A Comunicação Corporativa do Municipio de Tábua   

 

Introdução


A Identidade Corporativa pode definir-se por um conjunto de atributos assumidos como próprios, pela organi­zação que constituem o “discurso da identidade”. Desenvolve-se no interior da organização, como acontece com um indivíduo. É ainda um quadro complexo, uma vez que resulta de um conjunto de visões não necessariamente semelhan­tes. Já a comunicação corporativa é um conjunto de mensagens efetivamente emitidas, consciente ou inconscientemente, voluntária ou involuntariamente, pois basta que exista uma entidade percecionável, para que a a sua envolvente receba comunicações (Raposo, 2008).

Considerando que a Identidade Corporativa é a mensagem, a Identidade Visual é o modo como esta é representada e comunicada, enquanto que a Imagem Corporativa é o significado percebido pelo público. Assim, obter a Imagem Corporativa pretendida é o objetivo final do projeto de design.

O problema da atual investigação prende-se em criar uma Identidade Globalpara o  Município de Tábua, de modo a desenvolver uma comunicação corporativa que possa distinguir-se de outras e possa ser nacionalmente reconhecida.

O Design opera como intérprete de uma determinada cultura, devolvendo-lhe artefactos facilitadores de compreensão e vivência. As marcas, enquanto formas visuais de uma cidade ou vila, são um problema de Design e são também um problema que recentemente ganhou uma nova vitalidade. Deste modo, este estudo é pertinente do ponto de vista em que assentará numa investigação profunda para criar pilares de sustentabilidade da marca Município de Tábua, de maneira a torná-la uma marca forte com reconhecimento e distinção entre as demais. A comunicação visual terá um papel importante na generalidade, como agente facilitador da vida das pessoas, pois parece ser através dos olhos que o leitor se orienta na descodificação de mensagens. É graças a imagem e texto que o cérebro humano identifica, reage e executa uma ação.

A marca da vila ou cidade, tal como a marca de regiões e nações, embora siga muitas das diretivas da teoria geral das marcas, obedece a uma especificidade grande e, uma vez que constitui a temática central desta investigação, aparece aqui desenvolvida em torno de conceitos chave a que recorre, como seja, a re­flexão acerca de município, comunicação, identidade, design, espírito de perten­ça, cultura local.                                                                                  

A ciência heráldica, que em Portugal foi posta ao favor dos municípios com grande rigor, técnica e arte, a partir da década de 30 do século XX, constituiu um esforço de uniformização que se revelou de grande utilidade e pertinência. O brasão municipal utilizou a simbologia individual de cada municí­pio e contribuiu ainda na atribuição de simbologia aos que não tinham ainda desenvolvido essa simbologia, pelo menos conscientemente. As leis da herál­dica são aqui analisadas, de forma a possibilitar a interpretação descodificada dos brasões municipais.

Será necessário recorrer ao desenvolvimento projetual com uma metodologia de investigação ativa (intervencionista) através de um levantamento documental no Município de Tábua, bem como à recolha de informação através de um grupo de amostra, um estudo de caso geral que se divide em pequenos estudos de caso, experiência do investigador, tendo como campo de investigação a Identidade Glob­al e como tema A Comunicação Corporativa do Município de Tábua.

Com esta proposta, beneficiará o Município de Tábua e os seus colaboradores, as pessoas residentes no concelho, os investidores, a vila, o comercio em geral, os espaços da vila os outros municípios num âmbito nacional e internacional, os designers gráficos, as empresas de trabalham em design de identidade, eu, como investigador e estagiário.

 

 

Questão de Partida


Com base na observação direta, assente no conhecimento empírico, foi definida a questão de partida: Pode o Design Gráfico contribuir para a melhoria da comunicação corpora­tiva institucional de um município?

O estado da questão assentou em entrevistas e na revisão da literatura, permitindo estabelecer uma análise sincrónica e diacrónica do problema em estudo, bem como definir os métodos de investigação mais adequados e que melhor garantem o rigor dos dados.

 

TRABALHO DESENVOLVIDO DURANTE O ESTÁGIO/ PROJETO

 

Observação / Recolha de Pesquisa


Em seguida. vou descrever como foi efetuada a aplicação de conhecimen­tos na metodologia mista (intervencionista e não intervencionista) durante um período de quatro meses em local de estágio e, posteriormente, até ao momento com estudo de casos de Identidades visuais de municípios, desenvolvimento da marca gráfica, estruturação da entrevista a realizar a dois designers, redação do texto e poster para a dissertação.

 

Questionário à População do Concelho de Tábua


Houve a necessidade de realizar um questionário em linha à população do Concelho de Tábua que já estava previsto no organograma da investigação e referenciado na metodologia não intervencionista que também utilizei.

Este mesmo questionário foi desenvolvido com o objetivo de obter a opin­ião da população sobre o seu grau de satisfação da atual marca utilizada pelo Município de Tábua, assim como elementos gráficos utilizados e fatores históri­cos. Foi também importante perceber como é que a população reage à im­plementação de uma nova marca, novas estratégias de comunicação, fatores históricos e heráldicos em que a marca se baseia.

Decidi optar por um questionário em linha na plataforma Evalandgo, que oferece um serviço gratuito de alojamento e tratamento de dados online por um período de quinze dias. Nesta era da globalização, cada vez mais, temos uma população que procura as redes sociais como forma de expressar opiniões sobre determinado assunto, foi então que optei por construir o questionário. Poste­riormente, procedi ao seu estado ativo online, divulguei através de endereços eletrónicos das Juntas de Freguesia do Concelho, Município de Tábua e, em pou­co tempo, através de pessoas do concelho de Tábua que conhecia fui pedindo para que a partilha fosse feita no Facebook, Twitter, Linkedin entre outras, até que consegui o grupo de amostra da população na data que tinha previsto.

O grupo de amostra foi a população residente no Concelho de Tábua, com idades compreendidas entre os 18-65 anos, ou seja, a população ativa.

O grupo de amostra inicialmente previsto foram 100 pessoas, no entanto, houve um questionário incompleto, o qual ficou contabilizado online em ter­mos de estatística e decidi dar uma pequena margem de erro e então inquiri 101 pessoas num universo geral de população de 12.602 habitantes.

Considero um grupo de amostra bastante heterogéneo em termos de idade e local onde desenvolvem a sua atividade profissional, pelo que considero que sejam dados seguros nos quais me posso basear.

Interpretação e tratamento dos dados do questionário

Estamos perante uma amostra de população de cento e um indivíduos resi­dentes no Concelho de Tábua, com uma média de idades de 35.95 anos numa faixa etária entre os 18 e os 65 anos, quarenta e três correspondem ao sexo mas­culino e cinquenta e seis correspondem ao sexo feminino, existem dois indivídu­os que não colocaram o seu sexo, o que não invalida a veracidade dos dados.

Quanto ao local onde cada indivíduo desenvolve a sua atividade profissional, treze indivíduos desenvolvem no Município de Tábua, trinta e sete no Concelho de Tábua, quarenta fora do Concelho de Tábua e no caso de onze indivíduos não se aplica.

 

Primeira parte


Numa escala de zero (valor mínimo) a cinco (valor máximo), relativamente à questão se considera que a atual marca gráfica utilizada no Município de Tábua o identifica facilmente numa abrangência regional e nacional, cinco indivídu­os (4,95%) mencionaram zero, trinta e um indivíduos (30,69%) mencionaram um, trinta e um indivíduos (30,69%) mencionaram dois, vinte e um indivíduos (20,79%) mencionaram três, onze indivíduos (10,89%) mencionaram quatro e dois indivíduos (1,98%) mencionaram cinco. O valor médio final cor­responde a 2.08, ou seja, inferior ao valor médio, daí podendo concluir que a atual marca gráfica não identifica facilmente o Município de Tábua numa abrangência regional e nacional.

Numa escala de zero (valor mínimo) a cinco (valor máximo), relativamente à questão se considera que as cores utilizadas na marca gráfica utilizada no Mu­nicípio de Tábua identificam bem as cores do brasão municipal e da bandeira da Vila de Tábua, oito indivíduos (7,92%) mencionaram zero, vinte e nove indivídu­os (28,71%) mencionaram um, vinte sete indivíduos (26,73%) mencionaram dois, vinte seis (25,74%) mencionaram três, nove indivíduos (8,91%) mencionaram quatro e dois indivíduos (1,98%) mencionaram cinco. Sendo que o valor médio final corresponde a 2.05, ou seja, inferior ao valor médio. Daí posso concluir que as cores utilizadas na marca gráfica não identificam bem as cores do brasão mu­nicipal e da bandeira da Vila de Tábua.

Numa escala de zero (valor mínimo) a cinco (valor máximo), relativamente à questão se acha que as pessoas não pertencentes ao Concelho de Tábua, como, por exemplo, os visitantes conseguem perceber facilmente a marca gráfica ex­istente, sete indivíduos (6,93%) mencionaram zero, vinte indivíduos (19,8%) men­cionaram um, quarenta e dois indivíduos (41,58%) mencionaram dois, dezanove (18,81%) mencionaram três, onze indivíduos (10,89%) mencionaram quatro e dois indivíduos (1,98%) mencionaram cinco. Sendo que o valor médio final cor­responde a 2.13, ou seja, inferior ao valor médio, daí posso concluir que as pessoas não pertencentes ao Concelho de Tábua, como, por exemplo, os visitantes não conseguem perceber facilmente a marca gráfica existente.

Numa escala de zero (valor mínimo) a cinco (valor máximo), relativamente à questão em termos históricos ao longo dos séculos se consideravam o imóvel “Capela do Sr. dos Milagres” o elemento histórico mais importante do Concelho de Tábua, quatro indivíduos (3,96%) mencionaram zero, dezassete indivíduos (16,83%) mencionaram um, trinta e dois indivíduos (31,68%) mencionaram dois, trinta indivíduos (29,7%) mencionaram três, treze indivíduos (12,87%) mencionaram quatro e cinco indivíduos (4,95%) mencionaram cinco. Sendo que o valor médio final corresponde a 2.46, ou seja, ligeiramente inferior ao valor médio, daí posso concluir que em termos históricos o imóvel “Capela do Sr. dos Milagres” não é o elemento histórico mais importante do Concelho de Tábua.

Numa escala de zero (valor mínimo) a cinco (valor máximo), relativamente à questão sobre qual a importância histórica do Brasão Municipal para o Municí­pio de Tábua, um indivíduo (0,99%) mencionou zero, quatro indivíduos (3,96%) mencionaram um, onze indivíduos (10,89%) mencionaram dois, vinte e nove in­divíduos (28,71%) mencionaram três, vinte e nove indivíduos (28,71%) mencion­aram quatro e vinte e sete indivíduos (26,73%) mencionaram cinco. Sendo que o valor médio final corresponde a 3.60, ou seja, bastante superior ao valor médio, daí posso concluir que é de grande importância histórica o Brasão Municipal para o Município de Tábua.

 

Segunda parte

Foram apresentadas três afirmações sobre a implementação da nova marca gráfica e todas as estratégias de comunicação, com o objetivo de assinalar em que medida concorda, está indeciso ou discorda.

Na primeira afirmação sobre se é importante a criação de uma nova marca gráfica potencializadora de desenvolvimento e que siga com rigor os valores históricos de Tábua, oitenta e seis indivíduos (85.15%) concordam, onze indi­víduos (10,89%) ficaram indecisos e quatro indivíduos (3.96%) discordam.

Em conclusão, posso constatar que a grande percentagem do grupo de amostra concorda que é importante a criação de uma nova marca gráfica potencializadora de desenvolvimento e que siga com rigor os valores históricos de Tábua.

Na segunda afirmação, tendo o Concelho de Tábua na sua origem mais longínqua uma grande influência romana, segundo consta em documentos históricos, a nova marca deve ter em conta esses elementos de origem romana, oitenta e cinco indivíduos (84.16%) concordam, catorze indivíduos (13,86%) fic­aram indecisos e dois indivíduos (1.98%) discordam.

Em conclusão, posso constatar que a grande percentagem do grupo de amostra concorda que é importante que a nova marca tenha em conta elemen­tos de origem romana.

A terceira afirmação refere as lápides com inscrições romanas existentes nas localidades de Póvoa de Midões e na Capela do Coito como marcantes de momentos históricos importantes para o Concelho de Tábua, oitenta e oito in­divíduos (87.13%) concordam, doze indivíduos (11,88%) ficaram indecisos e um indivíduo (0.99%) discorda.

Em conclusão, posso constatar que a grande percentagem do grupo de amostra concorda que as lápides e inscrições romanas existentes nas localidades de Póvoa de Midões e na Capela do Coito marcam momentos históricos impor­tantes para o Concelho de Tábua.

Na quarta afirmação, segundo fatores históricos, na origem do nome Tábua, consta uma antiga ponte de tábuas construída sobre o Rio Mondego que serviu de travessia a pessoas e mercadorias de uma margem para a outra. Será impor­tante que a nova marca gráfica reúna algumas destas características, oitenta e cinco indivíduos (84.16%) concordam, treze indivíduos (12,87%) ficaram indecisos e três indivíduos (2.97%) discordam.

Em conclusão, posso constatar que a grande percentagem do grupo de amostra concorda que é importante que a nova marca tenha em conta fatores históricos na origem do nome Tábua.

Na quinta afirmação, sobre se a ponte presente no brasão municipal deve fazer parte da nova marca gráfica, sessenta e seis indivíduos (65.35%) concor­dam, trinta indivíduos (29,7%) ficaram indecisos e cinco indivíduos (4.95%) dis­cordam.

Em conclusão, posso constatar que uma percentagem superior a metade do grupo de amostra concorda que a ponte presente no brasão municipal deve fazer parte da nova marca gráfica.

Na sexta afirmação, as tipografias romanas são constituídas por maiúsculas. Como tal os Romanos na sua escrita representavam a letra V em vez da letra U. Concordo que esta característica deva constar na nova maraca gráfica como el­emento diferenciador de outras marcas gráficas de outros municípios, setenta e cinco indivíduos (74.26%) concordam, vinte indivíduos (19,8%) ficaram indecisos e seis indivíduos (5.94%) discordam.

Em conclusão, posso constatar que a grande percentagem do grupo de amostra concorda que é importante que a letra V deva constar na nova marca gráfica em vez da letra U como elemento diferenciador de outras marcas gráficas de outros municípios.

Na sétima afirmação, o facto de o Concelho de Tábua pertencer ao Pinhal Interior Norte faz dele um concelho verde e privilegiado em relação a outros concelhos. é importante que esta caraterística seja realçada na nova marca gráfi­ca, setenta e sete indivíduos (76.24%) concordam, dezassete indivíduos (16,83%) ficaram indecisos e sete indivíduos (6.93%) discordam.

Em conclusão, posso constatar que a grande percentagem do grupo de amostra concorda que é importante realçar a caraterística de concelho verde na nova marca gráfica.

Na sétima afirmação, a implementação de uma nova marca gráfica inovadora no Município de Tábua pode potencializar a fixação de novas empresas e inves­timentos externo no Concelho de Tábua, cinquenta e sete indivíduos (56.44%) concordam, vinte sete indivíduos (26,63%) ficaram indecisos e dezassete indi­víduos (16.83%) discordam.

Em conclusão, posso constatar que uma percentagem do grupo de amostra ligeiramente superior a metade concorda que é importante realçar a caraterísti­ca uma marca gráfica inovadora pode potencializar a fixação de novas empresas e investimentos externo no Concelho de Tábua.

Em síntese, posso concluir que a avaliação do grupo de amostra residente no Concelho de Tábua em relação a este questionário tornou-se bastante impor­tante na definição da nova marca gráfica.

Ficou bem clara a opinião da população em relação à mudança de estratégias de comunicação, por parte do Município.

 

ANÁLISE


Para a aceitação/ rejeição do conceito para a nova marca gráfica, foram necessários elaborar dois questionários a um grupo de amostra de trinta pessoas não residentes no concelho de Tábua, colocando a imagem da atual marca gráfica e da nova marca gráfica a ser implementada.

Questionários à população portuguesa não residente no Concelho de Tábua

Houve a necessidade de realizar um questionário em linha a dois grupos de amostra da população portuguesa não residente no Concelho de Tábua, para verificar se existia aceitação ou rejeição do conceito, tendo em vista obter resultados que vão dar resposta à questão da investigação.

Este mesmo questionário foi desenvolvido com o objetivo de obter a opinião da população visitante. O número total de inquiridos foram trinta, dois grupos dis­tintos, quinze para darem resposta à marca gráfica atualmente utilizada, os outros quinze para darem resposta a nova marca gráfica a ser implementada.

Decidi optar por um questionário em linha na plataforma Evalandgo que ofer­ece um serviço gratuito de alojamento e tratamento de dados em linha, por um período de quinze dias. Nesta era da globalização, cada vez mais, temos uma população que procura as redes sociais como forma de expressar opiniões sobre determinado assunto, foi então que optei por construir o questionário, poste­riormente procedi ao seu estado ativo em linha, divulguei através de correio eletrónicos e redes sociais, e em pouco tempo consegui o grupo de amostra da população portuguesa que tinha previsto.

Considero um grupo de amostra bastante heterogéneo em termos de locali­zação geográfica, pelo que considero que sejam dados seguros nos quais me posso basear.

 

 

Interpretação dos dados do questionário - marca gráfica atualmente utilizada


 

Fig. 1 – Marca gráfica utilizada atualmente no Município de Tábua ( 2013, em linha).


 

Estamos perante uma amostra de população de quinze indivíduos, sete cor­respondem ao sexo masculino e sete correspondem ao sexo feminino, existe um indivíduo que não colocou o seu sexo, o que não invalida a veracidade dos dados.

Quanto ao local de residência por distrito, foram obtidas as quinze respos­tas, dois indivíduos residem em Aveiro, um indivíduo em Braga, três em Castelo Branco, dois em Coimbra, dois em Évora , um em Lisboa, um em Santarém, um em Setúbal, um em Viana do Castelo e outro em Viseu. De todos os distritos de Portugal continental, podemos verificar desde já que existe uma boa distribuição de respostas de norte a sul do país.

Quanto à avaliação da atual marca gráfica numa escala de zero a três, zero corresponde a muito insatisfeito, um a pouco satisfeito, dois a satisfeito e três a muito satisfeito, foram obtidas quinze respostas em cada uma das questões.

Em termos de conceito (ideia) da marca obteve-se uma média de 1.16, fun­cionalidade uma média de 1.13, legibilidade uma média de 1.33, leiturabilidade uma média de 1.27, proporcionalidade (dimensão) entre o logotipo (a letra) e o símbolo (a imagem) uma média de 1.13, contraste uma média de 1, paleta cromáti­ca (cores) utilizada uma média de 1.13, visibilidade das cores em poucos segundos uma média de 1.13, visibilidade das formas em poucos segundos uma média de 1.2, distinção da marca gráfica atual entre outras marcas gráficas uma média de 0.93, facilidade de reconhecimento do Concelho de Tábua uma média de 1.13, tipografia (tipo de letra) utilizada uma média de 1.2, contraste entre a tipografia (tipo de letra) e o fundo uma média de 1.2 e por fim simplicidade formal utilizada uma média de 1.2.

Em síntese, posso concluir que a avaliação do grupo de amostra não residente no Concelho de Tábua em relação à atual marca gráfica utilizada pelo Município de Tábua apesenta um nível de satisfação entre o muito insatisfeito e o pouco satisfeito.

 

Interpretação dos dados do questionário - nova marca gráfica a ser aplicada


 

 

Fig. 2 – Proposta de marca grá­fica desenvolvida para o Município de Tábua (2013, Pedro Ribeiro).


 

Estamos perante uma amostra de população de quinze indivíduos, oito cor­respondem ao sexo masculino e sete correspondem ao sexo feminino.

Quanto ao local de residência por distrito foram obtidas as quinze respostas, um indivíduo reside em Aveiro, dois indivíduos em Braga, três em Castelo Branco, dois em Coimbra, um em Évora, um em Faro, um na Guarda, um em Lisboa, um no Porto, um em Setúbal e outro em Viana do Castelo. De todos os distritos de Portugal continental podemos verificar desde já que existe uma boa distribuição de respostas de norte a sul do país.

Quanto à avaliação da atual marca gráfica numa escala de zero a três, em que zero corresponde a muito insatisfeito, um a pouco satisfeito, dois a satisfeito e três a muito satisfeito, foram obtidas quinze respostas em cada uma das questões.

Em termos de conceito (ideia) da marca obteve-se uma média de 2.73, fun­cionalidade uma média de 2.4, legibilidade uma média de 2.67, leiturabilidade uma média de 2.67, proporcionalidade (dimensão) entre o logotipo (a letra) e o símbolo (a imagem) uma média de 2.73, contraste uma média de 2.47, paleta cromática (cores) utilizada uma média de 2.8, visibilidade das cores em poucos segundos uma média de 2.73, visibilidade das formas em poucos segundos uma média de 2.67, distinção da marca gráfica atual entre outras marcas gráficas uma média de 2.6, facilidade de reconhecimento do Concelho de Tábua uma média de 2.53, tipografia (tipo de letra) utilizada uma média de 2.67, contraste entre a tipografia (tipo de letra) e o fundo uma média de 2.8 e por fim simplicidade formal utilizada uma média de 3.

Em síntese, posso concluir que a avaliação do grupo de amostra não residente no Concelho de Tábua em relação à nova marca gráfica a ser utilizada pelo Município de Tábua apesenta um nível de satisfação entre o satisfeito e o muito satisfeito.

 

Resultados e conclusões preliminares


Em termos práticos, neste momento, podemos fazer uma análise comparativa entre a atual marca gráfica utilizada no Município de Tábua e a nova marca gráfica a ser aplicada no Município de Tábua, após os dois questionários realizados a um grupo de amostra de 30 indivíduos não residentes no Concelho de Tábua, com da­dos devidamente tratados e com resultados seguros.

O nível de satisfação das pessoas em relação à atual marca gráfica utilizada pelo município de Tábua corresponde a insatisfeitos e pouco satisfeitos; em relação à nova marca gráfica, o grupo de amostra mostrou muito agrado, manifestan­do as suas escolhas entre um nível de satisfeitos a muito satisfeitos. Estamos perante conclusões que validam o conceito e que tornam esta marca e este estudo viável, e responde também à questão da investigação se pode o Design Gráfico contribuir para a melhoria da comunicação corporativa do Município de Tábua.

 

A forma como a Marca Município de Tábua comunica


A marca Município de Tábua terá de transmitir expressão para representar algo. O conceito é associar mensagens com representações visuais e narrativas cativantes, comunicando quem é, o caminho que tracei e o que é mais importante para a marca. O Município de Tábua dá também relevância ao universo visual que está enraizado na marca, tal como aos elementos da sua identidade. Todos estes elementos deverão ser consistentes dinâmicos e variáveis, para que a comunicação com o seu público se faça com qualidade de excelência.

Para a marca Município de Tábua, considerei importante a criação de uma bib­lioteca de representações iconográficas. Estes mesmos ícones poderão tomar a forma de ideias abstratas, objetos, produtos informação entre outros.

Aplicados de forma adequada nas suas aplicações comunicam de uma forma clara a história da marca do Município de Tábua.

Considerando que os elementos de construção da identidade visual sejam for­mas geométricas simples e planas, estas podem ser facilmente combinadas em ima­gens complexas e narrativas para uma grande variedade de aplicações criativas. Em todos os casos, o Município de Tábua procura inserir uma veia criativa e com pro­jeção na marca – resultando em mensagens imprevisíveis, divertidas e com grande poder de comunicação.

O tom de voz tem como função dar vida aos valores da marca definindo o tom utilizado em comunicação. Interage perfeitamente com a nossa identidade como um todo – projetando-a com maior impacto, sobre a fundação visual da marca, na forma como a marca é escutada e compreendida pelos munícipes, parceiros, visitantes e mesmo pela organização Município de Tábua.

 

Estratégia de marketing e contributo deste projeto


No município de Tábua, a aposta estratégica de marketing à volta da sua mar­ca será direcionada para a promoção do turismo da região, para os seus fatores históricos relevantes, onde tem origem a nova marca, para o comércio de produtos regionais, feiras de artesanato produzidos no concelho, melhoria da comunicação em termos de infraestruturas e implementação de novas tecnologias aplicadas aos serviços públicos para facilitar a vida dos munícipes e visitantes, implementação de mapas de orientação com serviços públicos e pontos de interesse, melhoria do site ao nível de usabilidade, criação de boletim informativo municipal, promoção da marca através do seu site e meios de comunicação social.

A promoção de um projeto de revitalização da vila no que toca a ofertas culturais para crianças, jovens e adultos, onde a marca será relevante na comunicação de todos estes futuros fatores, vai gerar nas pessoas uma necessidade pelo con­sumo das ofertas culturais, o que poderá ser um importante fator de investimento externo, fixação de empresas e desenvolvimento do concelho, gerando a criação de empregos.

 

Conclusões


O percurso de leitura proposto neste projeto de investigação partiu de um problema constatado no Município de Tábua entre o estagiário, professores ori­entadores e presidência/vereação que se prendia com falta de uma estratégia de comunicação. Foi então que decidimos responder à questão da investigação se pode o Design Gráfico contribuir para a melhoria da comunicação corporativa institu­cional de um município?

O período de investigação em estágio no Município de Tábua durante os qua­tro meses iniciais fez-me perceber estratégias, caminhos, fatores históricos, análise de recursos bibliográficos, os quais me deram uma importante bagagem no desen­volvimento de questionários à população e visitantes, assim como compreender, andar pelo concelho a investigar fatores históricos relevantes, esboçar, desenhar, simplificar, criar e promover toda a Identidade Corporativa do Município de Tábua.

A simplificação do brasão municipal foi o caminho que tracei para a nova marca gráfica. Comecei por fazê-lo através de investigação em livros e monografias, alguns deles sobre o município de Tábua tendo em vista perceber a evolução do brasão municipal. Foi igualmente importante compreender todas as partes constituintes do brasão municipal, a evolução da marca e da heráldica num contexto nacional e no Estado Novo, até à interpretação do brasão local existente.

Em termos de marca, foi relevante perceber que função deve ter uma boa mar­ca, a análise do rendimento dos signos de identificação institucional e a estrutura da Identidade Visual Corporativa.

A entrevista ao Designer João Machado, no seu Ateliê no Porto, fez-me per­ceber como foi desenvolvida a marca gráfica do Município de Almada (partindo do brasão municipal), assim como a forma como criava alguns dos seus conceitos para as marcas gráficas e ilustrações. A conversa telefónica com o Designer Doutor Francisco Providência tornou-se muito proveitosa, pois abriu-me caminho ao à leitura de um seminário ibero-americano sobre o processo de criação; territórios, memórias e identidade que ele apresentou no Brasil, intitulado de “Um ser imagina­do; a identidade dos lugares como influência estereotipada”. Comunicou-me ainda que, para além da identidade do Município de Santa Maria da Feira, seria importante investigar, como estudo de caso, a Identidade do Município de Penedono, a qual nasceu toda da simplificação do brasão municipal.

Por fim, foi criado um Manual de Identidade Visual Corporativa com todas as normas e diretrizes que deverão ser seguidas na implementação da marca, assim como estratégias de marketing para a promoção da nova marca.

O conceito criado na elaboração da Identidade Visual Corporativa do Município de Tábua deve-se sobretudo à sua influência romana.

A imagem de marca do Município de Tábua assenta na simplificação do Brasão Municipal, onde a coroa de quatro torres em heráldica representa a categoria de vila, estas torres foram simplificadas, existe também uma ponte de cinco arcos no antigo brasão que foi simplificada para apenas três arcos, foram ainda representa­das as águas do Rio Mondego.

Quanto às cores da nova marca gráfica, foram usados um verde que resulta do cruzamento entre o amarelo e o verde, visto que as cores da vila são o verde e o amarelo. Deste modo, encontrou-se uma cor entre as duas, e foi usado um branco interno como forma de representação das formas. O branco, tendo o verde limão luz, o azul reflexo e o preto à volta, permite um bom contraste e uma boa escala de ampliação/redução sem que os elementos percam legibilidade e leiturabilidade.

A base do seu redesenho foi a tipografia Trajan onde se adotaram as características da tipografia encontrada localmente. Foi ainda substituída a letra U pela V na designação TÁBVA, uma vez que, na escrita romana, não existia a letra U. Com este trabalho, consegue-se criar uma tipografia que marca este lugar e que o distingue de qualquer outro e de qualquer outra marca gráfica.

A paleta de cor Município de Tábua é um elemento que traduz expressão em todo o seu sistema de identidade. Em termos de simbolismo o verde escolhido representa as cores da vila em termos de região administrativa, assim como um concelho verde, pertencente ao Pinhal Interior Norte; o azul, as águas do Rio Mondego e o negro representa a História do concelho. Todos estes fatores foram retirados do antigo brasão municipal, simplificados e adaptados. Deste modo, perante o olhar da população, esta paleta cromática é fortemente representativa do município.

Em síntese, posso referenciar que este estudo é um exemplo de como podemos colocar a inves­tigação teórica ao serviço da componente prática num projeto real a ser aplicado. Fica ainda aberta a porta a novos estudos sobre esta temática da Comunicação Corporativa de um Município, que se torna cada vez mais relevante no que diz respeito à afirmação do lugar, e diferenciação das vilas e cidades como fator gerador de competitividade.

 

Recomendações para estudos futuros


O estudo e desenvolvimento da Comunicação Corporativa da marca Município, como vimos, é um universo complexo. No presente projeto/ estágio, procurei melhorar a comuni­cação corporativa institucional do Município de Tábua através da criação de um Manual de Identi­dade Corporativa, assim como a promoção da marca. Constatei ainda qual a perceção e opinião que as pessoas tinham da antiga marca gráfica implementada e como os visitantes reconheciam ou não essa mesma marca num âmbito nacional, através de questionários em linha.

Desta forma, foi possível mapear a intervenção do Design – recursos, técnicas e soluções – na representação da nova estratégia de comunicação, onde ficou criado um manual de Identidade Corporativa com todas as novas e diretrizes que deverão ser seguidas futuramente para criar uma diferenciação em termos de posicionamento perante outros municípios.

No futuro, será interessante que à marca desenvolvida sejam criadas marcas associadas, como a da Biblioteca Municipal João Brandão, Escolas, Casa da Cultura e implementação de um projeto de sinalética no mercado municipal, que permitirá uma reconhecimento e localização de todas às áreas de comércio que sigam a mesma génese da marca Município de Tábua. Será também importante criar uma revista ou boletim mensal informativo de tudo o que acontece no Concelho de Tábua, assim como revistas, desdobráveis, brochuras e mapas para a secção de Turismo.

Todos estes fatores facilitaram a perceção de todo o impacto na economia da vila, no turismo da vila e, do ponto de vista das populações residentes, do sentimento de pertença reforçado pela marca.

 

Referências Bibliográficas

 

 

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Opções

 

Autores

Pedro Miguel Lourenço Costa Ribeiro

Portugal // Seia

  

  • Designer
  • Fotógrafo
  • Docente

   | 
Daniel Raposo

Portugal // Castelo Branco

  

  • Designer
  • Professor
  • Researcher

   | 
João Vasco Matos Neves

Portugal // Oiã

  

  • Designer
  • Professor de ensino superior

   | 

  

 
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Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons para proteger os direitos de autor a nível internacional. E-ISSN: 1646-9054

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