A obra Tardo-Gótica do Mestre Mateus Fernandes nos Finais do Século XV e os primeiros anos do século XVI

The Late Gothic work of Mestre Mateus Fernandes at the end of the 15th century and the early years of the 16th century

Silva, R.

IPCB/ESART - Escola Superior de Artes Aplicadas do Instituto Politécnico de Castelo Branco

Retirado de: http://convergencias.esart.ipcb.pt

RESUMO: O presente artigo versa sobre a Arquitetura Tardo-Gótica do Mestre Mateus Fernandes nos finais do Século XV e os primeiros anos do século XVI, nomeadamente da importância do mosteiro de Santa Maria da Vitória (Batalha) e dos esquemas geométricos usados então.

 

PALAVRAS-CHAVE:  Arquitetura Tardo-Gótica; Mestre Mateus Fernandes; Séculos XV e XVI; Mosteiro de Santa Maria da Vitória; Esquemas geométricos.

 

 
ABSTRACT: This article deals with the Late Gothic architecture of Mestre Mateus Fernandes at the end of the 15th century and the early years of the 16th century, in particular the importance of the monastery of Santa Maria da Vitória (Batalha) and the geometric schemes used at the time.
 
 
KEYWORDS: Late Gothic Architecture; Master Mateus Fernandes; Centuries XV and XVI; Monastery of Santa Maria da Vitória; Geometric schemes.

1. O mosteiro de Santa Maria da Vitória (Batalha): um estaleiro de aprendizagens e de difusão ao largo do século XV

O mosteiro da Batalha, ao longo de todo o século XV, continua a ser um estaleiro de referência de formas arquitectónicas, tornando-se numa verdadeira escola de arquitectura. Só desta forma se pode entender o elevado número de canteiros que se difundem por todo o território, oriundos deste magno estaleiro régio, levando consigo ensinamentos técnicos e novas formas decorativas para outros pontos da nossa geografia. Exemplo dessa viagem das formas [1] é a igreja do mosteiro da Graça em Santarém (fund.1380 - c.1450), onde se denota uma construção situada na órbita de influência do ciclo batalhino e, segundo Vítor Serrão, esta obra é uma imediata ou contemporânea derivação do figurino da Batalha [2].
O estaleiro do Mosteiro de Santa Maria da Vitória foi fundamental para a entrada em Portugal da arquitectura tardo-gótica. Edificado por um voto de D. João I, no ano de 1388 [3], tem como primeiro mestre-de-obras Afonso Domingues, a quem coube delinear as primeiras linhas arquitectónicas, embora dentro de um gosto tradicionalista gótico, facto, aliás, verificado por Mário Chico [4]. Contudo, desde muito cedo, a obra reveste-se de um elevado grau de importância, como é visível na crónica de Cristóvão Acenheiro (1535), onde se destaca a necessidade que D. João I teve de requisitar mestres de pedraria e gramdes officiais para trabalharem no estaleiro batalhino. Desta feita, o rei, ao erguer grandiosa obra que deveria destacar-se da restante arquitectura do reino [5], alicia mesteirais de além fronteiras através do acto de pregão, conforme relata Cristóvão Acenheiro na sua crónica:

“ (…) mãodou El Rei noteficar pelas partes de Espanha que tinha obra pera fazer de pedraria, que todos os Mestre que viesem que lhe daria sete anos que fazer e lhe pagaria a vimda e a yda de suas terras: e a esta noteficação vierão muitos Mestre de pedraria, e gramdes officiaes, e a fizerão segumdo dito he (…)” [6]

Segundo o cronista, o lançamento do pregão régio traz a este estaleiro um vasto contingente de homens oriundos de várias partes da Europa. Esta presença estrangeira no estaleiro não se verifica somente nos anos seguintes ao pregão régio, mas sim ao longo de todo o século XV e inícios da centúria seguinte. Como comprova a documentação, isto acarreta, inevitavelmente, uma mudança nas formas arquitectónicas, também apontada por José Custódio da Silva, quando menciona que os modelos introduzidos num determinado ponto da Península depressa se difundiram e facilmente se assimilam [7].   
De facto, encontramos no século XV uma vasta presença de mão-de-obra estrangeira no complexo arquitectónico da Batalha e, conjuntamente com os operários nacionais, destaca-se a existência de dois patamares de mão-de-obra de distinta qualidade: um primeiro grupo de trabalhadores, engloba a estrutura laboral regional e nacional, que não detém uma especificidade dentro da hierarquia do estaleiro, assumindo, por isso, cargos como os de carreteiros ou caboqueiros; o segundo grupo é coincidente com o elevado grau de precisão na mestria construtiva e é conhecedor das novas formas estéticas. Segundo Saul Gomes [8], estes oficiais especializados seriam mais difíceis de encontrar em largo número dentro do nosso território, só desta forma se podendo entender a razão pela qual o Rei mandou realizar um o dito pregão para além das fronteiras.
A vinda de oficiais provenientes de regiões estrangeiras para este estaleiro, ao longo de todo o século de quatrocentos, é facilmente atestado pela ampla documentação existente e onde se encontra uma multiplicidade de nomes de operários, especializados ou não, o que demonstra inequivocamente a magnitude do estaleiro em causa. Exemplo disso é a figura do mestre Huguet (proveniente da região levantina espanhola) que, após a morte de Afonso Domingues, assume a direcção do estaleiro da Batalha, entre 1402 e 1438, a ele se devendo o pendor levantino que o mosteiro da Batalha adquire [9]. Também através da documentação surgem outros nomes, como: mestre Conrate, (1428-1445) [10]; Luís Alemão (1438-59) [11] vidreiro (germânicos); os flamengos João de Flandres (1443) [12]; Guilherme Belee ou Belleey (1446-1477), mestres das vidraças e mestre-de-obras; de Espanha, são os pedreiros Martim Galhete (1455) [13], João de Aragão (1457-1476) [14], Pêro da Gasconha (1465) [15] e Tornilhes de Lião (1508) [16]; da França, Álvaro de Eillam (1459-1462) [17].
Como se mencionou anteriormente, os primeiros mestres-de-obras ligados a este edifício são Afonso Domingues e Huguet, seguindo-se Martim Vasques (1438-1448), Fernão de Évora (1448-1477), Guilherme (1477-1488), Mateus Fernandes (1480), João Rodrigues (1480-1485), João Arruda (1485-1490) e, novamente, Mateus Fernandes (1490-115).
É dentro deste ambiente artístico e de obra régia em que se encontra o mosteiro da Batalha ao longo do século XV, que surge o mestre Mateus Fernandes, figura charneira da arquitectura tardo-gótica. No entanto, este mestre-de-obras ainda não foi alvo de uma investigação aprofundada que nos permita conhecer todos os contornos que envolvem a sua obra arquitectónica. Neste sentido, o que aqui se procura trazer à estampa não é mais que uma primeira abordagem aos processos arquitectónicos deste mestre, que passam pela execução de formas arquitectónicas sem precedentes no nosso território, de que são exemplo a obra da igreja de Nossa Senhora do Pópulo, nas Caldas da Rainha ou a obra erguida nas Capelas Imperfeitas do Mosteiro da Batalha, com os seus elegantes formalismos decorativos de afeição naturalista arquitectónica [18].

 

2. A obra arquitectónica de Mateus Fernandes.

O primeiro documento que faz menção ao mestre Mateus Fernandes data de 1480, e nele D. Afonso V substitui-o à frente das obras do Mosteiro da Batalha pelo mestre João Rodrigues [19]. Não são claras as causas deste afastamento, no entanto, sabemos por outro documento firmado por D. João II, a 8 de Julho de 1491, e confirmado por D. Manuel, a 17 Julho de 1497 [20], que volta a ser nomeado mestre principal das obras do estaleiro dominicano, cargo que conserva até 1515, ano da sua morte. Ainda hoje é possível ver, na entrada da igreja do Mosteiro da Batalha, em campa rasa, a sua a placa tumular, o que demonstra da importância deste arquitecto no seu tempo.      
Enquanto mestre das obras do mosteiro, teve a seu cargo a execução do portal que dá acesso ao recinto das Capelas Imperfeitas [21]. Esta é, possivelmente, a mais emblemática de todas as suas obras (fig.1).

 

Fig. 1 – Batalha. Mosteiro de Santa Maria, Capelas Imperfeitas, Portal.

 


Datado de 1509 [22], o portal que se abre para o recinto apresenta molduras entrelaçadas de desenho polilobado nas quatro arquivoltas interiores e festonado, ou em cortina, nas duas arquivoltas exteriores – muito similar ao realizado na igreja de Nossa Senhora do Pópulo das Caldas da Rainha. Esta estrutura é numa das peças mais notáveis da sua obra de pedraria, facto visível na forma como procura renovar profundamente a decoração, dando-lhe um sentido mais agitado e exuberante, onde condensa toda a riqueza do gótico final e anuncia a densidade ornamental do manuelino, ao conjugar motivos que provêm das artes portáteis como a ourivesaria e os têxteis, com a decoração vegetalista e a heráldica duartina [23], um gosto tão em voga, como refere Vergílio Correia, na Flandres, na Borgonha, no Midi e em Espanha [24].  
Este gosto flamejante de feição internacional e de pendor naturalista, em que predomina uma decoração vegetalista e exótica, vai-se apoderando, de forma epidérmica da estrutura arquitectónica, como é exemplo o portal principal das Capelas Imperfeitas (fig.2). Também a capela de D. João II e da sua mulher, a rainha D. Leonor, adquire uma exuberância decorativa através de cairéis que invadem as nervuras e os interstícios da abóbada (fig.3). Contígua a esta capela, surgem outras capelas que apresentam abóbadas com chaves principais pingentes (fig.4). Na realidade, estes formulários não encontram eco em nenhuma outra parte do nosso território, nem mesmo em Espanha se observando a existência de chaves de abóbadas pingentes tão acentuadas. Contudo, o elemento é muito mais característico do tardo-gótico francês, germânico e inglês.         
 

 

 Fig. 2 – Batalha. Mosteiro de Santa Maria, Capelas Imperfeitas, Portal.

 

 

 

Fig. 3 – Batalha. Mosteiro de Santa Maria, Capelas Imperfeitas, Capela de D. João II e D. Leonor. 

 


 Fig. 4 – Batalha. Mosteiro de Santa Maria, Capelas Imperfeitas, Abóbada com chave principal pingente .

 


Apesar de o mosteiro da Batalha ser a sua principal obra, podemos ver Mateus Fernandes a desempenhar também cargos de fiscalização de obras. Desloca-se a terras da Beira, no ano de 1508, fazendo-se acompanhar por outro mestre-pedreiro, Álvaro Pires, para examinar os trabalhos que se efectuavam numa barreira do castelo da vila de Almeida, que tinham sido adjudicadas ao mestre biscainho Francisco Danzilho [25] e, igualmente, verificar as obras necessárias em Castelo Rodrigo e Castelo Branco [26]. Ainda dentro deste exercício de fiscalização, em 1510, Mateus Fernandes [27] e mestre Boytac dirigem-se à cidade de Coimbra para efectuar uma estimativa dos custos das obras a realizar na cidade e verificar os respectivos arranjos da ponte da cidade e dos boqueirões, nos açougues da Praça Velha [28].
A obra deixada por Mateus Fernandes revela que foi educado na arte fina e erudita, atinge um nível nunca alcançado pelos escultores desta última fase do gótico [29]. Uma das obras que a historiografia lhe tem atribuído é a igreja da Nossa Senhora do Pópulo das Caldas da Rainha. O primeiro a estabelecer a ligação entre a igreja das Caldas da Rainha e Mateus Fernandes foi Reinaldo dos Santos [30], seguindo-se de Jorge Segurado, que junta o nome de Boytac a Mateus Fernandes [31].
José Custodio Vieira da Silva, no seu estudo sobre este edifício caldense, destaca as novidades que estão implícitas na construção da abóbada da capela-mor (fig. 5). Todavia, não se compromete a avançar com atribuições herméticas e salienta que as diferenças de tratamento das abóbadas e do restante espaço revelam duas mãos construtivas: uma que intervém na capela-mor; outra, na nave. Afirma ainda que os dois mestres, Mateus Fernandes e Boytac, continuam a ser duas hipóteses a considerar [32] para dirigir o estaleiro das Caldas da Rainha. Não obliterando as comparações estilísticas, ressalve-se algumas semelhanças construtivas entre a igreja de Nossa Senhora do Pópulo [33] e o Convento da Conceição em Beja, onde se destacam os laços pessoais existentes entre os dois templos. O Convento de Beja foi edificado por ordem dos Infantes D. Fernando e D. Beatriz, pais de D. Leonor, fundadora do complexo hospitalar das Caldas e respectiva igreja.

 

Fig. 5 – Caldas da Rainha. Igreja da Nossa Senhora do Pópulo, capela-mor, Abóbada 

 


Se, até este ponto, não existia uma confirmação concreta para o protagonista desta obra, Rafael Moreira procura trazê-la a lume por intermédio de um documento de 1521, onde cita um mestre Mateus que teria a receber oitenta mil reais pera fazer dabobada ha baranda da Rouparia [34]. Partindo do conteúdo do documento, conclui que se trata de um caso de homonímia entre pai e filho, justificando que a empreitada da varanda faria sentido na sequência de outras de maior porte. Como o filho Mateus Fernandes II era um continuador das obras do pai [35], Rafael Moreira atribui o projecto construtivo da Igreja do Pópulo a Mateus Fernandes I. Apesar da existência dessa continuidade entre pai e filho, nomeadamente no estaleiro da Batalha, tal não significa que seja lícita a presença de Mateus Fernandes (pai) na obra do Pópulo, pois estamos a falar de cerca de vinte anos que separam o final das obras da igreja e o pagamento ao mestre Mateus.
A obra que mais se destaca dentro do complexo hospitalar das Caldas da Rainha é a cobertura da capela-mor de nervuras de terceletes de formas conopiais e com torção em torno do seu próprio eixo [36].
Partindo do princípio básico da arquitectura medieval, traça-se um quadrado num plano (fig.6), que representa a capela-mor em planta, e cotejam-se, desde logo, as linhas básicas de nervuras, diagonais ou de cruzaria e as ligaduras (linhas verticais e horizontais que servirão também de guias). Estando executada esta operação, o mestre-de-obras sobrepõe à primeira figura geométrica regular um segundo quadrado com a mesma dimensão (o novo quadrado deve ter rigorosamente as medidas do anterior) inscrito num círculo (quadratura do círculo) e que lhe imprime um movimento rotacional de 45º até que os ângulos rectos se interceptem com os nervos de ligadura do primeiro quadrado (fig.7), obtendo-se assim, no interior do quadrado principal, um desenho octogonal (polígono com oito lados). Realizada esta operação, obtemos, para além do mencionado octógono interno, a marcação das trompas nervuradas, situadas nos ângulos do quadrado – que surge pela rotação anteriormente mencionada – na forma de triângulos equiláteros (fig.8).

 

 

Fig. 6,7 e 8 – Esquema geométrico da capela-mor da Igreja da Nossa Senhora do Pópulo - Quadrado em plano que representa a capela-mor; Quadratura do círculo e sobreposição dos quadrados e rotacionalidade de 45º; marcação do octógono e marcação das trompas nervadas (triângulos equiláteros).

 
Esta nova forma geométrica irá ser crucial para o desenvolvimento geométrico de toda a estrutura abobadada e para o desenvolvimento do nervo de tercelete. O passo seguinte da operação é simples: basta copiar a forma exacta do triângulo angular e rebatê-lo para o interior do octógono. Esta operação deve ser executada num total de oito vezes, ou seja, cada triângulo deve ser colocado em cada um dos lados do respectivo octógono. Para completar esta operação, deve suprimir-se as linhas que ligam o quadrado às chaves secundárias e, desta forma, obtemos o desenho de uma estrela de oito pontas com a marcação das trompas nervuradas nos ângulos do quadrado. É este o desenho e o princípio figurativo da abóbada lanceolada da capela-mor da igreja da Nossa Senhora do Pópulo. Esquematizado o rectilíneo nervológico da abóbada, só resta transformar as linhas rectas em formas lanceoladas (fig.9 a 11). Este é o passo que pode acarretar maior complexidade no desenho de toda a estrutura. Após as disposições anteriormente mencionadas, o mestre irá dispor, em dois níveis (fig.14), um conjunto de circunferências: um, interior, que rodeia a chave polar e que utiliza o método vesicae piscis (sobreposição de dois círculos até a linha atingir o centro do círculo contrário) para aferir figuras ovoladas; outro, exterior, que se sobrepõem às interiores, pela tangência, e, desta forma, cada ponta estrelada irá obter as curvaturas necessárias para determinar o lanceolado dos terceletes (fig.15).

 

Fig. 10,11 e 12 – configuração rectilínea da abóbada da capela-mor. Método para determinar cada forma lanceolada. (AutoCad 2005, Ricardo Silva)  

 

Fig. 13, 14 e 15 – Ponta lanceolada resultante da intersecção de circunferências. Disposição das circunferenciais e o método de vesicae piscis. Resultado final da projecção gráfica da abóbada da capela-mor da igreja da Nª. Sr.ª do Pópulo. (AutoCad 2005, Ricardo Silva)  


 

Ainda no campo formal da abóbada, e para além do seu carácter lanceolado, a virtuosidade destas nervuras em planta deve ser, também, visualizada num plano de alçado. O que se entreabre ao observador são as nervuras de terceletes de formas conopiais com secção ondulante e com torção em torno do seu próprio eixo. Por outras palavras, esta configuração peculiar não tem, em Portugal, um antecedente nem uma continuidade no uso desta tipologia de nervuras, somente encontramos expressão noutros territórios europeus, o que demonstra o carácter internacional da nossa arquitectura tardo-medieval. Na esteira da internacionalização, encontramos elementos que se interrelacionam com a estrutura abobadada da Igreja do Pópulo, como é o caso das nervuras conopiais. Sabemos que este formalismo foi empregue, com uma habilidade, por arquitectos centroeuropeus, a partir do último quartel do século XV – onde as estruturas de cobertura pétrea atingiram uma dinâmica assinalável com as nervuras a criarem desenhos geométricos diferenciados, das quais se destacam os nervos conopiais de torção. Exemplo disso é a cobertura existente no Palácio Real (fig.16), em Praga, obra a cargo de Hans Spiess e Benedikt Ried. De facto, este formato é utilizado sistematicamente na zona do Sacro Império Romano-Germânico, nos finais do século XV, onde a qualidade executiva só foi conseguida pelos mestres do centro e norte da Europa. Tal como aconteceu com a capela de Simpert, na basílica de S. Ulrich und Afra (Augsburg); a de Frauenkirchen de Ingolstadt; a tribuna da catedral de São Estêvão, em Viena; e a igreja de Santa Barbara, em Kutná Hora.

 


Fig. 16 – Praga. Abóbada da Sala do Palácio Real. 

 


Mas se os argumentos não são bastante sólidos, devido ao grande distanciamento geográfico entre Portugal e Praga (apesar de estar atestada a presença de mestres oriundos da zona germânica no estaleiro da Batalha), servimo-nos do caso de Espanha, nomeadamente do claustro do Mosteiro de Paular em Segóvia [37] (1484-1486), que apresenta uma abóbada com um tratamento nervológico similar da responsabilidade de um mestre oriundo do Norte Setentrional da Europa, o bretão Juan de Guas (1484-1486) [38]. O ponto de concordância entre a obra de Paular e a das Caldas da Rainha (fig.17) é o uso dos terceletes com secção conopial ondulante em alçado, de onde resulta uma original sucessão de tramos com cruzarias quadripartidas, mas a utilidade destes elementos é mais vasta, pois eles são o ponto embrionário dos nervos de combados. 
 

 

Fig. 17 – Segóvia. Claustro do Mosteiro de Paular. (1484-146). Juan de Guas; Caldas da Rainha. Igreja da N. Senhora do Pópulo. Capela-mor.

 


Pelo que se foi referindo anteriormente, impõe-se saber em que estaleiro se formou o mestre Mateus Fernandes. Sabe-se que foi casado com Isabel Guilherme, filha do mestre Guilherme [39] e neta do mestre Conrate (documentado pela primeira vez em 1428) – ambos de origem germânica [40], que desempenharam o papel de vidreiros no estaleiro da Batalha, o que pode ter facilitado o conhecimento de formas. Por outro lado, especulou-se uma possível viagem pela Europa do Norte [41], mas a teoria não tem qualquer suporte documental.
A igreja da Conceição de Beja, fundada pelos pais de D. Leonor, foi a estrutura onde se encontraram alguns elementos coincidentes com as Caldas da Rainha [42]. Sabe-se que o Convento de Beja é o principal templo responsável pela entrada do tardo-gótico no Alentejo. De pendor formal toledano, revela-se um eixo importante para o desenvolvimento do tardo-gótico na região alentejana e também do mestre Boytac. Neste foco toledano, laborou um elevado número de artistas flamengos, alemães, franco-borgonheses ou bretões, como é o caso de Juan de Guas. Não nos surpreenderia que hipoteticamente o modelo possa ter surgido por essa via, pois sabemos que continuou a existir uma ligação entre os monarcas D. Leonor e D. João II com a localidade de Beja. Em 1485, João Arruda (mestre de obras da Batalha) deslocou-se a Beja a fim de avaliar o preço de umas casas que D. João II pretendia adquirir para aumentar o seu Paço junto ao Convento da Nossa Senhora da Conceição [43].
Sem que exista um fio condutor, em termos formais, para explicar a abóbada da igreja de Nossa Senhora do Pópulo, das Caldas da Rainha, todas as hipóteses têm de ser consideradas, quer a formação de Mateus Fernandes I na orla batalhina, quer a importação de um risco para a conceptualização do templo.
Concluímos que se trata de um trabalho resultante de uma evolução da arquitectura tardo-medieval, onde a geometria prática desempenha uma função primordial nas construções. No caso da Igreja da Nossa Senhora do Pópulo, a sua configuração aproxima-se mais às formas do centro da Europa do que a qualquer estaleiro nacional, promovendo assim o processo de internacionalização da arquitectura.    

 

Notas e Referências Bibliográficas

Este artigo insere-se no âmbito do projecto de investigação “Arquitectura y Poder: El Tardogotico Castellano Entre Europa y América” (ref. HAR2008-04912) e para a sua redacção agradecemos as valiosas contribuições e recomendações dos professores Fernando Grilo e Vítor Serrão da Universidade de Lisboa. Do mesmo modo, gostaríamos de agradecer o inesgotável apoio que os professores Begoña Alonso Ruiz (Univ. da Cantábria) e Rodríguez Estévez (Univ. de Sevilha) têm prestado nas diversas investigações.
[1] (…) influências e as transferências estéticas ocorridas por via da mobilidade dos artistas, da importação e exportação de obras de arte e artificinais (…) Cf. DIAS, Pedro, A viagem das formas, Estampa, Lisboa, 1995, p. 9.
[2] CORREIA, Vergílio, Mosteiro da Batalha. Estudo histórico-artístico-arqueológico do Mosteiro da Batalha, Porto, 1929; CHICÓ, Mário T., A Arquitectura Gótica em Portugal, Lisboa, Livros Horizonte 1968; PEREDA, Felipe, "Entre Portugal y Castilla: la secuencia formal de las capillas ochavadas de cabecera en el siglo XV", XXIVe Colloque d'Histoire de l'Architecture La chapelle funéraire et la tombe monumental à la Renaissance (Tours, 1996); GOMES, Saul, Vésperas Batalhinas - Estudos de História e Arte, Leiria, Edições Magno, 1997; SILVA, José Custódio Vieira da, “Para um entendimento da Batalha: a influência mediterrânica”, O fascínio do fim, Lisboa, Livros Horizonte, 1997; SILVA, Ricardo J. Nunes da; MARTÍNEZ GÓMEZ, Javier; “De Huguet a Boytac y el Tardogótico peninsular”, Actas do Congresso Internacional, O Largo Tempo do Renascimento. Arte, Propaganda e Poder, Lisboa, Caleidoscópio, 2008.
[3] SOUSA, Frey Luís de, História de S. Domingos, Tesouro da Literatura e da História, volume I parte I, Livro VI, cap. XII, Porto, 1977, pp.629-630.
[4] CHICÓ, Mário T., A Arquitectura Gótica em Portugal, Lisboa, Livros Horizonte 1968.
[5] O cronista da Ordem de S. Domingos Frey Luís de Sousa diz no seu livro IV. “ quis el-rei fazer um templo e mosteiro que excedesse todos os famosos da cristandade, não só da Espanha, e na verdade alcançou com efeito e realidade o que pretendeu com o desejo e ânimo. Porque na sua idade, e em muitos anos depois, não foi edificada tão grande, nem tão magnífica, nem tão perfeita e polida fábrica”; SOUSA; Frey Luís de, op.cit. vol.II, p.262.
[6] ACENHEIRO, Cristóvão, Chronyca dos Reis de Portugal – D. João I, Lisboa, 1535, Inéditos de História de Portugueza, Lisboa, T.V., Academia Real das Sciencias de Lisboa, 1824, pp. 236-237.      
[7] SILVA, Custódio Vieira da, O tardo-gótico em Portugal: a arquitectura no Alentejo, Lisboa, Livros Horizonte, pp.32-36.
[8] Cf. SAUL, Gomes, O Mosteiro de Santa Maria da Vitória no Século XV, Instituto de História da Arte – FLUC, Coimbra, 1990.
[9] Cf. SILVA, Ricardo J. Nunes da; MARTÍNEZ GÓMEZ, Javier; “De Huguet a Boytac y el Tardogótico peninsular”, Actas do Congresso Internacional, O Largo Tempo do Renascimento. Arte, Propaganda e Poder, Lisboa, Caleidoscópio, 2008.
[10] Arquivo Nacional da Torre do Tombo – (ANTT), Mosteiro da Batalha, Livro 4, doc.68.
[11] ANTT, Mosteiro da Batalha, Livro 14, fl.261.
[12] ANTT, Mosteiro da Batalha, Livro 4, doc.214.
[13] ANTT, Mosteiro da Batalha, Livro 4, doc.243.
[14] ANTT, Mosteiro da Batalha, Livro 4, doc.46.
[15] ANTT, Mosteiro da Batalha, Livro 4, doc.33.
[16] ANTT, Mosteiro da Batalha, Livro 4, doc.108.
[17] ANTT, Livro da Estremadura, XI, fl. 41vº.
[18] Sobre esta vertente estética o Convento de Cristo (Tomar) a assume-se como o expoente maior, integrando-se na linha arquitectónica da Astwerk que, em meados do século XV, surge no Norte da Europa e posteriormente se desenvolve em território de Castela, onde a fachada do colégio de San Gregório (1486-1499), em Valladolid, se assume como o melhor exemplar destes formulários inerentes a Astwerk. Cf. PEREDA, Felipe, “La morada del salvaje. La fachada selvática del colegio de San Gregorio y sus contextos”, Los últimos arquitectos del Gótico, Madrid, 2010, pp. 149-219.
[19] GOMES, Saul, Fontes Históricas e Artísticas do Mosteiro e da Vila da Batalha (Séculos XIV-XVII), vol. II, Lisboa, IPPAR, 2002, p. 326.
ANTT, Chancelaria de D. Afonso V, Livro 32, fl. 111: Carta de D. João II que menciona a substituição de Mateus Fernandes à frente das obras do Mosteiro da Batalha pelo mestre João Rodrigues.
[20] GOMES, Saul, op.cit, vol. II, p. 391 e p.444; ANTT, Chancelaria de D. João II, Livro 11, fl.5; ANTT, Chancelaria de D. Manuel I, Livro 30, fl. 15vº:  
[21] A construção das Capelas Imperfeitas deve-se ao Rei D. Duarte e tinha como principal objectivo ser o panteão deste monarca. Começada por mestre Huguet, antes 1434 (a 24 de Abril de 1437, um ano antes da morte de Huguet (1438), dá-se a compra do terreno para fazer huã capella)., esta obra pode ser correlacionada com os espaços fúnebres de D. Álvaro de Luna, na capela de Santiago da Catedral de Toledo, com a capela do Condestável de Castela, em Burgos, ou a dos Velez na localidade de Múrcia, como acentuou Vergílio Correia. Cf. ANTT – Gavetas, 10, mº 5, doc. 7: GOMES, Saul António, Fontes históricas do Mosteiro e da Vila da Batalha, séculos XIV a XVII, vol. I, Lisboa, IPPAR, 2002, p. 204; CORREIA, Vergílio, Mosteiro da Batalha. Estudo histórico-artístico-arqueológico do Mosteiro da Batalha, Porto, 1929, p.49
[22] CACÉGAS, Frei Luís; SOUSA, Frei Luís, Primeira parte da História de São Domingos particular do Reino e conquistas de Portugal, vol. II, 3.ed., Lisboa 1866, p. 288.
[23] PEREIRA, Paulo, “Do modo gótico ao manuelino século XV-XVI”, História da Arte Portuguesa, Vol. II, Lisboa, Círculo de Leitores, 1995, p.46.
[24] CORREIA Vergílio, “Arte no ciclo manuelino”, Obras, vol. II, Coimbra, 1949, pp.203-204.
[25] VITERBO, Sousa, Dicionário Histórico e Documental dos Arquitectos, Engenheiros e Construtores Portugueses, Lisboa, Imprensa Nacional/Casa da Moeda, 1988, vol. I, p. 270.
[26] Idem, vol. I, p. 335.
[27] Como se pode observar existe uma forte ligação entre estes dois mestres, laços que se reforçam com o casamento de Boytac com Isabel Henriques, filha de Mateus Fernandes I. Desconhecemos o ano de casamento mas sabe-se que 1512 já tinha adquirido esse estado civil.  
[28] CARVALHO, José Branquinho de, “Cartas Originais dos Reis”, Arquivo Coimbrão, Coimbra, 1942, vol. VI, p. 50.    
[29] DIAS, Pedro, A Arquitectura Manuelina, Porto, Civilização, 1989, p. 105.
[30] SANTOS, Reinaldo, O Estilo Manuelino, Lisboa, 1952; Idem, “Dona Leonor e a Arte”, Colóquio, n.º1, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1959. Os seus argumentos baseiam-se essencialmente na proximidade geográfica das duas localidades e na restituição do cargo de mestre do estaleiro da Batalha a Mateus Fernandes, em 1490 (que conservou até ao fim da sua morte em 1515). Este retorno foi visto por Reinaldo dos Santos como uma possibilidade do mestre ter concorrido às obras projectadas por D. Leonor.
[31] SEGURADO, Jorge, “ Boytac e a capela de Nossa Senhora do Pópulo”, Belas Artes, Lisboa, 2ª Série, 31, 1977, pp. 15-18. O autor vislumbra uma série de elementos pertencentes ao modo de trabalhar de Boytac. Não negando a participação de Mateus Fernandes, pois atribui-lhe o risco da capela-mor, vê na elaboração do corpo da igreja um vinculado ao mestre francês. A sua base de argumentação parte das formas existentes na N.ª S.ª do Pópulo e compara-as aos modelos formais que existem na Igreja de Jesus de Setúbal, vendo uma correspondência em diversos elementos: as cordas existentes nas mísulas centrais da nave, os recortes de papo de Rola dos contrafortes; as mísulas de suporte das pilastras das gárgulas e os rendilhados da platibanda. Estes são alguns dos exemplos que Segurado encontra para estabelecer o seu triângulo (Caldas; Boytac; Setúbal). Quanto ao modo de trabalho de Boytac, nomeadamente no que se reporta ao formulário de abobadamentos, estabelecemos um vincula ao mundo setentrional europeu. Para tal, partimos do modus operandi de Juan Guas (originário da Bretanha) e de obras, como por exemplo, o claustro da igreja de São Paulo em Liège, a nave Catedral de Antuérpia, a Igreja Santo André, em Antuérpia e a Capela do Espírito Santo (norte de França), em Rue. Neste sentido, e sob uma toada formal, nem a abóbada das Caldas da Rainha, nem a obra de abobadamento da capela-mor da igreja do Convento de Jesus de Setúbal se enquadram no modo de trabalho de Boytac. Cf. SILVA, Ricardo J. Nunes da; MARTÍNEZ GÓMEZ, Javier; “De Huguet a Boytac y el Tardogótico peninsular”, Actas do Congresso Internacional, O Largo Tempo do Renascimento. Arte, Propaganda e Poder, Lisboa, Caleidoscópio, 2008; SILVA, Ricardo, Abóbadas tardo-medievais em Portugal: Tipologias e concepção, Dissertação de Mestrado em Arte, Património e Restauro apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 2006, pp. 112 ss. SILVA, Ricardo J. Nunes da, “O mestre Boytac e as correspondências com o foco Toledano”, Convergências – Revista de Investigação e Ensino das Artes. Escola Superior de Artes Aplicadas – Instituto Politécnico de Castelo Branco, nº4, 2009, http://convergencias.esart.ipcb.pt/artigo/64    
[32] SILVA, José Custódio Vieira da, A igreja de Nossa Senhora do Pópulo das Caldas da Rainha, Caldas da Rainha, 1985, p. 23.
[33] Idem, p.37-38; p.51.
MOREIRA, Rafael, MOREIRA, Rafael, A Arquitectura do Renascimento no Sul de Portugal — a Encomenda Régia entre o Moderno e o Romano, dissertação de Doutoramento apresentada à Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, Lisboa, 1991. p. 44.
Transcrição do documento por Rafael Moreira: “Pagou Joam de Coja allmoxaife deste espritall per hum mandado do provedor a mestre Mateus da enpreitada que tomou a rainha nossa Senhora pera fazer dabobada ha baranda da Rouparia oytenta mjil reais os quaes entregou a Alejxo enrjqez seu jrmão aos xxbiij djas de Agosto de 1520”; AHTCR, Pasta nº. 1, Livro de receitas e despesas, 1520-1521, fl. 356v.
No entanto a transcrição elaborada por Nicolau Borges salienta uma nota de margem que menciona “Matheus foy o pedreiro q fez toda a obra deste hospital e a abobada da varanda he rouparia”; BORGES, Nicolau, Op. Cit. p.190.     
[35] Os filhos de Mateus Fernandes (pai) são Pêro Henriques, Filipe Henriques e Mateus Fernandes II. Os dois primeiros, encontramo-los logo nos anos iniciais da centúria de quinhentos, sob o episcopado de D. Pedro Gavião (1504-1517), no importante estaleiro Sé da Guarda, ficando-se a dever a estes dois o impulso definitivo que conduziu à conclusão do edifício, facto atestado pela documentação existente e que aponta para um faseamento das obras que vai desde 1504 a 1517. Já Mateus Fernandes II, a 22 de Abril de 1516, irá assumir o cargo de mestre das obras do mosteiro da Batalha deixado vago após a morte do seu pai.
CF. MOREIRA, Rafael, Op. Cit. p 44; VITERBO, Sousa, Dicionário Histórico e Documental dos Arquitectos, Engenheiros e Construtores Portugueses, vol. I, Lisboa, 1922, p. 342. Idem, vol. II, p. 6; ANTT, chancelaria de D. Manuel I, Livro 25, fl. 78. Publicado por VITERBO, Sousa, op.cit,vol. I p. 342; GOMES, Saul, Fontes Históricas e Artísticas do Mosteiro e da Vila da Batalha (Séculos XIV-XVII), vol. III, Lisboa, IPPAR, 2002, p.377.
[36] Cfr. SILVA, Ricardo J. Nunes da, “A abóbada da capela-mor da Igreja de Nossa Senhora do Pópulo das Caldas da Rainha. Construção e filiação”, Artis – Revista do Instituto de História da Arte da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, n.º 5, Lisboa 2006.
[37] GÓMEZ MARTÍNEZ, Javier, El gótico español de la Edad Moderna. Bóvedas. de crucería, Secretariado de Publicaciones e Intercambio Científico, Universidad de Valladolid, Valladolid, 1998;  HERNÁNDEZ, Artur “ Juan Guas, maestro de las obras de la Catedral de Segóvia (1471-1491)”, Boletín del Seminario de Arte y Arqueología de Valladolid, XLV, Valladolid, 1947-48, pp.57-100.
[38] Juan de Guas é filho de Pedro Guas, este mestre norteuropeu rumou a Toledo juntamente com outros artistas flamengos.
[39] Surge documentado em 1433 e tinha o cargo de vidreiro. Em 1477 assume depois da morte de Fernão de Évora, o cargo de mestre-de-obras, embora por pouco tempo. ANTT – Chanc. De D. Afonso V, Livro 18, fl. 104vº. 
[40] GOMES, Saul, O Mosteiro de Santa Maria da Vitória no Século XV, Instituto de História da Arte – FLUC, Coimbra, 1990, p.107; cf. GONÇALVES, Iria, “Antroponímia das Terras alcobacenses nos fins da Idade Média”, do Tempo e da História, Lisboa, 1972, pp.159-200.  
[41] MOREIRA, Rafael, Op.Cit. p.44-45.
[42] Saliente-se, entre outras, as concomitâncias do portal principal com arcos ultrapassados das Caldas da Rainha é muito similar com a janela da igreja da Conceição de Beja, o mesmo acontece com os pináculos. Cf. SILVA, José Custódio Vieira, A igreja de Nossa Senhora do Pópulo das Caldas da Rainha, Caldas da Rainha, 1985.
[43] VITERBO, Sousa, op. cit, vol. I, Lisboa, 1922, p.65.

Reference According to APA Style, 5th edition:
Silva, R. ; (2010) A obra Tardo-Gótica do Mestre Mateus Fernandes nos Finais do Século XV e os primeiros anos do século XVI. Convergências - Revista de Investigação e Ensino das Artes , VOL III (6) Retrieved from journal URL: http://convergencias.ipcb.pt