A contribuição do projeto de identidade corporativa na redução da poluição visual nas cidades

The contribution of the corporate identity project in reducing visual pollution in cities

Silva, J. Nakata, M. Paschoarelli, L. Raposo, D.

UNESP - Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da Universidade Estadual Paulista, Campus de Bauru
UNESP - Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da Universidade Estadual Paulista, Campus de Bauru
UNESP - Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da Universidade Estadual Paulista, Campus de Bauru
IPCB/ESART - Escola Superior de Artes Aplicadas do Instituto Politécnico de Castelo Branco

Retirado de: http://convergencias.esart.ipcb.pt

RESUMO: Um dos grandes problemas atuais nas grandes cidades é a poluição visual. A propaganda se tornou uma necessidade para qualquer tipo de empresa, resultando na utilização de todos os espaços urbanos possíveis como fachadas estruturas, luminosos, contendo excesso de cores e informações para chamar a atenção do olhar, tornando-se assim, um grande problema para o convívio social e cultural. O trabalho do designer gráfico pode reduzir este problema através dos conceitos da identidade visual aplicada as fachadas empresariais, trazendo harmonia nas cores e espaços onde se podem aplicar a propaganda sem que agrida a beleza e a estética urbana.

 

PALAVRAS-CHAVE: Dachada, Poluição Visual e Design Gráfico

 

ABSTRACT:  One of the actual biggest problems in big towns is the visual pollution. The advertising has become a necessity for any type of business, resulting in the use of as urban spaces as possible like fronts structures, lights, with too many colors and details to keep the attention of sight, thus becoming an important problem for the social and cultural coexistence. The work of graphic designer can reduce this problem through the concepts of visual identity applied on the enterprise building front, giving harmony in the colors and spaces where they can apply the advertising without to attack the urban beauty and esthetics.

 

KEYWORDS: Front, graphic design and visual pollution

1. Introdução

O design informacional é responsavel por toda informação gráfica ou digital apresentada externa, interna e nas interfaces na sociedade. As cidades estão crescendo e a quantidade de empresas também. Uma forma de chamar atenção do consumidor é através da comunicação visual, como cartazes, anúncios, propagandas, banners, totens, placas, entre outros. O excesso destes elementos dispostos em ambientes urbanos, especialmente em centros comerciais e de serviços, estão transformando a paisagem urbana em um espaço de promoção e de trocas comerciais, originando um desconforto espacial e visual daqueles que transitam por estes locais. Este excesso desarmoniza as cidades, desvalorizando-as e caracterizando um novo tipo de poluição, a visual (GOMES FILHO, 2000).
Dá-se o nome de poluição visual ao excesso de elementos ligados à comunicação visual (como cartazes, anúncios, propagandas, banners, totens, placas, etc.) dispostos em ambientes urbanos, especialmente em centros comerciais e de serviços. Não só a propaganda, mas o grafite, que ocorre geralmente em cidades cosmopolitas, que pode ser considerado uma expressão artística urbana, pode tambem contribuir. Porém, não representa  um problema tão grande se comparado às pichações de “gangues” ou tribos urbanas (CRISPIM, 2006).
Outro fator que contribui para a poluição visual é o ruído visual que, de acordo com Gomes Filho, pode ser considerado a interferências ou distorções que perturbem a ordem num objeto ou composição, podendo ser formas orgânicas ou inorgânicas, bi ou tri dimensionais, o que pode ser considerado no ambiente urbano o excesso de estruturas, como fios de eletricidade e telefonia, edificações com falta de manutenção, ruas degradadas, o lixo exposto orgânico ou não e outros resíduos urbanos também contribuem para a sensação de mal-estar urbano. Normalmente, passamos pela cidade sem verificar esse excesso de elementos, mas ele faz com que não visualizemos a beleza das cidades.
A poluição visual degrada os centros urbanos, pela falta de harmonia dos anúncios, logotipos e propagandas que concorrem pela atenção entre espectador e a fachada das edificações. O indivíduo perde uma parte da sua cidadania, passando de agente que participa ativamente da dinâmica da cidade para espectador e consumidor, envolvido em um ambiente visualmente descontrolado. Alguns municípios tentam revitalizar regiões degradadas por diversos tipos de vandalismo e poluição visual, baixando normas e determinando que os comerciários mudem suas fachadas a fim de tornar as cidades mais harmônicas e esteticamente agradáveis para os moradores (FORATTINI, 1991).
Mas a maior preocupação sobre a poluição visual em vias públicas de intenso tráfego, é que pode desviar muito a atenção do motorista colaborando para acidentes automobilísticos. Alguns especialistas afirmam que os prejuízos não se restringem apenas aos materiais, mas podem também afetar a saúde mental de maneira do usuário sobrecarregando-o de informações desnecessárias. Afirmam ainda que o maior problema não é a existência da propaganda, mas o seu descontrole (GENTIL, 2008).
Podem-se observar estes indicios em médias e pequenas cidades de países periféricos com os mesmos problemas. A solução deste cabe aos designers informacionais, uma vez que eles possuem o conhecimento necessário para analisar e organizar as informações de maneira adequada de tal forma que não interfira no ambiente a ponto de descaracterizá-lo. Deve-se começar a se preocupar com o ambiente onde estará exposto o material publicitário para que este não contribua para agravar o problema. Este trabalho tem como meta discutir um metodo de análise do espaço urbano sob o ponto de vista de um designer.
 

 

2. Materiais e métodos

2.1. Objetos de análise

Verifica-se que normalmente as empresas de médio e pequeno porte não investem em um manual de identidade visual completo, supostamente pelo seu alto valor. Solicitam apenas o logotipo e depois verificam a necessidade de aplicações em outros aparatos, como impressos, fachadas, veículos, uniformes, entre outros. Para esses casos, contratam o serviço de pessoal não especializado, por cobrar mais barato, culminando em um excesso de erros de harmonia tanto nas formas, tipografias e cores. Esse fato pode ser verificado em empresas que usam marcas de fornecedores em suas fachadas. A fornecedora oferece para a empresa a reforma da fachada, porém utiliza a suas cores e aparatos visuais. Na maioria dos casos, as cores e acessórios conflitam com o logotipo da loja. O que ocorre é a perda de sua identidade, fazendo com que ela passe a chamar mais atenção para o fornecedor do que para ela mesma. Há casos ainda em que as lojas querem colocar em suas fachadas a linha de produtos ou promoções, pintando-as com letras e até desenhos dos produtos que tendem a conflitar com o logotipo.

 

2.2. Instrumentos

Para o estudo, foi utilizada, uma camera digital para captação das imagens das fachadas, selecionando os melhores angulos para análise e demonstração dos possíveis problemas existentes no objeto de estudo. Foi utilizado o adobe photoshop, que é um programa gráfico para tratamento da imagem com o intuito de deixar as cores mais próximas da original que muitas vezes é distorcida pela captação da camera dependendo da sua qualidade e disposição do sol na hora da foto. Posteriormente à análise, foi realizado um redesign de uma identidade corporativa, após os estudos a mão da melhor identidade foi passado para programa adobe ilustrator, um programa de vetorização digital que permite uma melhor apresentação das proporções da simulação posteriormente realizada.

 

2.3. Procedimentos

2.3.1. Análise das fachadas

A seguir foram analisadas duas fachadas de lojas de cidades brasileiras de médio porte.

 

 

Fig. 1 – Fachada da SD Tintas.

 

 

A fachada da “SD Tintas” (figura 01) é uma loja que vende material para pintura, tanto para imóveis, quanto automotivas. Este é um exemplo em que a fachada foi financiada por uma das empresas fornecedoras. Um indício é a existência de mais propaganda da marca de tinta “Coral” do que da própria loja. Podemos observar que a estrutura superior não é original do prédio, foi feita somente para avançá-lo a rua e servir como cobertura para o estacionamento. Os logotipos tanto da loja como do fornecedor foram feitos estampados em lona para front light (luz frontal). Esta loja está localizada na Rua Araujo Leite, onde se localizam quase todas as lojas de tinta da cidade. A estrutura foi feita para aumentar a altura da loja, permitindo uma visualização de vários pontos da cidade. Se analisarmos a fachada como um todo, verificaremos que a estrutura foi feita pelo fornecedor, pois há diferença de cor entre a parede da loja e a estrutura superior, sendo uma verde clara e outra branca. Existem seis cores diferentes na fachada  que estão em conflito: a parede é pintada de verde, tirando o contraste do logotipo, que é vermelho e azul claro, e na parede lateral verifica-se uma divisão que passa do verde claro para um segundo azul, mais  escuro, com um detalhe em amarelo. Caso o cliente estiver andando na calçada, a percepção dele ficara confusa pela quantidade de informações e falta de contraste. Para quem esta de carro, a maior confusão é saber se a estrutura superior e inferior corresponde à mesma empresa. A contribuição para a poluição visual, neste caso, não se retém só as cores, mas também ao tamanho da estrutura que contrasta com os prédios antigos, como o prédio vizinho a loja. O excesso de cores aplicadas a torna visualmente desagradável principalmente por ser uma loja de tinta.
No caso da loja Milpa, sua fachada não tem uma identidade visual definida, como visto na figura 02. A principio, é notável a diferença entre a fachada dos dois prédios que compõem a empresa, criando uma impressão de duas empresas distintas O logotipo aparece em cores diferentes em ambos os prédios, no cartão e no uniforme criando um obstáculo na fixação da marca. Verifica-se ainda que o logotipo foi representado de formas diferentes na parede frontal, no luminoso e na fachada da garagem, isso ocorre tanto na tipografia como nas cores. Com uma quantidade de informações muito grande, nota-se a dificuldade na leitura e a identificação do segmento da loja.

 

 

Fig. 2 – Fachada da loja.

 

 

Uma das possíveis soluções para este tipo de problema seria um redesign da identidade visual da empresa, porém mantendo elementos que não a descaracterizem. Trocar a logomarca, por exemplo, poderia resultar em problemas na identificação da empresa por clientes já acostumados com a sua identidade atual. Deve-se fazer uma transformação estética criando uma harmonia visual referente a cores, formas e significado que a empresa quer passar.

 

2.3.2. Design

A palavra, do idioma inglês “design”, é de origem latina “designo”, no sentido de designar, indicar, representar, marcar, ordenar, dispor, ou seja, projeto (NIEMEYER, 2007). Pode-se utilizar esta denominação a qualquer processo técnico e criativo relacionado à configuração, concepção ou elaboração de um objeto, ou seja, no seu projeto. O que se exige para poder considerar que um objeto pertença ao design é: sua fabricação em série, sua produção mecânica e a presença no objeto de um quociente estético, devido ao fato de ter sido inicialmente projetado e não a uma sucessiva intervenção manual (DORFLES, 1990).
Os designers utilizam da combinação de valores e principios descobertos em outras disciplinas em um unico trabalho, que é funcional e vai além de todas as partes unidas.
O design tornou-se uma ferramenta de soldagem entre as áreas juntando a construção e função dos objetos. Esta união resulta em projeto funcional e demostra bom gosto, a estética se forma automaticamente ( MIJKSENAAR, 2009). O design é totalmente específico, não é apenas uma ilustração na capa de um livro, mas sim o projeto dele como um todo, tipografia, papel, formato entre outros. Design é projeto, não ilustração. A estética faz parte deste todo, mas não se pode trabalhar só com ela, pois ela é só um elemento da função do design (WOLLNER, 2005).


 
 

2.3.3. Redesign

O redesign tem como objetivo um processo de recriar um produto, mantendo sua essência inalterada, apenas fazendo alterações parciais e otimizando áreas pouco exploradas no modelo original, podendo enfrentar um novo mercado, e novos concorrentes. Expecificamente no caso estudado manter as características já preestabelecidas pelas empresas (MELO, 2007).
Para demonstrar melhor como o redesign é realizado, vamos utilizar um estudo de caso. Este trabalho foi realizado para uma empresa da cidade de Bauru. Foi analisado o logotipo da empresa (figura 03), utilizando os conceitos do design, para captar as características que a empresa empregou nela e, posteriormete, utilizar estas características como base para desenvolver um novo projeto de identidade visual.

 

 

Fig. 3 – Logotipo da Loja

 

 

Ao se analisar o logotipo encontra-se vários fatores negativos. À primeira vista, se verifica um conflito de tom de cores e de como elas foram usadas com pesos diferentes, o que atrapalha a leitura. Uns dos fatores que torna cansativa a leitura são os dois retângulos com as pontas arredondadas. O contorno branco no logotipo, o degradê nas extremidades superiores e inferiores que tentam dar destaque ao nome da loja, acabam sufocando-o. Tudo isso faz com que o cliente tenha uma percepção menor do nome e fixe as atenções nas duas palavras externas – “Eletrônica e som e acessórios”.
O ponto forte foi a escolha de se colocar a marca em itálico (letras inclinadas) fazendo referência à velocidade que, por sua vez, está ligada ao segmento automotivo, produto e serviço da loja. Porém, a mudança no espaçamento das letras foi um erro, uma vez que faz elas ficarem mais amontoadas, o que passa para o consumidor uma imagem negativa, como de aperto e bagunça na loja. Outro problema detectado é a presença de uma elipse sobrepondo algumas letras do logotipo, prejudicando assim a sua boa legibilidade.


 

3. Resultados

3.1 Identidade Visual

A Identidade visual é o conjunto de elementos formais que representa visualmente, e de forma sistematizada, um nome, idéia, produto, empresa, instituição ou serviço. Várias embalagens de um mesmo produto, se for programado visualmente no intuito de apresentar uma única forma, este produto tem uma identidade visual, na mesma forma que quando uma empresa apresenta a mesma imagem em vários tipos de itens como uniformes veículos e impressos, neste caso pode-se denominar tambem de identidade empresarial ou corporativa (STRUNCK, 1989).
De acordo com Daniel Raposo, se a marca gráfica não for usada de forma coerente e consistente ou se os elementos restantes da identidade não forem uma unidade, acaba-se por perder a logica do discurso gráfico que permite o reconhecimento dela. A marca gráfica não pode ser considerada publicidade ou banda desenhanda, portanto não tem a pretenção de transmitir todos os valores corporativos. Para demonstrar a qualidade do produto ou o serviço que a empresa presta, é papel da publicidade que deve explicar o posicionamneto da marca e de lhe atribuir significados ou valores.  
Na elaboração de uma Identidade Visual, deve-se considerar quatro principais elementos gráficos: logotipo, símbolo, cor e alfabeto. O Logotipo é a particularização da escrita de um nome através de uma tipologia inédita ou não.
O Símbolo é um elemento gráfico que, com o uso, passa a identificar um nome, idéia, produto ou serviço. Gilberto Strunck classifica os símbolos em dois grandes grupos: os abstratos e os figurativos. Símbolos Abstratos: Nada representam à primeira vista e seus significados devem ser apreendidos. Figurativos: Podem ser de três naturezas, os baseados em ícones, ou seja, aqueles que são fiéis ao que pretendem representar, os fonogramas são formados apenas por letras e não são logotipos, e os ideogramas aqueles desenhos que representam idéias ou conceitos. Nem todas as marcas necessitam de um símbolo, uma vez que sua idéia pode ser representada totalmente no próprio logotipo.
A Cor na identidade visual, com o uso, passa a ter mais importância do que o logotipo e o símbolo. Ela tem atributos que podem remeter aos aspectos da emoção e poder de fixação. Um exemplo é a cor do logotipo da Coca-Cola que é vermelha. O Alfabeto, que podemos definir neste caso, como Alfabeto Institucional, é aquele empregado para escrever todas as informações complementares numa Identidade Visual. A escolha da família de letras utilizadas para fazer os impressos da empresa em questão tem que ser totalmente condizentes com o logotipo estipulado para essa empresa, sendo utilizados em impressos administrativos, folhetos, cartazes entre outros.


 

3.2 Elaboração do logotipo

Os estudos demonstraram, que primeiro, é necessário inserir as palavras “som e acessórios”  (descrição das atividades)  no logotipo, pelo nome “MILPA” não se referir a som e sim as iniciais dos donos. A palavra “Eletrônica” foi tirada por criar uma confusão ao se agregar à marca, pois ela chamava mais atenção que o serviço principal da empresa que é aparelhagem de som.
No logotipo estabelecido (figura 04) nota-se semelhanças com o já existente da loja, como a curva em forma geométrica, que será explicada a seguir.  Não se pode fazer algo novo sem respeitar alguns parâmetros já existentes, porém pode-se alterá-los, tornando-os mais coerentes com a figura, e totalmente legíveis.

 

 

Fig. 4 – Logotipo proposto

 

 

Para demonstrar o porquê de essa solução ser a melhor para a loja, analisaremos a tipografia empregada na marca “MILPA”. Foi utilizada uma fonte sem serifa, caixa alta que demonstra modernidade e confiança, uma vez que a tecnologia de aparelhos de som se transforma muito rápido tornando-os multifuncionais. A utilização da tipografia em itálico demonstra agilidade e velocidade, que remetem aos conceitos dos automóveis atuais, como visto na figura 05. Ainda se verifica a preocupação em aplicar o mesmo artifício nas palavras “som e acessórios”, criando uma harmonia com o logotipo, figura 06.

 

 

Fig. 5 – Tipografia seleccionada e respectivas alterações

 

 

 

Fig. 6 – Tipografia seleccionada para o descritivo

 

 

Para completar o logotipo foram utilizadas duas curvas como acessórios gráficos nas extremidades do nome “MILPA”, como visto na figura 07.

 

 

Fig. 7 – Simbologia

 

 

Sem o nome da loja nas curvas, se nota a primeira ligação que ela faz com o ramo da empresa, formando a silhueta de um falante. Essa também faz alusão às ondas sonoras que um aparelho de som produz. Se o consumidor seguir a linha da parte fina até a parte grossa tentando ligar ao mesmo ponto da outra ele conseguirá ver a letra S, que faz referência a palavra som. Isolando uma dessas linhas se torna visível o aparecimento de uma corrente de energia que se liga a idéia de eletrônica, empregada nesse ramo de serviço.
Foi utilizado também outro artifício para que o símbolo se conectasse com o nome. Essa conexão lembra os cabos que são necessários para que o som funcione adequadamente localizando-os bem no centro das letras, como demonstrado na figura 08.

 

 

Fig. 8 – Pontos de relação/união entre formas

 

 

Juntando todos esses elementos, verifica-se a solução gráfica simples desse logotipo, com um conjunto de valores agregados pertinentes à atuação da empresa.
A relação entre as cores tem que ser harmônica, por isso, foram escolhidas as cores grafite e  vermelho. Esta relação é um fator importante, uma vez que as pessoas gravam mais as cores do que a própria marca, como explicado anteriormente. O grafite relaciona-se com as cores mais vendidas de automóveis que são o preto e a prata, e aos seus interiores, uma vez que, normalmente ele é escuro. O vermelho se relaciona com a grande gama de players para carros onde as luzes são vermelhas e dá um toque de requinte à marca.

 

4. Fachada

De acordo com o dicionário Aurélio (2007), a fachada compreende um prédio onde se encontra a porta de entrada, corresponde a uma das faces de uma obra arquitetônica. O termo também é usado para se referir a vista ortogonal da própria fachada, mas que também pode ser usado num corte do próprio objeto, vulgarmente a palavra é usada em referência à vista principal de um edifício, supostamente virada para a rua. O conceito de fachada é discutido por varias áreas, sendo elas a arquitetura, design e a engenharia civil. As fachadas são essenciais para o caráter comercial da cidade, trazendo informações, vitalidade e o fornecimento de um senso de direção no objetivo de indicar ao consumidor a empresa que ela busca.

 

4.1 Simulação da aplicação da identidade na fachada

Para início dos estudos de aplicação da nova identidade na fachada da empresa, teremos que analisar toda a estrutura do edifício. A primeira etapa foi estudar a estrutura física da loja se divide em dois prédios. Um tem dois andares onde está localizada a loja no primeiro piso e o estoque no segundo piso, contendo um elevador de cargas para facilitar o carregamento de produtos. Na sua frente existe um estacionamento para clientes com seis vagas. No segundo prédio, possui um estacionamento onde está localizada a oficina, que contém os materiais específicos para se obter um serviço rápido e eficaz, figura 09.

 

Fig. 9 – Fachada de loja

 

 

Antes da aplicação da nova identidade visual da empresa é importante uma análise de onde ela está localizada na cidade, destacando seus pontos fortes e fracos, para uma aplicação eficaz.
A loja está localizada na Avenida Nações Unidas, principal via cidade de Bauru, estado de São Paulo, que liga a cidade de norte a sul, especificamente na primeira quadra. Podem também ser avistadas duas avenidas importantes, Nuno de Assis, que liga a cidade de leste a oeste e a Janio Quadros, que se estende até à saída noroeste da cidade. Ela fica entre uma loja de Mult Portas e Janelas e uma garagem de venda de carros. A fachada da primeira da primeira é inteirinha em azul escuro como se vê na figura, com os detalhes em laranja e contem um bom trabalho de identidade visual. A garagem de venda de carros tem uma grade cinza e um luminoso retangular sem identidade visual definida. Na quadra da frente, há um supermercado que se estende até à esquina da quadra, com um formato que remete a rodoviária, que se localiza ali perto. Estas lojas chamam a atenção das pessoas quando passam por esta região em qualquer das avenidas.
Outro item importante é a velocidade permitida nas avenidas cuja máxima é de 50 Km/h, o que dificulta a leitura do usuário das informações nas fachadas. O cruzamento das avenidas de pista dupla, com semáforos, tanto para seguir em frente, como para fazer conversões, obrigam as pessoas a parar podendo assim observar melhor o ambiente ao seu redor. A fachada tem que ser desenvolvida de modo que não distraia o leitor, ou crie uma confusão, sendo perigoso, tanto para o motorista, como para o pedestre, isto é particularmente relevante em situações onde o tráfego está viajando a velocidades superiores a 50 km / h (Design Guide for Signs s. d.).
Devido a todas estas diretrizes do projeto de fachada e que se refere ao detalhe de todos os aspectos da fachada proposta, incluindo os materiais, mão de obra, detalhamento, instalação e iluminação, no intuito de todos esses itens traga um conforto visual e ambiental, no caso da iluminação houver uma preocupação com a pessoa que ali transita no período noturno (Design Guide for Signs, s.d.).
Como essa empresa é de médio porte, o designer tem que pensar em mudanças simples no prédio. Não adianta reformar o prédio por completo, a não ser que seja solicitado por parte da empresa, mas caso necessário deve-se buscar do auxilio de um arquiteto e engenheiro para que a mudança do espaço físico seja feita de maneira segura. Verificando todos os itens que influenciam a impressão que o consumidor tem da loja, foi definida a seguinte fachada, figura 10.

 

Fig. 10 – Fachada proposta

 

A única mudança feita na estrutura da loja foi na parte da garagem que a fachada se curva e conecta com o prédio. Além de um aspecto estético, faz referência às curvas do logotipo. Esta pequena mudança corrige um problema grande da fachada anterior, pois não deixa em dúvida que os dois prédios são uma única loja.
Toda parte frontal seria pintada de branco para dar um contraste com o logotipo que predominantemente é em grafite, fazendo com que qualquer informação secundária seja lida e compreendida rapidamente, como se verifica na fachada da garagem, onde estão escritos os serviços que a loja oferece em um tom de cinza. No mesmo tom, foi utilizado um acessório gráfico nas duas extremidades da fachada para formar uma parte em branco oval que se liga com as curvas vermelhas existentes no logotipo, remetendo o leitor a ondas sonoras. A linha vermelha que atravessa a fachada da empresa conecta as duas partes o que facilita o entendimento de um todo. Na parede lateral da garagem foi pintado o logotipo em cinza para que aquele que estiver na garagem fixe melhor a marca.
Outro item que definido foi à fixação de um totem na parte frontal esquerda da garagem, com seis metros de altura. A importância do totem é de indicar a localização da loja podendo ser visto de qualquer avenida. As letras seriam feitas em relevo contendo luz neon vermelha dentro. Como o totem é feito em alumínio, quando a luz for ligada a noite, ele vai refletir e deixar bem aparente o logotipo, fazendo referência aos detalhes luminosos do player do carro. As palavras “som e acessórios” e o telefone seriam adesivadas no totem. O detalhe vermelho na lateral são colunas de sustentação do totem que também remetem aos detalhes utilizados no logotipo, como visto na figura 11.

 

Fig. 11 – Totem proposto (fonte: projeto do autor)

 

Comparando as duas fachadas, a existente e a proposta, se nota a grande diferença que o trabalho de design proporciona, ajudando a diminuir a poluição visual e trazendo harmonia para a fachada da empresa, passando os mesmos conceitos que anteriormente eram desorganizados e mal aplicados.
 

 

5. Conclusões

A poluição visual pode ser amenizada com o trabalho do design informacional, organizando a imagem das empresas e materiais publicitários e proporcionando harmonia visual. Um logotipo bem definido, além de ajudar a fixar a marca, permite a diferenciação entre os concorrentes e a identificação dos serviços oferecidos pela empresa. Utilizar mão de obra não especializada compromete a visibilidade e compreensão das informações desejadas, além de contribuir para o mal estar visual do consumidor, tornando-se mais prejudicial que vantajoso.
A visualização e identificação da empresa pode ser otimizada pela organização mais eficiente dos elementos visuais de sua fachada. Analisar os fatores que envolvem a empresa permite que as informações sejam dispostas de forma clara e concisa, melhorando sua imagem, transmitindo o conceito de organização e credibilidade a empresa.
A comparação das duas fachadas, a existente e a proposta, figura 12, demonstram claramente que a unicidade e a informação bem trabalhada traz um agrado visual que não atinge só o cliente, mas todos aqueles que utilizam o espaço urbano. Pode-se verificar que a diminuição das informações verbais presentes na fachada não compromete a compreensão dos tipos de serviço realizados pela empresa. A diminuição das informações e organização das mesmas diminui a poluição visual em uma cidade, sem prejudicar a compreensão e destaque da loja frente aos concorrentes.

 

 

Fig. 12 – Comparação entre a fachada existente e a proposta

 

 

Referências bibliográficas

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DORFLES G. – Introdução ao Desenho Industrial., São Paulo – SP, Editora Edições 1990.

FORATTINI O. P. – Qualidade de vida e meio urbano. A cidade de São Paulo, Brasil. Rev. Saúde Pública v.25 n.2 São Paulo abr. 1991

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GOMES FILHO, J. – Gestalt do Objeto: Sistema de Leitura Visual da Forma. Escrituras Editora, 2000.

MELO, J. P. C. – Tendências – Redesign, o retorno de ícones que fizeram historia na industria automobilística, Autodiário. Acessado 10/01/2010 Disponivel em http://www.autodiario.com.br/conteudo/tendencias-redesign

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RONDINELLI  B. – ROCHA  J., LIMA E. L., A identidade visual da cidade – Largo do Machado. In: PUC, 2003. Acessado 03/05/2008 Disponivel em http://wwwusers.rdc.pucrio.br/ednacunhalima/2003_2_1/lgomarchado

STRUNCK G. – Identidade visual: a direção do olhar, Rio de Janeiro - RJ : Europa emp. Gráf, 1989.

STRUNCK G. – Como Criar Identidades Visuais Para Marcas de Sucesso, Rio de Janeiro - RJ : RIO BOOKS, 2001.

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Reference According to APA Style, 5th edition:
Silva, J. Nakata, M. Paschoarelli, L. Raposo, D. ; (2010) A contribuição do projeto de identidade corporativa na redução da poluição visual nas cidades. Convergências - Revista de Investigação e Ensino das Artes , VOL III (5) Retrieved from journal URL: http://convergencias.ipcb.pt