, entre outros.


Referências Bibliográficas

Araújo, A. M. C.; Oliveira, E. M. de. Reestruturação produtiva e saúde no setor metalúrgico: a percepção das trabalhadoras. Saúde e Sociedade, v. 21, n. 1, jan./apr. 2006. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php%3Fpid%3DS0102-69922006000100009. Acessado em: 04/05/2008.
Basmajian, J. V. Electro-fisiologia de la acción muscular. Buenos Aires Argentina: Editorial Médica Panamericana S.A., 1976.
Brandimiller, P. A. Condições de trabalho nos bancos: fiscalizar ou negociar? In: O MUNDO do trabalho [clipping impresso da imprensa sindical]. São Paulo: Edição 46, Oboré, 1996.
Campos, S. B. C. Intervenção macroergonômica no setor de lavanderia em um hospital do município de São Luis – MA. Monografia (Bacharel em Desenho Industrial). São Luis: UFMA, 2005
Guimarães, L. B. de M. Ergonomia Cognitiva: processamento da informação, IHC, engenharia de sistemas cognitivos, erro humano, cap.1, Série Monografia Ergonomia. Porto Alegre: FEENG, 2006.
Guimarães, L. B.; Sampedro, R. M. F.; Signori, L.U. Análise dos instrumentos utilizados para avaliação do risco da ocorrência dos D.O.R.T./L.E.R. Produto & Produção, v. 7, n. 3, p.51-62, out. 2004.
Iida, Itiro. Ergonomia - projeto e produção. 2ª edição. São Paulo Ed. Edgar Blücher Ltda, 2005.
Kumar, S e Mital, A. Electromiography in ergonomics. UK: Taylor & Francis, 1996

Reference According to APA Style, 5th edition:
Filho, A. Santos, J. Fernandes, S. ; (2009) A necessidade de um estudo para a produção de uma nova ferramenta de análise ergonômica: Software.. Convergências - Revista de Investigação e Ensino das Artes , VOL II (4) Retrieved from journal URL: http://convergencias.ipcb.pt