Vegetação vs. Satisfação

Vegetation Vs. Satisfaction

Nunes, C.

CIAUD - Centro de investigação em Arquitetura, Urbanismo e Design

Retirado de: http://convergencias.esart.ipcb.pt

RESUMO: Pretende o presente artigo reflectir sobre o tema «vegetação versus satisfação», na perspectiva da indução da qualidade de vida aquando da vivência de um jardim.

 

PALAVRAS-CHAVE: Vegetação; Satisfação, Jardim.

 

ABSTRACT: This article intends to reflect the theme «vegetation versus satisfaction», concerning the induction of the life quality in the experience of a garden.

 

KEYWORDS: Vegetation, Satisfaction, Garden.

1. Introdução

No número 4 da Revista Convergências, o autor reflectiu sobre a temática «Homem, satisfação e bem-estar», no artigo intitulado “O Design da Paisagem Citadina enquanto Espaço Cultural e Emocional”.
Satisfação, bem-estar, necessidade, qualidade de vida e saúde estão intimamente ligados, mas não serão o enfoque do presente artigo, pretendendo antes continuar a explorar o tema da satisfação, direccionada para o elemento de excelência na composição dum jardim, isto é, a vegetação.
A qualidade do design da paisagem citadina, nomeadamente dos espaços verdes (jardins e parques urbanos), é o ponto fulcral para induzir a satisfação das pessoas. Essa qualidade pode ter impactes significativos no bem-estar bio-psico-social do Homem [1] [2].

 

 

2. Satisfação

RIBEIRO TELLES (2003) refere a necessidade de recriar a paisagem e o jardim, tendo por base as necessidades presentes da população -“Há que recriar a paisagem e o jardim à escala actual da cidade e das necessidades da sociedade contemporânea.” [3]
A satisfação das necessidades humanas, segundo Abraham H. Maslow, são e por ordem decrescente de importância: fisiológicas, segurança, sociais, estima e realização pessoal.
Primeiro há que satisfazer as necessidades primárias como as fisiológicas (exemplo geral, e.g., fome e sede, afim de manter a homeostasia), para depois tentar-se satisfazer as de ordem de segurança (e.g. física, familiar, saúde, etc.).
Sucessivamente, é necessário satisfazer as secundárias: do foro social, existe a necessidade de pertença a um grupo (trabalho ou afectivo) e em que se incluem as actividades recreativas, desportivas e culturais. Satisfeita a anterior necessidade, o Homem necessita de ser reconhecido e valorizado pelos outros (liberdade, confiança, posição, domínio, apreciação, importância, auto-estima). Por fim, atinge-se a necessidade de auto-realização (plena satisfação pessoal). [4]
Vários são os estudos que apontam o supramencionado, embora atribuindo outras definições/conceitos, dependendo da área de estudo dos autores e targets, mas que, no fundo, convergem nas atribuições de Maslow – ver Quadro 1.

 

Quadro I – Comparação entre alguns estudos na área da satisfação, bem-estar e qualidade de vida e qualidade dos espaços exteriores (e respectiva descrição e target)

 

3. Estudos no campo da vegetação e jardins

De uma forma geral, com a industrialização dos países ocidentais (a partir do século XIX), começou a ser necessário construírem-se habitações para as pessoas que migravam do campo para as cidades fabris. Este facto teve efeitos na diminuição da qualidade de vida. Face às inúmeras condições de inabitabilidade [13] sentidas no mesmo século (inicialmente em Inglaterra e EUA), começa-se a criar grandes parques públicos, desempenhando estes um papel terapêutico, ao promover o bem-estar do indivíduo (satisfação das exigências de recreio, higiene, educação [14]), ou seja, recriando ambientes saudáveis na urbe (exemplo geral, e.g., criação do Central Park, em Nova Iorque; e Birkenhead Park, em Inglaterra). [15]
Os ecopsicologistas sustentam a ideia de que o contacto do Homem com a natureza resulta de milhões de anos de evolução em permanente contacto com ela. A industrialização e urbanização desligaram o Homem do meio ambiente natural, trazendo com elas problemas emocionais e físicos:

Nós somos, profundamente, criaturas do campo, mesmos que cada vez menos vejamo-lo, comparativamente com outrora”. [16]

Os benefícios dos espaços verdes junto do Homem são conhecidos há centenas de anos, proporcionando conforto aos seus utentes, bastando, para isso, a existência de áreas relvadas, com plantas sazonais, sítios para andar/sentar, e oferecendo zonas solarengas (como acontecia nos jardins terapêuticos dos hospitais da Idade Média). [17]
As árvores e as plantas em geral são mencionadas em vários estudos como sendo um elemento de composição do espaço que assume grande relevância em jardins e outros locais (rua, hospitais, praças, etc.).
Segundo um estudo efectuado por Jill Billington e a Royal Horticultural Society, as qualidades mais significativas de um jardim capazes de intervir no humor dos utentes do espaço são, por ordem decrescente de importância: [18]

  • Plantas: flores, cor, verdura, antiguidade duma árvore, mudança sazonal;
  • Elementos que envolvem os sentidos: visão, audição, olfacto e tacto - animais, vento/ar fresco, água, momentos de silêncio, luz/ Sol, formas, fragrâncias;
  • Aspectos sociais/psicológicos: agradabilidade, escape do trabalho, privacidade, companheirismo, observação de visitantes;
  • Qualidades visuais relacionadas com as plantas: desenho da paisagem atractivo, vistas, variedade de elementos, contraste de texturas, qualidade, diferentes formas e tamanhos;
  • Elementos práticos: bancos, boa manutenção, acessibilidade, caminhos.

As plantas são um dos elementos que mais atenção desperta num jardim. Esta inunda o transeunte de sensações, conferidas pela sua cor, textura e cheiro: “O tipo de emoções despertas pelas plantas dos jardins num visitante sensível é comparado aos sentimentos estimulados pela música num ouvinte atento.” [19]
Um estudo piloto, realizado por Sue Jackson, em 2003, na Universidade de Newcastle, concluiu ser positiva a presença de árvores num parque/jardim e que o balanço entre a sombra e a luz do Sol, gerado por estas na redução da luminosidade, facilitava o olhar em várias direcções, contribuindo para o deleite da paisagem. Por sua vez, vistas não permeáveis desencadeavam receios e medos. [20]
Por exemplo, a utilização de cores quentes e texturas aumentam a percepção das componentes do espaço em pessoas com visão empobrecida (induzindo a estimulação visual).

 

Fig. 1 e 2

 

Um estudo americano defende que os habitantes de Chicago que habitam perto de árvores são mais sociáveis, mais seguros e menos violentos. Outros estudos, realizados pela Universidade de Essex, referem que o ter vistas sobre uma paisagem rural reduz significativamente a pressão sanguínea, e o exercício em espaços verdes protege de futuras situações de stress, aumenta a auto-estima e diminui a incidência da depressão [21]. Outros estudos indicam que pessoas sem uma componente social activa possuem mais stress (por exemplo, acarretando problemas no sistema imunológico) [22].
Estudos efectuados por Roger Ulrich (Universidade A&M), mediante o resultado obtido na amostragem de cenários de paisagens verdes e paisagens urbanas a participantes, revelaram existir menos stress (por medição da actividade do cérebro) aquando da visualização dos primeiros cenários, manifestando o efeito positivo da paisagem natural, em termos de bem-estar físico e psicológico [23]. Este factor é constante, independentemente da idade, classe socio-económica, educação ou cultura. De facto, um parque ou jardim cumpre papel preferencial: “ é evidente…que o contacto com o mundo natural possa oferecer benefícios à saúde. Talvez isto reflicta os nossos hábitos/aprendizagens mais remotas, preferências e gostos, que possa ter eco nas nossas origens enquanto criaturas selvagens.” [24]
Assim, na criação de um espaço verde, a vegetação é entendida como o elemento fulcral na sua composição. Saber tirar partido deste julga-se importante na indução da satisfação das necessidades do Homem - à vegetação é atribuída uma grande parte da responsabilidade na satisfação da população, em jardins.
No entanto, este elemento de composição de um jardim deverá primar pela sua qualidade estética e funcional. Ou seja, a localização, a cor e forma, etc., das plantas deverá desempenhar aspectos “positivos” aos seus utentes. Por exemplo, não deverá constituir barreira física à progressão no espaço. Igualmente, não criar situações demasiado fechadas podendo potenciar situações de vandalismo ou roubo.
Propõe-se, à posteriori, o estudo pormenorizado deste elemento em consonância com as características (cor, textura, linha, forma) e princípios do desenho (unidade, variedade, harmonia, ênfase, balanço, escala, ritmo).
Mas, primeiro importa enunciar as funções das plantas, de modo a perceber as potencialidades das mesmas, na indução da satisfação do Homem num jardim.

 

 

4. Vegetação

Às plantas são atribuídas as seguintes funções:


a) Funções arquitectónicas

As plantas de jardim assumem-se como elemento arquitectónico na paisagem. Pela sua cor, forma, textura, densidade, estruturas e volumes, permitem a privacidade, criam cenários, revelam vistas, organizam o espaço, equilibrando a composição de volumes construídos com a introdução de adequados volumes ou superfícies de vegetação, etc. Segue-se o quadro ilustrativo das funções das plantas em jardins – Quadro 2.

 

Quadro II – Funções Arquitectónicas das Plantas [25]

Fig. 3 e 4

 

b) Funções de protecção

As plantas possuem diversas funções de protecção (quadro 3) destacando-se, entre outras, as seguintes: controlo do vento, através da utilização de sebes que assegurem a sua diminuição de velocidade; controlo do Sol, através do ensombramento e da intercepção de raios luminosos indesejados; controlo da erosão, por fixarem superfícies do solo e margens de zonas de água; controlo da poluição, por fixarem gases e poeiras; controlo do ruído, quando em maciço provocam o isolamento sonoro; etc. Na concepção de jardins destinados a pessoas mais frágeis/debilitadas (e.g. crianças, idosos, doentes), torna-se necessária a criação de um microclima favorável à utilização do espaço para um maior conforto humano, pelo que a utilização correcta das plantas para o controlo dos elementos do clima é importante.

 

Quadro III – Funções de Protecção das Plantas, em termos de controlo [26]

 

 

Fig. 5 e 6

 

 

c) Funções estéticas

O saber explorar e enfatizar as características das plantas no que respeita à sua forma, cor, textura, etc., valoriza a componente estética do desenho de plantação tornando mais agradável a vivência de um jardim (quadro 4).

 

Fig. 4

Quadro IV – Funções Estéticas das Plantas [32]

 

Fig. 7 e 8

 

d) Funções psicológicas e sociais

Estudos recentes comprovam que as plantas possuem uma acção psicológica positiva sobre o Homem ,na medida que estimulam a consciência das mudanças sazonais e mantêm o paciente em contacto com o mundo; promovem o estímulo sensorial por possuir cor, textura e forma; estimulam a memória e a comunicação em idosos, doentes mentais, etc.; providenciam o interesse e a alegria por atraírem pássaros, borboletas e outros animais; conferem caminhos com pontos de interesse, encorajando o andar e a mobilidade no espaço exterior; e providenciam material para a horticultura terapêutica [33]. Esta acção psicológica traduz-se na melhoria da saúde e no bem-estar do indivíduo.
Assim, grupos de estudiosos de diferentes áreas, entre os quais arquitectos paisagistas, estão a especializar-se na «paisagem que cura», a qual avalia o impacte dos jardins no processo de cura e na saúde dos pacientes, familiares e funcionários de clínicas, hospitais, lares, entre outros.
Seguem-se exemplos de estudos que comprovam o papel relevante que as plantas desempenham na promoção do bem-estar do indivíduo:
Um estudo efectuado, a cargo do psicologista ambiental Roger S. Ulrich (Texas A&M University), em dois grupos de pacientes que recuperavam após a mesma cirurgia, no mesmo hospital, concluíram que a recuperação pós-cirúrgica era mais rápida nos pacientes que dispunham de quartos com janela para o exterior ajardinado, enquanto que os que não dispunham de janela levaram mais tempo a sair do hospital. [34]
A equipa do Centro Médico Regional do Bom Samaritano de Phoenix (Arizona, EUA) mandou construir um jardim propositadamente para auxiliar o processo de cura dos seus pacientes e concluiu que se conseguia eliminar o stress destes apenas pelo simples facto de se apreciar o crescimento das plantas no jardim e que, por vezes, era suficiente ter visibilidade para o jardim a partir do interior das instalações, através das janelas. O bem-estar do doente era também conseguido através da prática do exercício em actividades de passeio ou manutenção do jardim (horticultura terapêutica). [35]
Estudos em pacientes socialmente isolados ou moderadamente isolados revelaram maior risco em serem re-hospitalizados. Assim, factores como o grau de isolamento, condições de saúde física e saúde mental ditam o risco de re-hospitalização.[36

 

Fig. 9 e 10

 

Um projecto de caridade inglês (Rosie Hallam, Directora do «Restore», Oxford), visando a população idosa, atribuía temporariamente uma parcela de terreno («allotment») aos seus participantes idosos, os quais contavam com a ajuda de supervisores e jardineiros que auxiliavam o cultivo de flores e/ou legumes. Este teve uma grande adesão dos reformados que viam nesta actividade uma forma de ganhar algum dinheiro com a venda dos seus produtos, além de  ganharem confiança nas suas capacidades e ao mesmo tempo desenvolverem relações com a comunidade. [37]
O desenho terapêutico e a terapia através da horticultura terapêutica estão a ser implementados nos espaços verdes. As investigações nesta área estão a aumentar, especialmente nos EUA, estando ainda muito por saber acerca da relação entre o desenho e as plantas, e a resposta humana. [38]

 

e) Funções recreativas e lazer

As plantas, ao proporcionarem espaços agradáveis à sua utilização, possuem importância do ponto de vista didáctico, cultural e científico. Permitem actividades de rappel, orientação, pinball, campismo, entre outras, em perfeita harmonia com a natureza.
Providenciam espaços agradáveis às caminhadas. Segundo um estudo, divulgado no «New England Journal of Medicine», andar cerca de 3km diariamente pode reduzir, para metade, a taxa de mortalidade em sexagenários, além de providenciar um incremento de Vitamina D, diminuir a degeneração muscular e a apatia [39].
A presença de espaços dispondo de árvores e zonas de relvado (jardins/parques), podem motivar a saída de casa e à socialização - estabelecimento da comunicação presencial entre indivíduos – sendo a perspectiva desta relação reforçada e referenciada em vários estudos como indutores de saúde, inclusive mental. A proximidade dos espaços à habitação revela-se também importante, pois a familiaridade e o reconhecimento destes são geradores de conforto. [40]

 

Fig. 11 e 12

 

f) Funções ecológicas e de conservação

As plantas assumem especial importância na manutenção dos ciclos biológicos em equilíbrio, proporcionando estrutura verde para a existência de vida vegetal, incluindo a nível microbiano, e vida animal ao proporcionarem alimento, abrigo e desempenharem um papel na reprodução das espécies (e.g. os aromas e as cores das flores atraem os insectos induzindo à polinização).
As plantas providenciam matéria orgânica ao solo através das suas partes constituintes, tais como casca, palha, madeira, etc., protegendo o sistema radicular e o solo, diminuem a evaporação da água no solo, aumentam a retenção da água na raiz, diminuem o crescimento das herbáceas indesejáveis, diminuem a temperatura do solo, aumentam a fertilidade e corrigem o pH do solo. [41]

 

Fig. 13 e 14

 

g) Funções económicas e produtivas

As plantas permitem a caça e a pastagem, providenciam alimento ao homem, geram postos de trabalho, produzem madeira, lenha e cortiça, constituindo fonte de receitas, ou ainda permitem a extracção das essências com que são feitos os perfumes.
A produção de energia através das plantas é uma fonte económica em ascensão, principalmente nos países do norte da Europa. A energia pode ser obtida através da queima de plantas muito ricas em energia, e da queima de material provenientes de desbastes, estilhaçamento à margem da estrada, resíduos e árvores residuais após corte final e árvores e povoamentos não comercializáveis [42]. Através das plantas, é possível produzir-se combustível - 80% dos veículos no Brasil dependem da cana-de-açúcar e nos Estados Unidos da América, do milho [43].

 

Fig. 15 e 16

 

h) Funções medicinais

Até meados do séc. XVII, a botânica médica regia-se pela doutrina das assinaturas (ou teoria dos sinais), na qual se acreditava que Deus havia deixado uma marca em tudo o que criara, para que o Homem pudesse reconhecer as Suas dádivas. Assim, as virtudes das plantas estavam associadas às suas características morfológicas, como a cor e a forma (e.g. fruto da nogueira com semelhança ao cérebro, daí ser recomendado para tratar o sistema nervoso; plantas de floração amarela curavam a icterícia, uma vez que os sintomas da doença eram o amarelecer do doente [44]). [45]
Desde o progresso da investigação química e farmacêutica que se tornou desnecessário recorrer à intuição ou à tradição, e que muitas das vezes falhava, dado os níveis de toxicidade que as plantas apresentam variar com a dosagem administrada.

 

Fig. 17 e 18

 

 

5. Conclusões

Às plantas são atribuídas as seguintes funções: arquitectónicas, de protecção estéticas, psicológicas e sociais, recreativas e lazer, ecológicas e conservação, medicinais, económicas e produtivas.
As texturas, as formas, as cores, etc., das plantas, devidamente localizadas num jardim (criando unidade, ritmo, harmonia, etc.), podem, provocar no observador, um efeito relaxante ou um efeito enérgico, também o afastamento ou a atracção num espaço.
De uma forma geral, atribui-se à vegetação os seguintes elementos de composição do espaço: [46]

  • Cor: as plantas oferecem um espectro de cores mutável ao longo das estações do ano. Está presente nas flores, folhas, cascas, frutos, etc. Pode ser usada para explorar o humor e a atmosfera [47];
  • Forma: através do “preenchimento” da cor, apreendem-se as formas associadas às plantas, como as das folhas de plátano, frutas, flores, caules, etc.;
  • Contraste: particularmente importante nos indivíduos com deficit de visão (e que ainda possuem alguma visão residual). Há que considerar as marcações de espaços, como orlas de caminhos, com maciços de flores, árvores/arbustos; 
  • Padrões: padrões aleatórios e regulares (como a implantação de uma alameda de árvores, num caminho principal que conduz à saída do jardim) podem dinamizar o espaço, criar percursos e ritmos, auxiliando o processo de Wayfinding [48], evitando situações de perigo, de stress e/ou ansiedade [como referem alguns estudos da Inclusive Design for Getting Outdoors (I'DGO) [49]; Wellbeing in Sustainable Environments (WISE) [50]; e as pesquisas publicadas no Livro Inclusive Urban Design – Streets for Life de BURTON & MITCHEL (2007) [51].

Note-se que um dos principais problemas que afectam os profissionais habilitados a trabalhar com o elemento vegetal, é saber o modo como as plantas se comportam no estado adulto, uma vez serem necessários vários anos, senão décadas, entre o período da sua plantação/sementeira e o atingir do seu porte máximo.
Saber detalhadamente como as plantas afectam a satisfação do transeunte de um jardim é importante, de modo a que se utilize o elemento vegetação num jardim de um modo satisfatório para quem nele transita ou permanece.
Assim, estudos aprofundados deverão ser realizados de modo a tirar-se o máximo partido das funcionalidades da vegetação, no que respeita à satisfação da vivência no espaço jardim.
Com o exposto, propõe-se o estudo pormenorizado deste elemento em consonância com as características (cor, textura, linha, forma) e princípios do desenho (unidade, variedade, harmonia, ênfase, balanço, escala, ritmo), matéria a desenvolver em próximos artigos.

 

Notas e Referências bibliográficas

[1] NUNES, C (2008). Design de Espaços Exteriores. Concepção de Parques e Jardins Adaptados à Terceira Idade. Lisboa: Faculdade de Arquitectura, pp. 288-293.
[2] FULLER, R.A.; GASTON, K.J.; MACDONALD, C.; LORAM, A. (2007) . Urban domestic gardens (XI): variation in urban wildlife gardening in the United Kingdom. Biodivers Conserv 16:3227–3238, p.3227.
[3] TELLES, G.R. (2003, Agosto-Setembro). A Paisagem Urbana do Futuro. Jornal Espaços Verdes, n.º 19, ano 3, p.14
[4] VÁRIOS (2009). Gestão do Comércio (segunda parte). Sessão 17. Micro MBA de Gestão Empresarial. Almada: Capacidade Lógica, Pp. 43-48. 
[5] ALVES, F.M.B. Avaliação da Qualidade do Espaço Público Urbano. Proposta Metodológica. Lisboa: Instituto Superior Técnico, Universidade Técnica de Lisboa, 1996, pp. 290-300
[6] ÁGUAS, S.; BRANDÃO, P.; CARRELO, M. (2002). O Chão da Cidade, Guia de Avaliação do Design de Espaço Público. Lisboa: Centro Português de Design, pp. 186-193.
[7] BURTON, E.; MITCHELL, L. (2007) Inclusive Urban Design-Streets for Life. Oxford: Elsevier, Architectural Press, p.50.
[8] FLANAGAN, J. C. (1978). A research approach to improving our quality of life. American Psychologist; 33: 138–147 (in CRIST, P.A. Does Quality of Life Vary with Different Types of Housing Among Older Persons? A Pilot Study. The Haworth Press, Inc. Aging in Place: Designing, Adapting, and Enhancing the Home Environment, p.103)
[9] FLANAGAN, J. C. (1982). Measurement of quality of life: Current state of the art. Archives of Physical and Medical Rehabilitation 1982; 63: 56–59 (In CRIST, P.A. Does Quality of Life Vary with Different Types of Housing Among Older Persons? A Pilot Study. The Haworth Press, Inc. Aging in Place: Designing, Adapting, and Enhancing the Home Environment. p.103)
[10] SOUSA, L; GALANTE, H.; FIGUEIREDO, D.(2003). Qualidade de Vida e Bem-Estar dos Idoso: Um Estudo Exploratório na População Portuguesa. Saúde Pública 2003:37(3):364-71, p.368.
[11] YI-FU TUAN (1980). Topofilia: um estudo da percepção, atitudes e valores do meio ambiente. São Paulo: Ed. Difel, p. 107
[12] NORBERG-SCHULZ, C. (1986). Genius Loci – Paesaggio Ambiente Architettura. Milano: Electa, p. 202.
[13] Conceito contrário ao de habitabilidade - conceito de qualidade do ambiente urbano “reflexo do grau com que o ambiente facilita a satisfação de quaisquer necessidades dos seus habitantes, ou evita a frustração em relação às mesmas” (in SILVA, F.J.C.M. (2000). Cor e Espaço: Quantidade e Qualidade. Lisboa.p.4)- dado o desconforto, falta de diversidade, falta de acessibilidade, ilegibilidade e rigidez da urbe (in SILVA, F.J.C.M. (2000). Cor e Espaço: Quantidade e Qualidade. Lisboa.pp.7-8), factores que podem ser minimizados com a existência de um jardim/parque bem concebido, proporcionando um efeito simbólico de contraste e desafogo da intensidade das actividades centrais urbanas (in SILVA, F.J.C.M. (2000). Ob. Cit. Lisboa, p.9)
[14] ALMEIDA, A. L. B. S. S. S. L. (2001). O Uso das Plantas nos Jardins – A Evolução da Ciência ao Ornamento. Lisboa: Universidade Técnica de Lisboa, Instituto Superior de Agronomia, SAAP, p.58.
[15] THOMPSON,C. W. (2006, 24 e 25 Março). Da Paisagem do Jardim Inglês ao Parque Urbano: Temas Comuns num Mundo em Mudança. Parques Urbanos. Manual de Boas Praticas. Porto: CMP, p.46
 [16] “we are, deep down, creatures of the countryside, even if most of us see less of it than ever before”. In VÁRIOS (2005). Life and Culture - The Force of Nature. London: The Independente, 29-08-05
 [17] WHITEHOUSE, A.; VARNI, J.W.; SEID, M.; COOPER-MARCUS, C.; ENSBERG, M. J. ; JACOBS, J.;  MEHLENBECK, R.S. (2001). Evaluation a Children´s Hospital Garden Environment: Utilization and Consumer Satisfaction. Journal of Environmental Psychology (2001) 21, 301-314, p.301.
[18] BILLINGTON, J. (2000). New Classic Gardens – A Modern Approach to Formal Design. London: Royal Horticultural Society, Quadrille Publishing Limited, p. 55.
[19] CASTEL-BRANCO, C. A. O apelo aos sentidos no jardim: a luz, a cor e o cheiro das plantas, p. 309 (in VÁRIOS (2000). III Encontro Nacional de Plantas Ornamentais - Comunicações. APH - Associação Portuguesa de Horticultura. Viana do Castelo: Auditório do Instituto Politécnico de Viana do Castelo)
[20] JACKSON, S. (2004, Abril). A Forgotten Group? (Health). London: Green Places, p. 26
[21] VÁRIOS (2005). Life and Culture - The Force of Nature. London: The Independente, 29-08-05
[22] MARCUS, C.C. (2005, Nov.). Help with Healing. London: Green Places, p. 27.
[23]LOWETAL, N. (2005). The Green City: Sustainable Home, Sustainable Suburbs. London: Rout Ledge – UNSW Press, p.81.
[24] “there is evidence…that contact with nature world-may offer health benefits. Perhaps this reflects ancient learning habits, preferences and tastes, which may be echoes of our origins as creatures of the wild”. in LOWETAL, N. (2005). The Green City: Sustainable Home, Sustainable Suburbs. London: Rout Ledge – UNSW Press, p.80.
[25]ROBINETTE, G. O. (1972). Plants/People/and Environmental Quality. American Society of Landscape Architects Foundation, Washington, D.C., p. 11-32.
[26] ROBINETTE, G. O. (1972). Ob. Cit., p.33-101.
[27] resultante do embater da luz com uma superfície reflectiva de origem natural (água, areia, rocha, etc.) ou artificial (vidro, metal, tijolo, pedra,  cimento, asfalto, elementos arquitecturais ou suas cores, etc.)
[28] MAGALHÃES, M. M. C. C. S. R. (1992). O Clima e o Microclima como Factores de Ordenamento do Território – Relatório para uma Aula da Disciplina de Ordenamento do Território. Provas de Aptidão pedagógica e Capacidade Científica, UTL, Instituto superior de Agronomia, SAAP, Lisboa.
[29] CURADO, M. J. D. (1994). As Sebes de Compartimentação - O Caso do Baixo Vouga (Relatório do Trabalho de Fim de Curso de Arquitectura Paisagista). UTL, Instituto superior de Agronomia, Lisboa, p. 27.
[30] Idem, ibidem, p. 24.
[31] Idem, ibidem, p. 30.
[32] ROBINETTE, G. O. (1972). Ob. Cit., p. 103-125.
[33] A Horticultura Terapêutica é um ramo da agricultura relacionada com a produção dum produto independentemente de ser uma cultura alimentar, planta ornamental, erva aromática ou medicinal, e que ocorre em jardins, estufas, quintas, pomares, zonas urbanas, quintais, varandas, etc. A Terapia Ocupacional mediante a prática da Horticultura Terapêutica trás consigo benefícios no plano social, intelectual, emocional e físico das pessoas. [in GARÇÃO, B.M.S. (1997). A Horticultura Terapêutica e a Profissão de Terapêuta Hortícola. Lisboa : Universidade Técnica de Lisboa, Instituto Superior de Agronomia, pp. 2 e 14-18].
[34] DANNENMAIER, M. (1995, Janeiro). Healing Gardens. Landscape Architecture, Vol. 85, N.º 1, p. 58.
[35] THOMPSON, J. W. (1998, Abril). A Question of Healing. Landscape Architecture, Vol. 88, N.º 4, p. 71.
[36] JARVIK, L. et al. (2001, Outubro). Social isolation predicts re-hospitalization in a group of older American veterans enrolled in the UTBEAT Program. International Journal of Geriatric Psychiatry, Vol.16, n.º 10, Wiley, pp. 950-959.
[37] STOTT, M. (1990, Janeiro). Future Work. Restore – Growing Plants and Healing Minds. Town & Country Planning, pp.31-32.
[38] MARTIN, F. E.  (2002). Doctor´s Diagnosis. Landscape Architecture, Vol. 92, N.º 12, pp. 82-84.
[39] BENNETT, P. (1998, Março). Golden Opportunities. Practise. Landscape Architecture, p. 50.
[40] Idem, Ibidem, p. 55 .
[41] ALMEIDA, A. L. B. S. S. S. L. (2001). Estudo para a Elaboração de um Plano de Plantação - Contributo para a Aplicação do Material Vegetal em Projecto de Arquitectura Paisagista. Lisboa: Universidade Técnica de Lisboa, Instituto Superior de Agronomia, SAAP, p.26.
[42] MOREIRA, J. M. F. (1994). Sistemas de Exploração para o Aproveitamento da Biomassa Vegetal para a Obtenção de Energia. Lisboa: UTL, Instituto superior de Agronomia, Lisboa, p. 11.
[43] VÁRIOS (1991). Maravilhas da Ciência. Selecções do Reader´s Digest, p. 108.
[44] VÁRIOS (1998). As Plantas que Curam - Enciclopédia das Plantas Medicinais. Lisboa: Planeta de Agostini, p. 118.
[45] OLIVEIRA, M.J.F.C.C. (1991). Biologia e Utilização das Plantas Aromáticas e Medicinais da Região Mediterrânica. Lisboa: UTL, Instituto Superior de Agronomia, pp. 36-47. ALMEIDA, S. C.(1997). A Vegetação no Jardim do Cerco-Proposta de Reabilitação. Lisboa: UTL, Instituto Superior de Agronomia, p. 36.
[46] http://www.sensorytrust.org.uk/information/factsheets/sensory_ip.html
[47] BILLINGTON, J. (2000). New Classic Gardens – A Modern Approach to Formal Design. London: Royal Horticultural Society, Quadrille Publishing Limited, p. 55
[48] O wayfinding é o processo que engloba a escolha de um caminho num ambiente construído e os elementos do design que o ajudam nessa tomada de decisão. A cor é um meio eficaz de comunicação e a ser usado para criar sistemas eficazes de wayfinding, para projetar espaços exteriores amigáveis, acessíveis, seguros, isto porque as cores podem criar identidade, criando associações imediatas nos indivíduos, servindo de alerta e de reconhecimento de espaços [GIBSON, D. (2009). The Wayfinding Handbook: Information Design For Public Places. New York: Princeton Architectural Press, p.94]. “Navegar” no espaço envolve quatro fases: orientação; escolha da rota; observação da rota; reconhecimento do destino [http://design-ergonomia.blogspot.com/search/label/Wayfinding].
[49] http://www.idgo.ac.uk/design_guidance/open_spaces.htm
[50] http://www.brookes.ac.uk/schools/be/oisd/sue/wise/ (acedido a 27-02-2010) 
[51] BURTON, E.; MITCHELL, L. (2007). Inclusive Urban Design-Streets for Life. Oxford: Elsevier, Architectural Press, p. 160.

Reference According to APA Style, 5th edition:
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