Um estudo sobre o desenho aplicado ao design

A study on drawing applied to design

Silva, J. Silva, D. Carneiro, L. Paschoarelli, L. Silva, J.

UNESP - Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da Universidade Estadual Paulista, Campus de Bauru
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Retirado de: http://convergencias.esart.ipcb.pt

RESUMO: Embora o desenvolvimento tecnológico tenha criado inúmeras ferramentas e técnicas de representação gráfica, destaca-se aqui a importância do desenho manual para o processo criativo do design. Utilizado para facilitar o desenvolvimento de projetos e demonstrá-los de maneira mais rápida e eficiente, o desenho à mão livre é uma técnica imprescindível para qualquer designer, seja da área informacional, de produto ou de moda.

 

PALAVRAS-CHAVE: Desenho; Design; Representação Gráfica.

 

ABSTRACT: Although technological development has created several tools and techniques of graphic representation, we highlight here the importance of the manual drawing abilities for the design creative process. Freehand drawing is used to facilitate the development of projects and show them more quickly and efficiently, and is an essential technique for any designer, regardless is informational, product or fashion designer.

 

KEYWORDS: Drawing; Design; Graphic Representation.

1. Introdução

A técnica de desenhar é uma das principais formas de representação gráfica utilizadas na evolução humana, o desenho é habitualmente desenvolvido a partir do uso de símbolos e conhecimentos adquiridos como repertório gráfico. Nesse sentido, quanto maior o repertório, melhor será a comunicação das idéias através do desenho. Por outro lado, não basta apenas conhecer teorias e técnicas, já que a prática é fundamental para o desenvolvimento da destreza necessária à obtenção da firmeza no traço. Desenhar é uma faculdade que todo indivíduo possui, com maior ou menor talento, e que requer uma prática assídua e constante.
O processo de reprodução, ou cópia de imagens, é importante e gera bons resultados no início do aprendizado. Porém, com o decorrer do tempo, é necessário recorrer a outros métodos, pois o processo criativo envolvido no design requer que produtos ainda não existentes fisicamente sejam representados, vendo que a idéia deve ser absorvida claramente, tanto por uma eventual equipe de desenvolvimento, quanto pelos seus usuários finais.
Para a representação de um novo design, utiliza-se de diversos processos e técnicas, tanto à mão livre, quanto como aquela realizada com auxílio de computadores. A tecnologia e a nova era digital trouxeram alterações significativas no processo de representação do design. No final do século 20, verificou o início da propagação de novos sistemas operacionais e de softwares que contribuiram significamente para o avanço da computação gráfica.
Designers mais entusiastas afirmaram que a representação à mão livre estava fadada a desaparecer, sucumbindo aos aparatos digitais. Atualmente, percebe-se que este tipo de representação ainda não se deu por vencida (ao contrário está bem longe disso) apesar de que algumas previsões para o setor de projeto terem sido concretizadas.
O que verifica é que, a cada dia mais, os designers se preocupam em buscar um aprimoramento das técnicas de representação manual, mesmo tendo a disposição os mais modernos e rápidos softwares ligados a sua área e ao processo de representação gráfica. A busca, talvez, de uma concepção gestual, conduza o designer a uma linguagem própria pela pureza criativa (STRAUB, 2004).
O objetivo desse estudo é demonstrar a importância da representação gráfica por meio do desenho manual para as etapas criativas e metodológicas no design informacional, de produto e de moda. São destacadas várias aplicações do desenho em cada área, caracterizando-o como ferramenta de comunicação do designer com a equipe de desenvolvimento, clientes ou utilizadores.

 

2. O desenho

O desenho é um suporte artístico ligado à produção de obras bidimensionais. Uma representação a lápis, a tinta, a carvão; e de outros, de figuras, de paisagens, modelos entre outros. O desenho pode ser, tanto um processo, quanto como resultado artístico. Pode-se referir também ao processo pelo qual uma superfície é marcada aplicando-se sobre ela a pressão de uma ferramenta, podendo ser um lápis, uma caneta ou pincel, e movendo-a, de forma a surgirem pontos, linhas e formas planas. A imagem obtida também pode ser chamada de desenho. Portanto um desenho é essencialmente formado por uma composição bidimensional formado por linhas, pontos e formas (AURÉLIO, 2005).
Existem diversos tipos de técnicas de desenho, ele pode assumir diversas funções ou características para os fins, que se destinam tais como o desenho geométrico, o desenho projetivo, desenho arquitetônico, a ilustração, o croqui ou esboço e o modelo vivo. O desenho realizado a lápis é a forma mais utilizada, prática e rápida. No entanto, no exercício da profissão de artes gráficas, o artista tem que usar outros materiais para que existam diferentes resultados no trabalho final (JUBRAN e CHAVES, 2002).
O desenho geométrico visa o estudo padronizado e normatizado do desenho em duas dimensões, voltadas a várias representações como plana, perspectiva e épura. O desenho projetivo tem o intuito de representar um objeto em duas dimensões, mas que contêm volume e represente da forma mais clara possível. O desenho arquitetônico é voltado especialmente aos projetos de arquitetura, e visam representar edificações da forma mais real. A ilustração tem a pretensão de expressar algumas informações que normalmente são acompanhados por outras mídias, como o texto. O croqui ou esboço é de um desenho rápido, normalmente construído a mão e livre realizado com a intenção de discutir as idéias gráficas ou simplesmente registrá-las, também são os primeiros desenhos concretizados num processo que visa por fim uma pintura ou ilustração, estes são usados por quase todos os profissionais da área projetual.

 

3. O design

A palavra do idioma inglês “design” é de origem latina “designo”, no sentido de designar, indicar, representar, marcar, ordenar, dispor, ou seja, projeto (NIEMEYER, 2007). Utiliza-se esta denominação para qualquer processo técnico e criativo relacionado à configuração, concepção ou elaboração de um objeto. O que se exige para poder considerar que um objeto pertença ao design é: sua fabricação em série, sua produção mecânica e a presença no objeto de um quociente estético, devido ao fato de ter sido inicialmente projetado e não a uma sucessiva intervenção manual (DORFLES, 1990).
Hoje em dia, observa várias vertentes do significado desta área de atuação. Muitos que não compreendem esta área consideram o design qualquer tipo de desenho ou representação gráfica, isto no caso do design gráfico ou recentemente denominado como design informacional. Nos tempos atuais, qualquer pessoa pode fazer um desenho, um logotipo ou um panfleto, pelas facilidades que o computador trouxe, mas não pode se considerar necessariamente qualquer um destes serviços como um projeto de design.
O design é totalmente especifico, não é uma ilustração na capa de um livro, mas sim o projeto do livro como um todo, tipografia, papel e formato. Design é projeto, não ilustração. A estética faz parte deste todo, mas não se pode trabalhar só com ela, pois ela é só um elemento da função do design (WOLLNER, 2005).

 

4. O desenho aplicado ao design

Nota-se uma intensa relação do designer com o desenho, pois aqueles o utilizam como forma de dar vazão ao seu pensamento criativo, e como a transformação desse pensamento em ação. Com isso, pode se realizar a projeção de idéias em objetos passíveis de serem realizados e tornarem-se bens materiais. É inegável a importância da representação, em maior ou menor grau de habilidade, das idéias e pensamentos, pois enquanto pensa, o designer desenha (NASCIMENTO, 2006).
O desenho pode ser abordado dentro de três grandes campos de ação, a saber: desenho-expressional, ou de concepção, realizado sobretudo nas artes plásticas e aplicadas; o desenho projetual, ou projetação, que é utilizado nas etapas criativas; e o desenho-operacional, utilizado tanto em desenhos de observação quanto desenhos técnicos. A linguagem do desenho é essencial para o processo de exploração consciente dos elementos do mundo (MEDEIROS; GOMES, 2005).
Medeiros e Gomes (2005) também ressaltam as modelagens realizadas pelo pensamento no ato de desenhar, a saber: a modelagem cognitiva (alicerçada na apreensão) e a modelagem produtiva (fundada na criação). A modelagem cognitiva é descrita como a que ocorre de forma espontânea na mente, decorrência natural da captação de vários tipos de sinais que estimulam a atenção dos nossos sentidos. Já a modelagem produtiva é o foco do design e tem a ver com a ação criativa que objetiva materializar, construir ou fazer visível aos olhos de outros, o que foi desejado ou necessitado por alguém.
Os mesmos autores ainda apontam o plano e o projeto como os dois principais níveis do desenhar, o que altera a abordagem da habilidade manual para a habilidade mental. Planejar consiste no trabalho preparatório e de ordenação para um empreendimento segundo roteiro e métodos determinados. Isto permite organizar e adequar um desenho para sua realização. Com a idéia planejada, já se pode desenhar um projeto dentro dos limites do contexto cultural para o qual ele se destina. A esse processo de pensar e trabalhar uma idéia é que se pode dar o nome de desenho.
O esboçar, o desenhar e seus respectivos níveis dizem respeito a um amplo campo da prática em design. Nessa atividade, os discursos se materializam em diversos suportes (reais e virtuais) e através de múltiplos e distintos tipos de desenhos representando idéias para a criação e produção industrial de um objeto ou imagem. É importante memorizar objetos ou imagens, entender como se distribuem as suas partes e o todo. Deve-se aprender a sintetizar e a projetar esquemas, métodos de encaixe e recursos que tenham funcionado anteriormente na representação de objetos semelhantes já existentes.

 

5. Design Informacional

Entende-se que design informacional trata da forma de comunicar visualmente um conceito, uma idéia. O campo envolve a concepção e elaboração e execução de um projeto de sistemas visuais de configuração física ou visual, apresentada em um plano bidimensional. Podemos ainda considerá-lo como um meio de estruturar e dar forma à comunicação impressa ou interfaces, em que, no geral, se trabalha o relacionamento entre imagem e texto (GOMES 2006).
Trata-se de uma profissão levada a cabo pelo designer gráfico que estende a sua área de ação aos diversos meios impressos de comunicação, resultando, mais concretamente, nas aplicações como identidade corporativa (branding), design de embalagem (ou packaging design), design editorial, sinalização, tipografia, interfaces, entre outros. Segundo Hollis (2000), o designer gráfico tem objetivos a pautar, sendo eles: identificar o que é determinada coisa ou de onde ela veio, se tratando de marcas, símbolos, emblemas, entre outros; informar e instruir a relação de uma coisa com outra, no intuito de dar direção, posição ou escala, no caso de mapas diagramas, sinais, entre outros; apresentar e promover alguma coisa com a intenção de prender a atenção e tornar esta mensagem inesquecível, como pôsteres, anúncios, entre outros.
No desenvolvimento de um projeto gráfico, o profissional vivencia por várias etapas de concepção do objeto, seja ele uma marca, uma embalagem, uma publicidade, após a definição briefing, que é uma base de parâmetros para o desenvolvimento do projeto onde estão as idéias e informações das empresas para ser utilizada de apoio nos produtos. É executado um brainstorm verbal, e posteriormente um ilustrado, aonde constarão varias idéias para serem utilizadas posteriormente para se chegar a uma forma mais adequada a apresentação gráfica que o cliente precisa. Nesta etapa, é utilizado muito o sketch (rascunho rápido), que demonstra as idéias e já concebe as formas e o direcionamento que a imagem terá. No caso de um cartaz, por exemplo, o conjunto de elementos gráficos nele utilizados precisa ter um direcionamento para que o leitor compreenda a idéia que está contida no objeto.
São utilizadas várias técnicas de desenho na área do design informacional desde sketchs (Figura 01), desenho técnico, perspectiva e ilustração. O sketch é muito utilizado no desenvolvimento de idéias, sendo um desenho mais rápido e sem acabamento, ele permite uma mudança de forma e inclusão de novas idéias de maneira mais veloz e prática; e é utilizado em todos os projetos é parte integrante do desenvolvimento de um produto.

 

Fig. 1 – Sketchs de logotipo

Fonte: Próprio autor


O desenho técnico (Figura 02) vem aplicado a uma imagem bidimensional para definir e fixar medidas que posteriormente serão aplicadas em outras escalas, mas mantém as distancias, evitando distorções da imagem no caso de uma aplicação manual. Um exemplo é um logotipo que será aplicado em uma parede, necessita de medidas padronizadas para não haver erros em sua aplicação, no caso de criação de embalagens e aparatos de sinalização é necessário o desenho técnico para a sua construção.

 

 

Fig. 2 – Desenho técnico do logotipo da loja Milpa

Fonte: próprio autor
 


A perspectiva é utilizada na representação de um ambiente aonde se necessita de uma identidade visual, sinalização ou disposição de publicidades, além do seu uso na criação de uma ilustração.
Uma técnica muito utilizada pelo design informacional é a ilustração (Figura 03), uma vez que ela permite a criação de diversos tipos de imagens que não podem ser fotografadas, não existam ou não sejam acessíveis ao designer, permitindo-o a liberdade de criar qualquer ambiente ou forma desejada. As formas mais comuns de ilustração são as manuais e digitais.
O desenho permite ao designer gráfico uma base de forma que são necessárias e dão suporte a este desde a concepção até a finalização de um projeto gráfico.

 

Fig. 3 – Ilustração

Fonte: próprio autor



 

6. Design de produtos

O projeto de produtos é caracterizado principalmente pela necessidade de representação da tridimensionalidade. Embora o conceito de produto possa ser estendido a diversos objetos que não necessáriamente exibam essa característica, aqui se atém ao objeto com três dimensões e à necessidade de representação, em um suporte plano, dessa tridimensionalidade.
O desenho de um objeto dessa natureza depende, portanto, da habilidade de representá-lo em suas devidas proporções, seja em uma vista única, como a perspectiva, seja em épura, diagramas, cortes ou vistas auxiliares. O designer deve desenvolver o produto com um pensamento abrangente o suficiente para considerar o espaço e as relações que o seu objeto estabelecerá no e com o espaço, através das ações dos futuros usuários que dele se utilizarem (NASCIMENTO, 2006).
Entre as formas iniciais de esboço dessa relação com o espaço está a perspectiva (Figura 04), que nada mais é do que uma representação única, que nos permite explicar ou recriar o efeito espacial da tridimensionalidade. A perspectiva pode ser entendida como uma janela (ou quadro) para um espaço tridimensional, na qual é captada a imagem em forma plana. A fixação da imagem surge de um conceito mental, sendo a perspectiva um dos muitos modos possíveis de representar esse conceito mental. O domínio da perspectiva permite aos designers visualizar e desenhar os objetos resultantes das suas idéias, organizando rapidamente os seus componentes internos (PEREZ; GARCÍA, 2005).

 

 

Fig. 04 – Representações em perspectiva.

Fonte: próprio autor

 

 

A criação de novos produtos implica no desenvolvimento de idéias, e estas devem refletir o mais fielmente possível todos os aspectos importantes que o designer quer comunicar. Um bom desenho em perspectiva pode resolver com facilidade problemas complexos. A falta desse, por outro lado, pode limitar o processo criativo a capacidade de representação do designer. Isso acarretará em formas limitadas, pois os objetos serão restritos ao que é passível de representação, fazendo com que o projeto não siga o que o designer quer, e sim o que ele sabe representar.
Outra forma comum de representação é o desenho ortográfico, ou seja, aquele exibe as visualizações de um objeto a rotações ortogonais (noventa graus) do objeto. É comum a utilização inicial de apenas uma dessas projeções, normalmente a vista frontal, pois permite ao designer representar o objeto explicitamente, possibilitando representar realisticamente a forma e as dimensões do objeto, os materiais e a textura superficial (PEREZ; GARCÍA, 2005).
A diferença entre o desenho ortográfico e o desenho técnico consiste em que, o primeiro tem como finalidade mostrar o aspecto e acabamentos exteriores, enquanto o segundo indica as dimensões e aspectos técnicos. O desenho ortográfico é utilizado frequentemente para explicar com precisão a forma externa de cada desenho, a silhueta ou um determinado tratamento cromático. Trata-se de uma representação exata de um objeto em um ou mais pontos de vistas, que se obtêm traçando perpendiculares desde o objeto aos planos de projeção.
No entanto, além das técnicas de representação do objeto segundo suas dimensões, é necessário conhecer previamente os materiais a serem utilizados. Para isso, o designer tem de conhecer a representação gráfica dos diferentes materiais e simular a superfície e a textura características (Figura 05). Diversas técnicas podem e devem ser utilizadas para representar esse acabamento, inclusive com a aplicação de técnicas mistas no mesmo suporte, a finalidade de representar uma superfície tátil de forma convincente e realista. No estudo das formas, é tão importante a análise dos diferentes volumes como o aspecto e o estudo das superfícies (PEREZ; GARCÍA, 2005).

 

 

 


  Fig. 5 – Representação de materiais – madeira e tecido estofado

Fonte: próprio autor

 


 

O processo criativo a partir do desenho também pressupõe algumas etapas básicas, são elas: o desenvolvimento de idéias múltiplas, principalmente a partir de esboços e sketchs; a seleção de algumas idéias para aprimoramento; e uma terceira, cujo objetivo é representar conceito final. A primeira fase é a mais criativa do processo, consiste em desenhos rápidos e a distribuição das imagens não segue qualquer padrão. A segunda fase do processo é caracterizada pela seleção, discussão e possível junção de conceitos com o objetivo de desenvolver a proposta final, nessa etapa são elaboradas representações mais fiéis à realidade. A terceira etapa é a elaboração da proposta final, normalmente com uma imagem única do objeto, porém com o maior detalhamento possível, com a utilização de detalhes e diagramas de uso.
A utilização de detalhes ampliados, textos indicativos e diagramas de uso também são ferramentas importantes para a correta compreensão do conceito desenvolvido. Os detalhes são responsáveis pela ampliação de áreas ou partes do objeto que são consideradas importantes para a compreensão do projeto. Os textos indicativos exibem informações adicionais, ou instruções que vão além da informação puramente estético. Esses textos contribuem para manter presentes aspectos ou características que normalmente escapariam à memória do designer. A informação adicional que oferecem é uma valiosa ferramenta para o designer quando reavalia as suas idéias, ou para o resto das pessoas envolvidas no projeto.
Os diagramas de utilização representam as diversas ações que o usuário realiza para se beneficiar do produto. Para isso, pode-se utilizar uma narrativa visual das etapas necessárias, ou seja, uma Sequência Pictórica de Procedimentos (SPP). O exemplo da Figura 06 exibe a sequência para a correta utilização de um capacete de motociclista por um usuário. O elemento humano é fundamental e, por isso, também a sua representação, seja de corpo inteiro ou de algum dos seus membros.

O desenho em design de produto se constitui como uma ferramenta essencial para a comunicação das idéias do designer. Quando desenha, o designer se esforça para enxergar além do objeto real, pois tenta compreender e analisar não somente o que vê como estrutura interna do objeto, as suas linhas invisíveis, analisa as proporções e sintetiza as formas mais complexas para não perder uma visão de conjunto. Aprende a interpretar e a traduzir corretamente os problemas derivados da representação de produtos, aplicando diferentes técnicas da mesma (PEREZ; GARCÍA, 2005).

 

 

Fig. 6 – Sequência pictórica de procedimentos

Fonte: PEREZ; GARCÍA, 2005 p. 183.



 

7. Design de moda

O design de moda é considerado “design” por se apropriar das metodologias de projeto típicas do design. Também utiliza de ferramentas e técnicas específicas para tornar o produto passível de produção industrial e não apenas artesanal. Uma das primeiras etapas do design de moda, assim como no design de produto e gráfico, após a pesquisa e idealização do projeto, é o desenho, onde pode se representar bidimensionalmente o objeto a ser criado, ou seja, um produto de moda. Existem várias maneiras de se representar um produto de moda graficamente. No entanto, as mais utilizadas são o croqui fashion e o desenho técnico.
O croqui fashion (Figura 07) é um desenho esboçado rapidamente onde o designer representa volumes, formas, texturas e proporções. Ele pode servir apenas como desenhos de ideias ou pode ser criado em ilustrações elaboradas para representar toda uma coleção, tem a finalidade de demonstrar de forma convincente e de maneira o mais próxima da realidade possível, o produto que será confeccionado. Alguns designers se especializam somente em ilustrações, trabalhando com a representação do produto final após a sua produção e para ser apresentado ao consumidor final.

 

Fig. 7 – Croquis fashion

Fonte: próprio autor

 

Outro desenho muito utilizado, principalmente na indústria de confecção, é o desenho técnico (Figura 08), que consiste na planificação do desenho do croqui ou desenho fashion, ou da idéia de um estilista. No desenho técnico, estarão contidas todas as informações importantes e necessárias para que o produto tenha um entendimento real dentro da confecção, por exemplo, detalhes de perspontos, costuras em volumes, até especificação de lavagens das peças a serem confeccionadas.

 

 

Fig. 8 – Desenho técnico em design de moda

Fonte: próprio autor

 

 

8. Conclusões

A representação gráfica por meio do desenho tem uma estreita relação com o design. Por esse meio, as ideias podem ser apresentadas rapidamente à frente de um grupo de desenvolvimento ou ao cliente, além de estarem sempre à disposição para revisão e posterior manipulação. Da mesma forma, os desenhos contribuem para ultrapassar as dificuldades existentes na utilização de uma linguagem profissional em determinadas ocasiões, permitindo assim que pessoas de outras áreas se comuniquem.
Com essa forma de comunicação, o designer exprime o seu pensamento criativo, e intermedia a transformação das suas idéias em ações. O design se caracteriza justamente pela habilidade de converter idéias em objetos passíveis de produção. Para isso, é necessário que o designer seja capaz de expressar claramente suas idéias a profissionais de outras áreas.
Embora houvesse a possibilidade da representação à mão livre ser substituída por técnicas de representações digitais, percebe-se que há uma constante preocupação em aprimorá-la.  Mesmo com o surgimento de aplicativos gráficos rápidos e com inúmeros recursos, a criatividade do designer deve estar acima das influências de interfaces digitais.
O desenho à mão livre conta com diversas técnicas de demonstração de idéias, podendo assumir características técnicas, como o desenho geométrico, o desenho projetivo, desenho arquitetônico; ou se voltar a características estéticas, como a ilustração, o croqui ou esboço e o modelo vivo.
No entanto, design não se refere apenas a desenho ou qualquer tipo de representação gráfica: trata-se de um processo técnico e criativo relacionado à configuração, concepção ou elaboração de um objeto. Atualmente, qualquer indivíduo é capaz de fazer um desenho, um logotipo ou um panfleto, pelas facilidades que o computador trouxe, mas não pode se considerar necessariamente qualquer um destes serviços como um projeto de design.
Qualquer área de atuação do design pressupõe a utilização de técnicas de desenho variadas. No design informacional, são utilizadas várias técnicas de desenho, como sketchs, desenho técnico, perspectiva e ilustração, segundo as finalidades de cada objeto gráfico. No design de produtos, há a necessidade de representação de tridimensionalidade, o que também requer a utilização de técnicas variadas para representar o produto e sua relação com o ambiente e com o usuário. A moda, também utiliza o desenho como principal técnica criativa, utilizando inclusive desenhos técnicos.
Com isso, ressalta-se a importância da representação gráfica por meio do desenho manual para o processo criativo do design. Isto, com o intuito de facilitar o desenvolvimento de projetos e demonstrá-los de maneira mais rápida e eficiente, possibilitando uma representação próxima do real e de fácil alteração, acaso houver alguma necessidade, tornando dessa forma o desenho à mão livre uma técnica imprescindível para qualquer designer.  

 

 

Referências Bibliográficas

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GOMES FILHO, J. Design do objeto – Bases conceituais. Ed. Escrituras, 2006.
HOLLIS R. Design gráfico – uma história concisa. São Paulo: Ed. Martins Fontes, 2001.
JUBRAN A., CHAVES D. Manual Prático de Desenho. São Paulo: Ed. Tipo, 2002.
MEDEIROS, L. M. S.; GOMES, L. V. N. Desenvolvimento da Linguagem do Desenho: fases, etapas, estágios e níveis. In: Anais do III Congresso Internacional de Pesquisa em Design Brasil – III CIPED. Rio de Janeiro: Univercidade, 2005.
MORRIS, B. Fashion Illustrator – manual do ilustrador de moda. São Paulo: Ed. Cosac Naify, 2007.
NASCIMENTO, M. A. Desenho e design: desenhar para ver idéias. In: Anais do VII Congresso Internacional de Pesquisa e Desenvolvimento em Design – P&D Design 2007. Curitiba: Unicenp, 2007.
PEREZ, F. J.; GARCÍA, J. A. Desenho para designers industriais: aula de desenho profissional. Lisboa: Ed. Estampa, 2005.
NIEMEYER L. Design no Brasil: Origens e Instalação. Rio de Janeiro: Editora 2B, 2007
STRAUB, E. ABC do rendering, Curitiba: Ed. Infolio, 2004.
WOLLNER A. STOLARSKI A. Alexandre Wollner: e a Formação do Design Moderno no Brasil. São Paulo: Editora Cosac Naify, 2005

Reference According to APA Style, 5th edition:
Silva, J. Silva, D. Carneiro, L. Paschoarelli, L. Silva, J. ; (2010) Um estudo sobre o desenho aplicado ao design. Convergências - Revista de Investigação e Ensino das Artes , VOL III (6) Retrieved from journal URL: http://convergencias.ipcb.pt